Assim que me encontrei com Martín Mercado, diretor geral de criação da Young & Rubicam Argentina, perguntei-lhe como é exatamente estar em...Continue lendo
Assim que me encontrei com Martín Mercado, diretor geral de criação da Young & Rubicam Argentina, perguntei-lhe como é exatamente estar em duas agências ao mesmo tempo, já que ele continua vinculado à La Negra. "Ninguém entende", riu. Ele conta que foi chamado por Darío Straschnoy, presidente e sócio da agência, para assumir o cargo. Ao mesmo tempo, Guillermo Vega, partia para a Y&R Nova York. Isso aconteceu em junho passado.
"Sabe, comecei a me interessar por publicidade quando criança. Via os comerciais e os que mais me agradavam eram da Y&R. Se você percorrer o mercado argentino, verá que muita gente boa saiu daqui. Nomes fortes. A Young é uma referência para cá. A esta agência sempre importou a criatividade. Queria viver esta experiência. Aqui tem gente criativa não somente na equipe de criação. A Young é como uma escola", comenta Martín.

Um dos desafios da Y&R é diminuir o gap entre a criação e o digital. Embora o investimento dos clientes nesse campo seja abaixo - segundo o informe da associação argentina das agências de publicidade, é o segundo menor, acima de cinema - é preciso estar preparado para o momento em que o budget estiver mais reforçado. Hoje, na Y&R são dez pessoas dedicadas ao digital. Mas, como na Leo, Martín está empenhado em fazer com que a criação e o digital se entendam perfeitamente.
Uma ação que integrou bem as duas áreas foi um trabalho criado para a Quilmes para o Dia do Amigo, que se comemora no dia 21 de julho. "As pessoas entravam no site para enviar felicitações a um amigo. Ele encarnava uma celebridade", conta. Há um projeto também, este em desenvolvimento, que será como um tradutor do que as mulheres pensam. Mais detalhes, só quando a campanha estiver pronta.
Martín diz também que a comunicação precisa refletir bem os sentimentos das pessoas. "Não sou 'festivalero'. Vou a Cannes e acho importante ir para lá, mas me sinto mais feliz quando escuto, numa festa de aniversário, alguém falando de um comercial que criamos", diz.
Um dos trabalhos recentes que refletem os sentimentos, o que envolve também muito humor, é a campanha de verão da Quilmes. Sugestão de Martin. Há mais abaixo.
A Leo Burnett Argentina fica em Puerto Madero. Não sei dizer qual dos lugares a que foi me agradou mais. Mas, de todo modo, da janela onde fica a sala de Seto Olivieri e Pablo Capara, diretores gerais de criação, dá para ver tartaruguinhas tomando sol à beira do rio. Tirando um ou outro caso, as agências onde estive têm esse cuidado em trazer algo de belo (ou bom) aos olhos de seus funcionários.
A dupla está na Leo há quase três anos. Saíram da Y&R onde estavam havia 11 anos. Atenderam um convite de Juan Carlos Ortíz, que comandava a Leo Burnett América Latina. "A agência estava focada para outro lado. O foco tinha de ser 'boas idéias, bons negócios'. Depois de seis meses, fomos até Juan Carlos e mostramos todos os problemas. Apresentamos também nossas propostas para corregir essas falhas", lembra Seto.
Houve quem se adaptasse. Outros deixaram a casa. De uma forma ou de outra, a Leo começou a passar por uma intensa transformação. Um ano depois que a dupla de criativos chegou, veio Fernando Bellotti, que estava em Portugal. A ele cabe o negócio. Com Fernando, e depois de tantas mexidas, Seto e Pablo puderam se concentrar na criação. "A agência antes não funcionava como um todo. A postura tinha de ser de sócio do cliente e não de um mero prestador de serviço", comenta Seto.
Os resultados começaram a aparecer. Um dos trabalhos reconhecidos internacionalmente foi o que fizeram para a Cruz Roja, para chamar atenção para o período de inundações que acometem a região norte do país. A ação - a instalação de uma casa invadida pelas águas nas cercanias do Planetário, em Palermo - levou o Grand Prix de Outdoor do Wave Festival no ano passado, entre outros prêmios.

A equipe de criação cresceu e surgiu uma unidade dedicada ao digital. O que fizeram Seto e Pablo? Trataram de bagunçar a cabeça do time. Explica-se. "Por formação, eu e Pablo saímos bem na TV, assim como muitos criativos. Nós estamos fazendo com que eles pensem em novos formatos. E o pessoal de digital fica muito concentrado no que produz. Estamos fazendo com que eles também pensem em novos formatos", diz Seto, algo divertido.

A Leo está agora bastante envolvida com o lançamento do Fiat Linea. Também está trabalhando para o cliente McDonald´s, que esteve na carteira e saiu (antes da dupla chegar). Retornou em dezembro para a agência. Como se vê, eles estão cheios de coisas para produzir. E acreditam que a experiência da Argentina com crises mostrará aos clientes, muito mais facilmente do que em outros países, que um dia a tormenta passa e que será melhor que a marca não tenha deixado a comunicação de lado. Porque as pessoas voltarão a consumir. E vão consumir das marcas que estiveram presentes mesmo nos momentos mais difíceis.
La Negra é outra agência famosa pela qualidade criativa. Quando converso com os criativos e conto do roteiro que fiz, sempre dizem que estive mesmo nas melhores (sim, faltou uma ou outra... por questão de agenda). A casa onde fica é mais uma naquele estilo "beleza por dentro, lazer por fora". Tem piscina e área de churrasco, essa instituição nacional. Outro detalhe é que é a mais boleira de todos. Ao menos na aparência. Dylan Williams, sócio-fundador, é Boca até o último dos fios de cabelos brancos (Dylan é um veterano da indústria). Martín Mercado, outro sócio, é River. Deve estar sofrendo bastante. E o diretor criativo Ricardo Corsaro é fanático do Racing.

Quando Martín foi convocado para assumir a direção geral de criação, em junho passado, a agência fez um acordo com a Young & Rubicam (as duas fazem parte do Grupo WPP). Martín ainda ficaria dedicado a alguns clientes da Negra: Coca-Cola e Olé. Mas seu cotidiano passou a ser a Young.
Foi por causa de Coca-Cola que Martín esteve na Tunísia, de onde retornou na Tunísia. Estava acompanhando a filmagem de um comercial global. Martín tem uma convivência respeitável com a marca. São cinco anos. Primeiro na McCann (ele e Dylan estavam na McCann). Depois na WM, agência que abriram já na WPP - o nome La Negra foi adotado há cerca de um ano. E foi por conta de uma cachorrinha que Martín encontrou em Bariloche, enquanto produziam um comercial.
La Negra faz trabalhos distintos, diz Dylan. São 25 funcionários na casa, sendo 10 criativos. Fazem a pesquisa estratégica da marca, com fluxo intenso de idéias entre criação e planejamento. O tamanho da empresa ajuda. Estão todos bem próximos. O que vão desenvolver depende da estratégica. Mas, em geral, La Negra faz filmes e anúncios. Os filmes estão na essência da agência. Se precisam investir em uma disciplina que não "dominam", convocam os especialistas. Mais ou menos como um clínico geral convocando um especialista em mãos, ombros, cabeça. É uma comparação de Dylan.
Na área digital, eles recorrem muito a Wundermann. "Conheça Juan Pablo Jurado. Ele é a tendência", sugere-me Dylan. Anotado.
Vamos direto aos filmes.
Coca Cola
La Campagnola - atum
Olé
Não tem como. Futebol sempre vem à tona quando o assunto é Argentina (os argentinos devem falar o mesmo de nós). Bem, a primeira campanha que Rodrigo Grau, diretor geral de criação da BBDO Argentina, me mostrou quando estive na agência foi de Gatorade. Pensou em corrida?
Essa campanha, lançada no ano passado, encontrou um novo nicho para o produto, em geral vinculada aos amantes de corrida e atividade física nas academias. "Todos nascemos boleiros, mas acabamos trabalhando em outras profissões", brinca Rodrigo. Ah, por "todos" ele quis dizer os argentinos. Os filmes mostram esse lado futebolístico dos argentinos comuns. A ação se estendeu para internet e teve direito a um álbum de figurinhas em que as imagens estavam montadas em ambientes de trabalho.
Outro trabalho que se destacou foi o desenvolvido para Doritos. Não, não teve nada a ver com a bola. A mania, no caso, foi a dança lenta. O mote da campanha era "que volte a música lenta". A proposta era atingir os jovens em torno dos 18, 20 anos. Quais um dos maiores problemas dessa turma? Aproximar-se das garotas. Então, nada melhor do que arrumar uma maneira que favoreça isso. Foi essa a estratégia da BBDO. Fizeram-se filmes e um site. O que aconteceu depois? Dois jovens consumidores começaram a criar uma ação convocatória na internet, chamando os fãs de música lenta a se encontrarem num determinado lugar (o Planetário, uma construção que data dos anos 70, por aí). Juntaram-se entre seis mil e sete mil pessoas. "Não fomos nós que fizemos a convocatória. Os consumidores tomaram a campanha para si. Isso é que é legal", entusiasma-se Rodrigo, que está desde 2007 na agência.
Rodrigo e Ramiro Rodriguez assumiram o comando da criação com o objetivo de levar a qualidade atingida com a parte gráfica para outros meios, especialmente. "Mas estamos trabalhando muito com a comunicação integrada", diz Rodrigo. De todo modo, vai mais um filme. Feito para Seven-Up Free.
A FiRe, empresa criada no final de 2003 por Rodrigo Figueroa Reyes - notória figura da propaganda argentina -, tem sua sede instalada na casa que pertenceu ao avô de Rodrigo. Lá, diz o próprio, é como um centro de pensadores. Em Palermo, está o escritório de produção. Está aí uma maneira de explicar o trabalho dessa companhia.

Rodrigo, que vem de uma família de artistas, nasceu e cresceu num mundo povoado de música, arte e conteúdo. Mas porque queria ganhar dinheiro - explica ele, com seu habitual bom humor - resolveu se dedicar à publicidade. Ergueu uma sólida carreira nesse mercado. Chegou a presidir a DDB Argentina. Corria o ano de 1999 e ele sentia que a publicidade e o entretenimento podiam andar juntas e dar um bom negócio. Ele acredita que foi em 2002 que usou pela primeira vez a palavra advertainment. "Nos Estados Unidos, falam branded entertainment. Na Europa, branded content. A idéia é a mesma".
Mas ele ressalta que o conceito é antigo. E cita como exemplo o Repórter Esso. A FiRe vive de desenvolver projetos de conteúdo em que a marca atua como parceira, de maneira elaborada, sofisticada.
Como se define a Fire? "É uma produtora criativa. Está no meio do caminho entre uma agência e uma produtora." Rodrigo e um grupo de sócios detêm 60% do negócio. O demais está com a DDB, sob o guarda-chuva da DDB Latina, rede que opera na América Latina, no mercado hispânico dos EUA e na Espanha.
Por sinal, a FiRe vai abrir um escritório em Madri, em maio - já tem unidades no Chile, na Colômbia e em Miami. Brasil? "Um dia chegarei lá. É um mercado gigante, que produz ótimo conteúdo. Costumo brincar: é um monstro que, além de tudo, fala português", diz. Quem vai comandar a filial espanhola é a dupla Juan Caffieri e Federico Tello, que entraram no início da FiRe e cresceram lá dentro.
Entre seus projetos realizados pela empresa estão a tríade rádio/selo fonográfico/bar KSK, para a marca de roupas Kosiuko, numeral 15, para Telefônica Argentina (sete capítulos exibidos na TV em que uma ligação mudava o rumo da história), e Rayas, reality show para formar uma banda musical para os biscoitos Glacitas.
Case Kosiuko
Numeral 15
Rayas
Um projeto recente que ganhou os elogios da DDB foi o desenvolvido para a seguradora State Farm, com "Los Felinos de la Noche", uma banda formada por latinos em busca do sonho de gravar um álbum. O target: o público hispânico dos EUA. Foi lançado um reality na Univision.
O tema da canção de trabalho trazia o conceito da State Farm. Virou um sucesso. O case foi o único entre os trabalhos hispânicos a figurar na lista de Advertising Age "Marketing 50", em 2008. O projeto foi elaborado com a Alma DDB, o escritório da DDB Latina dedicado ao mercado hispânico nos Estados Unidos.
Diversos projetos da FiRe mereceriam um belo par de linhas neste post. Mas o fato é que eles devem permanecer em segredo até maio, quando circulará a Revista da Criação. Um tem a ver com futebol. Outro, com propaganda. E um com... hummm, história. Mas dá para falar de uma ação desenvolvida pela FiRe Chile. É um evento cultural para a Philips, a ser lançado neste ano.
Vale a pena explicar como atua a FiRe, que tem uma média de crescimento de 25% ao ano. Primeiro: são 10 pessoas fixas por escritório. São todos pensadores, afirma Rodrigo. Um mix entre criativos e planejadores. Fora isso há a equipe de produção propriamente dita. E parceiros convocados de acordo com o projeto. Cada escritório apresenta dois novos projetos por ano - os demais vão seguindo seu curso, o que requer um bom tempo para finalmente chegar ao público. Ou seja, a FiRe é realmente outra história.
Em minha quinta rodada de visitas pelas agências e produtoras argentinas estive na zona norte da província de Buenos Aires, longe do centro. É a mesma região onde fica a Ponce Buenos Aires. A primeira parada foi em La Comunidad, a agência aberta pelos irmãos Mollá – Joaquim e José - há oito anos. É uma casa com piscina, área para churrasco, jardim e umas dependências extras, com largas janelas para que o funcionário se beneficie da vista. Ah, sim. A agência é chamada de La Comu.
Joaquim, que cuida da agência em Buenos Aires – José se encarrega do escritório em Miami - nos recebeu com café, sanduíches e mate, que ficou tomando de tempos em tempos. Tudo muito à vontade. Tivemos uma conversa longa sobre publicidade. La Comunidad é notória pela alta qualidade criativa do que entrega. Isso é sabido por todos. Mas, mais do que isso, Joaquim destaca sua filosofia.
Jurado de diversos festivais e com experiência de anos nesse mercado, ele conta que houve um momento em sua vida em que pensou em desistir da publicidade. Conhecia esse mundo em seus meandros e processos. E se sentia insatisfeito. Então, teve uma conversa com José, que atuava na Wieden+Kennedy (onde chegou a ser diretor criativo de Nike internacional, e juntos decidiram criar La Comunidad.

A agência tem esse nome porque pretende que todos atuem como parceiros. E isso inclui o cliente. Há figurinhas de braços abertos pela casa simbolizando esse conceito e o cartão de Joaquim também traz esses braços abertos. A idéia é simples, mas quem disse que o simples é facilmente aceito? Joaquim afirma que para ajudar uma marca é preciso que ela queira ser ajudada. “Peço para que me contem todos os problemas. Os clientes trazem os problemas e eu busco as soluções”. A partir daí, é feita uma análise profunda da marca e a partir daí se define a estratégia - um dos pilares de La Comu; o outro é criatividade.
Filme? Impresso? Uma ação diferenciada? Isso só é determinado depois que eles têm na mão a estratégia. "Uma estratégia sólida demanda muito esforço. Nem todos estão dispostos a enfrentar isso", observa. Os profissionais da Comu estão muito próximos, o que viabiliza um fluxo constante de idéias. Não há departamentos gigantes, nem estruturas infladas. “Trabalhamos com 35 pessoas. Temos uma ambição medida”, pontua Joaquim.
Analisando o mercado, Joaquim faz suas críticas. "Não entendo por que uma agência tem uma equipe para ATL e outra para BTL. Qual o diferencial em ter essas segmentações? Acho que isso acaba escondendo a necessidade de se desenvolver uma estratégia consistente que possa ser trabalhada em qualquer meio". Por outro lado, ele não tem paciência com certos discursos. "Fala-se tanto em comunicação integrada que chego a ficar irritado. Nem tudo é comunicação integrada. Além disso, é preciso entender que comunicação integrada traz um nível de exigência muito alto. Se o conceito for ruim, ele fica muito mais claro", afirma.
E sobre a qualidade do trabalho criativo hoje na Argentina? "Temos gente muito boa. O que defendo é usarmos os dois lados do cérebro. Atua-se bastante com o racional. Precisamos valorizar o emocional. Isso fazemos. Nos Estados Unidos, isso não acontece da mesma maneira". Ele também comenta que a publicidade chega tarde a tudo, em comparação ao que faz o consumidor. "Cada vez mais precisamos nos antecipar".
Abaixo, relaciono alguns trabalhos de destaque de La Comu.
Leão de Bronze em Cannes 2008 - portal Cyloop
Leão de Ouro em Cannes 2007 - Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, o Bafici (já mostrei neste blog um dos filmes do mesmo cliente que faturou ouro no festival do ano passado)
Campanha recente da revista Rolling Stone
Primeiro, um pedido de desculpas. Ontem, aqui onde estou, a internet caiu. Isso quer dizer que o mundo caiu porque, afinal, estou com relatos para passar sobre as visitas da quinta-feira e mais as notinhas curtas que queria passar para os leitores deste blog. Bem, seguem aqui. Na seqüência, seis relatos. Na quinta, estive em La Comunidad, com Joaquim Mollá, na FiRe, a empresa de advertainment, de Rodrigo Figueroa Reyes, e na BBDO Argentina, com Rodrigo Grau. Nesta sexta, 06, último dia do giro pelo mercado argentino, estive em La Negra, com Dylan Williams, na Leo Burnett, com Seto Olivieri, e na Young & Rubicam, com Martín Mercado.
*-*
Está correndo na Argentina um movimento no mínimo curioso. É uma campanha organizada via internet por ONGs feministas, de defesa da diversidade sexual, além de grupos políticos, entre outros, que convoca a sociedade a pedir seu desligamento da Igreja Católica. Na verdade, o alvo dessa ação são pessoas batizadas. A proposta é que eles enviam uma carta formal ao lugar onde passaram pelo sacramento pedindo que se apaguem seus registros na Igreja. Isso se chama apostasía. Tudo isso para criticar as posições da Igreja, especialmente em relação ao aborto. A campanha ganhou o nome de "No en mi nombre".
No site do movimento também se pede a adesão coletiva. Os interessados preenchem um formulário, com seus dados, e depois será enviada uma carta ao Arcebispado de Buenos Aires. Está na página que a renúncia feita desta forma é mais simbólica. Em todo o caso, deve causar mal estar à Igreja. A idéia do movimento, que se chama Apostasia Colectiva, surgiu na inspiração de ações semelhantes na Espanha e também das campanhas feitas por ateus no Reino Unido, que colocaram em ônibus anúncios com os dizeres "Provavelmente Deus não existe. Deixe de se preocupar com isso e curta a vida".

*-*
Descobri mais sobre a publicidade nas placas de rua. A notícia é do Clarin. Nesta semana, foram confirmadas as três empresas vencedoras do processo de licitação do mobiliário urbano de Buenos Aires. Quer dizer, é possível que uma das candidatas derrotadas entre com mais um recurso contra a decisão. Mas até lá - se isso ocorrer - essas companhias vitoriosas vão ter de cuidar da renovação dos pontos de ônibus e das placas de ruas. O objetivo é criar um sistema que vise aprimorar a informação ao cidadão (planeja-se que o tempo que falta para o ônibus chegar seja anunciado nas paradas, com uso de GPS). O dado mais importante para o mercado: as placas não deverão mais ter publicidade.
Por ano, as três empresas que se encarregarão do mobiliário urbano de Buenos Aires deverão pagar ao governo, em conjunto, dez milhões de pesos ou 15% do faturamento anual. Parece pouco? Antes de 2007, o Estado cobrava 400 mil pesos anuais. A partir daí, esse valor saltou para oito milhões de pesos e ano passado chegou ao número atual. Historicamente, aponta o Clarín, esse setor sempre teve problemas. As empresas que atuavam antes da realização desse processo estavam com contratos vencidos. Vencidos por dez anos. Dá para acreditar?
Está causando barulho a única proposta anunciada por Cristina Kirchner no comentado discurso feito na abertura do ano político argentino. A rigor, no domingo, 1, la presidenta não tinha apresentado nenhum plano em detalhes. O único que fez foi avisar que este ano ela enviará ao Congresso um projeto que pretende mudar a lei de radiodifusão do país.
O jornal La Nación chegou a publicar uma notícia extraída dos bastidores. Na atual lei, a de número 22.285, prevê-se um limite de concessão de licenças: 24 por pessoa (entre licenças de TV, rádio e operações a cabo). De acordo com o diário argentino, a intenção de Cristina é baixar esse limite até 12. Acredita-se que isso só valeria para concessões novas.
Por conta desse anúncio, a oposição já se moveu e fez duras críticas, dizendo que o casal Kirchner (é assim mesmo que eles abordam a questão; não falam só de Cristina) pretende, na verdade, controlar os meios de comunicação a partir dessa proposta.
Hoje, saiu no Clarín a resposta da presidenta. Segundo ela, ainda não se sabe quais serão os termos da reforma. O que ela diz ter certo é que a proposta "responderá aos padrões dos grandes países". Cristina salienta que a atual lei, sancionada durante os últimos anos da ditadura, tem um "componente antidemocrático em sua constituição" e não atende aos saltos tecnológicos vividos nestes tempos.
De todo modo, na quarta-feira, 4, houve um debate no senado sobre a liberdade de expressão. A proposta de reforma da lei foi discutida entre representantes de entidades jornalísticas, políticos e professores. Desconfia-se exatamente de que a nova lei garanta mais controle do Estado sobre os meios de comunicação.
Quando comecei a pensar neste post sobre a Madre Buenos Aires a primeira coisa que me ocorreu foi "não sei como dizer". Traduzir nas palavras... ok, parece clichê, mas não negarei que no primeiro instante fiquei sem encontrar as expressões adequadas. De toda forma, foi impactante.
O primeiro impacto foi chegar até a Madre. Esta agência, inaugurada há três anos como um escritório ligado a Mother de Londres, não está em um bairro descolado. Em geral, as agências estão instaladas em regiões assim, ou mais modernas, ou mais cool. Como queiram. Bem, a Madre está em Chacarita, que tem um cemitério gigante homônimo. Lembra o miolo da Lapa Paulistana: cheia de casas antigas e fábricas.
Esqueça glamour na entrada. Nem dá para desconfiar que ali funciona uma máquina de criatividade. Ali, naquele galpão onde no passado havia uma oficina mecânica (a cozinha da Madre fica onde se consertavam carburadores). Por dentro é outra história. Sem divisórias. Os pensamentos circulando por uma mesma mesa, como prega a Mother de Londres. Está todo mundo junto ali.
Conversei com Carlos Bayala, sócio-fundador, e Sebastián Stagno - ou Seba -, diretor geral de criação. A entrevista foi sobre pufes para que todos "ficassem bem confortáveis". A agência vai bem. Em 2007, tinham entre 15 e 16 funcionários. Hoje estão com 23. Carlos considera 25 o número ideal. Não quer que a Madre cresça mais do que isso porque poderia complicar o processo criativo adotado por eles.

A Madre é diferente. Um projeto leva meses para ser concluído. Algo perto de uma gestação. Não existe briefing. O cliente traz a proposta e todos debatem, discutem idéias, às vezes até caírem na risada. "Queremos três coisas: desenvolver o melhor trabalho criativo, divertir-nos ao fazê-lo e gerar negócios. Se não for assim, não dá". O que eles cobram é exatamente essa dedicação criativa. Existe um fee, estabelecido segundo as horas trabalhadas no projeto e a qualidade criativa. Do fee, os clientes não reclamam. Difícil é fazer os anunciantes compreenderem o valor do fee. "Não cobramos por produção e não por nenhuma outra coisa que existe por aí. Mas isso já nos fez perder clientes", conta Carlos.
Mesmo assim, eles conquistaram alguns anunciantes poderosos. Nextel, por exemplo, está com a Madre desde o final de dezembro. Estão começando a trabalhar com eles agora. A agência tem a conta regional da Nike, para quem desenvolveram o incrível "Suda el jamón" (abaixo). Outro famoso case é a recuperação da imagem do Banco Hipotecário. Com a campanha Dueños (donos), a Madre abriu sua história.
Dueños
Que perfil de clientes eles buscam? "Cinco tipos: globais, regionais, argentinos, hispânicos dos Estados Unidos e Brasil", dispara Carlos. Direto e reto. Para o Brasil, eles fizeram um projeto da Natura, no qual "desfizeram" as fronteiras regionais. Melhor ter clientes globais ou regionais? "Depende do projeto. Nike, que é regional, por exemplo, pode diminuir seus investimentos em publicidade neste ano", diz Seba. Segundo eles, Nike é uma marca global e sente os efeitos da crise. Já a Molinos é uma grande indústria alimentícia e está se reposicionando. Fora isso, eles acreditam que o argentino enfrentará melhor o momento econômico do que se imagina. "Temos esse 'estranho orgulho' de já termos passado por várias crises. Temos background para enfrentar mais uma", completa Seba.
Para falar de Molinos e da marca Lucchetti, conhecida antigamente como "a massa da mamãe", Carlos e Seba mostraram os filmes criados e o resultado de 14 meses de discussões e planos (que foram ao ar em outubro passado). "É praticamente a refundação de Molinos", esclarece Carlos. Lucchetti está se reposicionando como uma linha de alimentos salgados, com produtos como sopas e arroz. Não quer ser só conhecido pela massa. No entanto, do velho slogan foi reaproveitada a idéia da "mamá" (nossa mamãe).
Primeiro comercial da Lucchetti
Liquidificador
Luz da cozinha
A idéia pegou tão bem que surgiram 20 fãs-clubes. "Juro que não criamos nenhum", diz Carlos. No Facebook há uma comunidade com 160 mil pessoas. Melhor ver alguns filmes.
Outro projeto que enche os olhos é o fernet (tipo de bebida muito apreciada pelos argentinos) 1882. Existe uma marca que era daquelas que virou sinônimo do produto. Quando o projeto chegou à Madre, a empresa tinha o desejo de conquistar 9% de share em Córdoba, a região em que o fernet é rei. Hoje está com 17%. Os filmes são ótimos, mas as ações também causam impacto. A Madre, por exemplo, colocou 1.882 balões de golfinhos num rio de Córdoba para chamar atenção para a marca. Os golfinhos foram enumerados e as pessoas podiam recolher os balões. Formaram-se filas para isso e a população bateu fotos, filmou a instalação dos golfinhos. Acompanhou tudo de perto.
Agora, a Madre prepara o lançamento do Fernet em Buenos Aires. Deve ser em maio. É esperar para ver.
Regina Augusto, diretora editorial do Grupo M&M, esteve em Barcelona e acompanhou o GSMA Mobile World Congress 2009, maior evento de mobilidade no mundo.
Raphael Vasconcelos, diretor executivo de criação da AgênciaClick, escreve sobre as novidades do evento, que acontece entre os dias 3 e 7 de fevereiro nos Estados Unidos e discute tecnologia, entretenimento e design
Relato da viagem da diretora editorial do Grupo M&M, Regina Augusto, pelo segundo país mais populoso do mundo, onde contrastam as tradições milenares, a farta oferta de mão-de-obra qualificada e barata para as multinacionais e o mercado publicitário modelado pelo padrão anglo-saxão.
Regina Augusto conta sua viagem à China, um país surpreendente, que se firma como um dos novos eixos do poder econômico mundial e onde o setor de comunicação ganha musculatura e dá passos consistentes rumo ao amadurecimento - impusionados por vitórias como a conquista de seu primeiro Leão de Ouro em Cannes.
Algumas das agências que mais rapidamente estão conseguindo responder às transformações pelas quais passa o mundo da comunicação e, ao mesmo tempo, têm produzido trabalhos realmente inovadores foram visitadas, no início de 2008, por Regina Augusto, que passou, entre outras, por Naked, Droga5, Crispin Porter + Bogusky, Wieden + Kennedy e 180 Amsterdã.
@2009 MEIO & MENSAGEM | PRIVACIDADE