As angústias dos publicitários no divã

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As angústias dos publicitários no divã

Eles estão insatisfeitos e inseguros, diz estudo conduzido por Fabricia Navarro, consultora especializada em coaching

Felipe Turlao
15 de outubro de 2014 - 10h06

Estudo conduzido pela consultora de coaching Fabricia Navarro traz números que indicam publicitários insatisfeitos no Mercado brasileiro. “Trabalhei na área por 16 anos e percebi que o nível de insatisfação na publicidade cresceu muito. Em meus primeiros coachings, notei reclamações muito parecidas e comecei a procurar a entender o que está acontecendo no mercado”, afirma Fabricia, que ouviu um total de 103 pessoas, incluindo alguns que não eram clientes seus.

Um dos dados que mais chamou a atenção de Fabricia foi que 47% dos entrevistados vivenciam dúvidas em relação à carreira na publicidade. “Há uma sensação grande de desvalorização, que não tem a ver só com salário, mas também com desrespeito ao tempo e à liberdade de ideias das pessoas. Muitos se sentem perdidos”, analisa. Segundo ela, uma soma de três situações indica que 71,84% das pessoas “querem se sentir mais seguras e ter mais reconhecimento” (confira o estudo ao final da reportagem).

Essas pessoas em dúvida, afirma Fabricia, buscam realizar novos sonhos, ter mais tempo ou mais autonomia. Cerca de 20% dos entrevistados estão planejando como ganhar mais dinheiro, porque há muita preocupação com a perda de emprego no futuro. “Notei que ter um plano B, fazer uma transição de carreira ou uma troca de emprego, a vontade de largar tudo e passar um tempo no exterior ou vender coco na praia são algumas dúvidas que assombram a mente de alguns publicitários que sonham em ter mais tempo, se divertir e ganhar dinheiro sem ter de pagar um preço muito alto por isso”, analisa.

Publicitário-personagem

Embora as causas de tantas dúvidas em relação à carreira em publicidade sejam conhecidas, elas não são tratadas em aberto. Fabricia aponta um fenômeno em que os profissionais assumem um personagem de “publicitário”, que acha legal, por exemplo, virar noites no trabalho. “O mercado não está preparando as pessoas. Há muita preocupação das agências de se informar sobre o que os clientes querem, ou o que os consumidores desejam da marca, mas elas se esquecem de olhar para dentro e entender os anseios dos seres humanos que trabalham ali”, critica.

Não por acaso, os reflexos na vida pessoal são muito claros: 28% dos entrevistados estão na situação de quem deseja melhorar a vida em casal, alinhando valores, desejos e planos. “Eles buscam resolver conflitos e muitos se queixam, por exemplo, da falta de sexo na relação”, conta. Outros dados também indicam questões não resolvidas, como os 15% que se se culpam por não estarem presentes na vida de seus filhos como queriam, e 15% que querem ter um relacionamento afetivo, mas que têm medo de assumir.
 

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