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Yahoo é confrontado pelo passado e futuro

Em debate com o Publicis e a P&G, CEO interino fala sobre as estratégias do portal e de como enfrenta as mudanças na empresa

Sergio Damasceno| » ENVIAR E-MAIL »

22 de Junho de 2012 12:51

O Yahoo tem passado por ondas que ora arrebentam na praia sem grandes consequências, ora tomam formatos de tsunamis. Empresa primordial da internet, aos 17 anos, o Google da era pré-Google (foi fundado em 1998) nem atingiu a maturidade, mas também não consegue sair de uma adolescência forçada depois que o Google chegou e lhe tomou a dianteira nas buscas. E nunca mais cedeu de volta.

Em cinco anos, o portal trocou de CEO cinco vezes. Dono de uma das grandes audiências dos EUA (700 milhões de visitantes/mês), o Yahoo tem à frente de seu comando, neste momento, um CEO interino, Ross Levinshohn, vice-presidente e líder de mídia global do portal. Levinsohn assumiu como interino há pouco mais de um mês com o desafio de resgatar a aura que o Yahoo tinha na década de 90.

E nesta sexta-feira, 22, foi na condição de interino que o executivo foi escrutinado por um bem-humorado Maurice Lévy, presidente e CEO do Publicis Groupe, que é a terceira maior organização de publicidade e comunicações do mundo. Ambos tiveram por companhia o diretor global de marketing e de construção de marca da P&G, Marc Pritchard. Os três participaram, no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, de um bate-papo sobre o futuro do Yahoo e a visão de um grande anunciante, a P&G, sobre o portal e o futuro do ambiente online.

Levinsohn diz que o mais importante, por ora, é fazer toda a comunicação interna do Yahoo aos funcionários “com mais clareza e transparência. Essas pessoas têm paixão pela empresa”, afirma, talvez para apagar o trauma com o último CEO, acusado de falsificar o currículo para assumir como o mais alto executivo da empresa. O executivo conta que começou a trabalhar na Madison Avenue, justamente na Procter & Gamble Productions - uma espécie de unidade que acabou por ser incorporada pela Saatch e pela Zenith Optimedia, ambas controladas pela Publicis.

"Na época, eles produziram as soap operas (novelas)", recorda Levinsohn. Ou seja, forma um dos primeiros patrocinadores de programação, ao financiar o conteúdo. “E aqui estamos nós, anos mais tarde, com o desafio de descobrir como podemos melhorar marcas não mais apenas com um spot de 30 segundos”.

Para Marc Pritchard, da P&G, o Yahoo tanto é uma empresa de tecnologia quanto de mídia. "E nós temos uma série de parcerias estratégicas com agências e parceiros de mídia", diz. Sobre o fato de Levinsohn estar no comando do Yahoo, Pritchard diz que o quer for bom o portal também será bom para a P&G. Principalmente se tiver “criatividade original, conectar com a mídia e um grande conteúdo todo dia”, pontua. “Para nós, da P&G, "O mundo digital é perfeito porque está sempre ligado."

Espécie de script para o futuro do Yahoo, a conversa entre os três executivos, obviamente, não definirá o rumo do portal. Mas explora o novo comando, a expectativa do maior anunciante do mundo com o mundo digital e com um dos seus grandes parceiros nesse universo e, ainda, a visão de um grande grupo publicitário que encadeia tanto o tradicional (P&G) quanto o novo (Yahoo).