Mais de 47 mil visitantes de 189 países estiveram presentes no Mobile World Congress (GSMA 2009), que terminou ontem aqui em Barcelona. Os quatro dias do evento atraíram os principais executivos das maiores e mais importantes operadoras de telefonia celula...Continue lendo
Mais de 47 mil visitantes de 189 países estiveram presentes no Mobile World Congress (GSMA 2009), que terminou ontem aqui em Barcelona. Os quatro dias do evento atraíram os principais executivos das maiores e mais importantes operadoras de telefonia celular, empresas de software, fornecedores de equipamentos, empresas de internet, mídia e entretenimento. De acordo com organização do GSMA, o número de CEOs presente ao evento chegou a 2.800. A feira contou com 1.300 expositores.
O evento deixou bem claro que a mobilidade é a última fronteira de contato com e entre as pessoas. Diferente de qualquer outra mídia, o celular passa praticamente 24 horas por dia nas mãos de seus usuários e é praticamente uma extensão de seu próprio corpo. Daí sua importância estratégica.
Para mim foi uma experiência nova e gratificante. Entrei em contato com um mundo com o qual eu não estou acostumada e fiquei muito impressionada com o tamanho do evento e como ele tem uma boa intersecção com a indústria publicitária. Vou ficando por aqui. Até a próxima.
Hipnotizante. Essa é palavra que melhor descreve a entrevista do ator Kevin Spacey durante o painel que apresentou os filmes vencedores do Mofilm, o festival criado pela GSMA para premiar curtas feitos com e para celular.

O ator vencedor de dois Oscar - melhor ator coadjuvante por Os Suspeitos e melhor ator por Beleza Americana - destacou que uma das coisas que mais dá prazer em sua carreira é a possibilidade de dar oportunidade a novos talentos. Ele contou que quando era estudante de arte dramática na Juilliard School, em Nova York, no começo dos anos 80, teve a chance de conhecer seu maior ídolo na época, Jack Lemon, um de seus principais encorajadores.
"Depois de dez anos eu o reencontrei quando já era ator profissional e até tivemos a oportunidade trabalharmos juntos. Mas ter tido aquele estímulo dele no início da minha carreira foi fundamental". Ele citou essa passagem para salientar a importância que uma premiação como a Mofilm tem hoje, ainda mais que contempla uma maneira completamente nova de se fazer filmes que é por meio do celular.
"Estou empolgado pelas oportunidades que o Mofilm possibilita como uma plataforma para descobrir novos talentos e catalisar curtas na última mídia de massa do mercado global, o celular", disse Spacey que foi entrevistado por Adrian Finneghan, âncora da CNN.
Vencedores do Mofilm
O curta metragem "English as a Second Language", da diretora Jocelyn Stemat, venceu o GP da edição 2009 do Mofilm. O grande vencedor desta edição do prêmio foi selecionado dentre outros 250 filmes inscritos de mais de 100 países.
Confira os outros vencedores da premiação foram:
Pushkin - Trevor Hardy - Animação
Enough - Tor Kristoffersen - Drama
The Science of Attraction - Claveski - Documentário
Star Chicks - .Jay Lee - Ficção Científica
Rockwell - Lisa Mills - Melhor Contribuição Cultural
Uma das apresentações que mais gostei no GSMA 2009 e uma das mais surpreendentes também foi a do inglês Garrett Johnston, diretor de marketing estratégico da MTS, a maior operadora de telefonia celular da Rússia, que conseguiu fazer uma explanação claríssima sobre segmentação. Para ele, o novo modelo de negócios implica arcar e beneficiar-se do crescimento das receitas vindas dos aplicativos e serviços para garantir o retorno dos investimentos feito com foco em estabelecer mais conectividade com os clientes.

Garrett Johnston, diretor de marketing estratégico da MTS
"Precisamos alavancar nosso proposta de conectividade por meio de inúmeros serviços e aplicativos nos quais as marcas também devem estar presentes para que isto se torne rentável", disse. Neste sistema, qualquer pessoa pode criar conteúdos por meio de PCs e dispositivos móveis e a internet serve como meio propagador destes serviços que podem ser distribuídos via PCs, TVs e celular. "Embora a receita com esses serviços seja relativamente pequena ela será mais alta à medida que houver uma percentagem disso passada aos criadores. Esse vínculo tem um efeito multiplicador incalculável".
Para ele, a segmentação hoje não é mais por meio de hábitos de consumo e comportamento de um grupo de pessoas. "O que vale hoje é a segmentação do indivíduo, que tem inúmeras facetas e se comporta de maneiras diferentes de acordo com o ambiente em que está", diz.
Neste cenário, o diretor da MTS enxerga muita oportunidade para as marcas, desde que elas estejam inseridas neste ambiente de uma forma que agregue valor às pessoas. "Substitua a palavra celular por pessoal e a palavra publicidade por valor. Dessa forma, é possível enxergar quão direto e eficiente pode ser essa relação entre marcas e indivíduos nesse ambiente de intimidade que a mobilidade permite".
Dar uma volta pelos corredores da feira GSMA é entrar em contato com uma série de traquitanas e gadgets que talvez nem cheguem a ser lançados por aqui. Uma passadinha no estande da NTT Docomo, a maior operadora de celular do Japão, é como entrar em um daqueles filmes de ficção científica e ver aparelhos, acessórios e serviços que nem sequer imaginávamos existir.
A operadora montou em seu estande um ambiente que lembra uma casa no qual o celular pode abrir e trancar fechaduras de portas e portões, além de acender e apagar a luz dos ambientes.
O mais bacana é ouvir as explicações dos técnicos da operadora sobre aquelas traquitanas todas. Tão dóceis e meigos que a dificuldade deles em falar inglês acaba passando despercebida.
A operadora também trouxe demonstração de um celular à prova d'água e de outros customizados de acordo com o uso mais freqüente deles, se é para game, vídeo, uso profissional etc.
No estande da Nokia, achei muito bacana o aparelho lançado com o monitor de freqüência cardíaca Polar, que possibilita a transmissão automática de dados do treinamento de corridas para o aparelho.

O celular, por sua vez, por meio do Nokia Sports Tracker, um aplicativo desenvolvido exclusivamente para esse produto, permite a atualização e monitoramento do treino e faz também a sincronização desses dados com o PC.

No estande da Samsung, gostei muito do celular touchscreen M7600 Beat DJ. Com amplificador Bang&Olufsen é possível girar o disco no centro da tela e fazer mixagens de músicas. O aparelho vem com um software que permite a criação e montagem de músicas com adição de efeitos e filtros específicos.


Quem nunca passou pela desagradável situação de viajar e esquecer o carregador de seu celular? Se o modelo for de uma marca pouco conhecida então ou tem que se comprar um novo ou ficar sem usar o aparelho quando a bateria acabar. Pois bem, os cinco maiores fabricantes de aparelhos celular do mundo - Nokia, Samsung, LG, Motorola e Sony Ericsson - fazem parte de um grupo de 17 empresas que estão financiando o desenvolvimento de um carregador de celular "universal" que servirá para todos os tipos de aparelhos.
A previsão de lançamento do produto é 2012. O projeto chama-se Solução Universal para Carregador (UCS, na sigla em inglês) e foi anunciado aqui na GSMA. O novo carregador custará até 50% mais barato do que os fabricados atualmente e também tem como um de seus atributos reduzir o consumo de energia.
As operadoras envolvidas no projeto são: 3 Group, AT&T, KTF, mobilkom austria, Orange, Telecom Italia, Telefonica, Telenor, Telstra, T-Mobile e Vodafone. A produtora de chip Qualcomm também faz parte do grupo.
O CEO do GSMA, Rob Conway declarou que embora o prazo de 2012 seja "ambicioso", ele acredita que a iniciativa abrirá o caminho para ajudar as pessoas a viver e trabalhar com os celulares de uma maneira mais ecologicamente amigável.
A maior parte do conteúdo do GSMA é bastante técnica e o público por aqui é predominantemente masculino já que esta é uma indústria que flerta muito com a de TI. Estou entrando em contato com alguns conceitos novos e com tecnologias que tinha apenas ouvido falar. Uma delas é o LTE (Long Term Evolution), protocolo adotado como a próxima evolução da família GSM, a evolução do 3G e que tem como principal característica o acesso à banda larga de altíssima velocidade às redes móveis.

Painel explicativo sobre o LTE no estande da NTT Docomo
Para se ter uma idéia, o 3G tem velocidade média de 7.2 Mbps dentro da arquiterua HSPA (High Speed Packet Access). A Vodafone, no ano passado, lançou uma versão beta de 21.6 Mbps, considerada a mais rápida do mundo.
No LTE, que opera na faixa de 2,6 GHz, a rede suporta transmissões de dados com velocidade de até 300 Mbps aumentando sobremaneira a eficiência de downlinks e uplinks.
Na edição 2009 do Mobile World Congress, os principais fabricantes já apresentam em seus estandes alguns protótipos do LTE, que tem previsão de lançamento comercial em 2010.
No stand da LG é apresentada a transmissão de streaming de vídeo em HD através de uma ERB LTE da Nortel. A Ericsson também montou uma mini rede LTE em seu espaço na feira e demonstra o download de um arquivo de 200 Mb em menos de dez segundos. O mesmo fazem a Nokia Siemens Networks e a NTT Docomo.
Para o mercado brasileiro ainda não há previsão de lançamento do LTE, já que ainda estamos consolidando o 3G. Além disso, a crise financeira mundial deverá adiar os investimentos necessários para o desenvolvimento do HSPA.
Fica claro tanto nos painéis do Congresso quanto nos corredores da feira do GSMA 2009 a revolução que a Apple causou no mercado de telefonia celular. O que se vê nos estandes dos maiores fabricantes de aparelhos por aqui é uma leva de modelos que embarcaram na moda do touch screen, introduzida pelo iPhone. É mais do mesmo, a diferença fica nos recursos como resolução, velocidade e memória.
A questão dos aplicativos e o paradigma das lojas para a disponibilização disso - as famosos App Stores - que a Apple introduziu com o iTunes parece ser algo que os fabricantes também estão seguindo. O mais curioso é que a Apple é citada em vários painéis pela revolução que causou no modo com as pessoas se relacionam com os dispositivos móveis, mas não se sente nem cheiro da empresa por aqui.
Como um dos assuntos mais destacados desse evento é o movimento de abertura de plataformas provocado pela convergência que os dispositivos móveis contemplam, a Apple também é referência, já que esse é um dos seus pontos fracos.
Mais uma vez, o genial Steve Jobs demonstra o espectro de sua inovação desruptiva (conceito muito salientado pelo CEO da Skype, Josh Silverman, durante sua apresentação hoje de manhã). Lançado em junho de 2007, o iPhone rompeu paradigmas e ainda ofusca as mais recentes inovações do setor que deverão ser consolidadas ao longo de 2009.

A China Mobile, a maior operadora de celular do mundo em números de assinantes, revelou no GSMA 2009 seus planos para adotar um modelo de negócios mais aberto, o que inclui o lançamento de uma plataforma baseada no software Android (Google) e sua própria loja de aplicativos.
Durante o evento, a operadora apresenta o OMS (Open Mobile System) que abrange os serviços mais populares da China Mobile como TV, música, cotação de ações e mensagens instantâneas, além de uma série de aplicativos.
Este lançamento da China Mobile explica a relutância da operadora em oferecer o iPhone no mercado chinês, embora Wang Jianzhou, CEO da empresa, insiste em dizer que a operadora irá continuar negociando com a Apple para introduzir o telefone que revolucionou a indústria mundial de celulares no mercado chinês.
De acordo com Jianzhou, o lançamento do espectro 3G este ano irá criar cerca de 300 mil novos empregos diretos e indiretos, o que significa um dinamizador da economia importante nesse momento de recessão global.
Fazia fila na porta do auditório principal do GSMA, hoje de manhã, uns 30 minutos antes de começar o painel que tinha o provocativo título (em tradução livre) "Indo em direção a um ecossistema aberto para plataformas móveis". Afinal os participantes eram nada menos do que presidentes de três grandes empresas que estão no olho do furacão da convergência provocada pela mobilidade: Steve Ballmer, CEO da Microsoft; Olli-Pekka Kallasvuo, presidente e CEO da Nokia; e Ralph de La Vega, presidente e CEO da AT&T.

Slide da apresentação do presidente da Nokia: "ecossistema aberto é muito mais do que open source"
A moderação foi de Walt Mossberg, do Walt Street Journal, um dos jornalistas especializados em tecnologia mais respeitados do mundo e criador do evento All Things Digital, que em 2007 reuniu Bill Gates e Steve Jobs no mesmo palco. Mossberg abriu o painel com uma provocação. "Essa palavra mágica ‘aberto' ganha uma nova dimensão em um mundo de economia livre entre os países onde o conceito de cooperação tem cada vez mais espaço". E acrescentou: "Comparo o mundo do PC ao regime soviético, no qual software e hardware são duas dimensões completamente fechadas e separadas, como era o mundo até a queda do Muro de Berlim, separado entre comunismo e capitalismo". O recado era claro para o principal palestrante do painel, Steve Ballmer.
Ralph de La Vega, da AT&T: "transparência com consumidores"
De La Vega, da AT&T, destacou que em um mundo onde a plataforma de mobilidade realmente for aberta é necessário criar mecanismos para proteger a segurança dos consumidores. "Como indústria, temos que propor a criação de um ecossistema aberto inclusive no que diz respeito ao modelo de negócios. Mas não podemos esquecer que isso implica maior transparência na relação com nossos clientes", destacou. Ele salientou projetos como o australiano Bondi da OMTP (Open Mobile Terminal Plataform) e o Android, do Google, que foram desenvolvidos exatamente para um ambiente aberto.

Slide da apresentação da AT&T mostrando a força do entretenimento
Com o título "Aberto para mudar", a palestra do finlandês Olli-Pekka Kallasvuo me surpreendeu e foi a melhor do painel, apesar de seu inglês de difícil compreensão. Ontem, eu tinha assistido a uma rápida apresentação de Olli (como é conhecido), na coletiva dos lançamentos da Nokia, mas hoje realmente ele demonstrou que está absolutamente antenado e preparado para esse novo cenário de convergência materializado na mobilidade.
"Um ecossistema aberto para plataformas móveis vai muito além do open source, das padronizações abertas e das tecnologias abertas. Ele muda o modelo de negócios, pois inverte a relação com o consumidor, que passa a ser o grande decisor que irá fazer cada vez mais novas escolhas em uma velocidade muito mais rápida".
O presidente da Nokia concluiu dizendo que o fato de estarem no palco três importantes players da indústria de telefonia/tecnologia já é sinal claro e histórico de mudança. "Microsoft e IBM são concorrentes, mas trabalham juntas para desenvolver soluções e aplicativos que podem ser usados nos nossos celulares. Ser aberto não significa que você irá abrir seus portões para deixar qualquer um entrar. Mas sim colocar parte do seu negócio a serviço do mundo e do mercado e, principalmente, do consumidor".

Steve Ballmer não convenceu a platéia com seu discurso de estímulo à abertura
A última palestra foi de Steve Ballmer, que estava com ponto eletrônico na orelha e performou seu característico show of, dizendo obviedades sobre inovação e convergência e não convenceu a audiência com seu discurso um tanto contraditório sobre plataformas abertas. "Um mercado aberto é um dos pontos críticos da nossa indústria. Na Microsoft estimulamos a inovação por meio de uma abordagem aberta demonstrada pelas parcerias".

Ballmer, Olli e de La Vega ao lado do moderador do painel Walt Mossberg
No debate final, coube brilhantemente a Walt Mossberg voltar ao tom provocativo que tinha dado a deixa na sua colocação inicial. Ele questionou Ballmer sobre a questão da abertura ser um drive do consumidor e não da indústria e citou o exemplo da Apple com o iPhone, lançado inicialmente fechado, mas devido a uma demanda de seus usuários acabou abrindo sua plataforma de aplicativos para desenvolvedores em fevereiro de 2008.
Raphael Vasconcelos, diretor executivo de criação da AgênciaClick, escreve sobre as novidades do evento, que acontece entre os dias 3 e 7 de fevereiro nos Estados Unidos e discute tecnologia, entretenimento e design
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