“Meu plano é não fazer mais planos”, diz Marcello Serpa

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“Meu plano é não fazer mais planos”, diz Marcello Serpa

Criativo faz primeira exposição após deixar AlmapBBDO e diz que não sabe se volta à publicidade

Bárbara Sacchitiello
11 de setembro de 2017 - 8h15

Marcello Serpa vai expor pela primeira vez os quadros pintados em seu tempo livre (Crédito: Arthur Nobre)

Em agosto de 2015, quando deixou o comando da AlmapBBDO junto com seu sócio, José Luiz Madeira, Marcello Serpa tinha certeza dos rumos que queria tomar para os anos seguintes. “Tinha o projeto de morar no Havaí para poder surfar e passar mais tempo junto com a minha família, além de me dedicar às atividades que me davam prazer, como a pintura”, relembra.

Os planos, até o momento, foram 100% cumpridos. Residindo no Havaí desde 2015, Serpa divide sua rotina entre as ondas do mar e as cores e formas das telas nas quais vem expressando sua criatividade. Embora já se dedicasse às artes plásticas há anos, foi apenas quando deixou para trás o cotidiano das agências de publicidade que ele encontrou tempo para se dedicar à arte como lazer. “Meu avô era pintor e cresci cheio de referências artísticas. Quando estava na AlmapBBDO aproveitava os finais de semana para pintar e expressar um pouco do meu inconsciente através dos desenhos”, conta. Os quadros que Serpa pintou quando ainda vivia no Brasil e as novas obras que ele criou depois de mudar para o Havaí compõem “Terenbintina”, a primeira exposição de obras do criativo, que acontece de outubro a dezembro, na apArt Gallery, espaço cultural de Nova York.

Depois de décadas colocando sua inspiração artística a favor de marcas, Serpa decidiu mostrar às pessoas suas criações pessoais. “Tinha receio de exibir meus quadros porque eu sempre pintei como terapia, como se fosse um processo de meditação”, confessa. A exposição só acontece neste momento pela maneira mais relaxada com a qual o profissional encara as opiniões que as demais pessoas terão de seu trabalho. “Por décadas tive de provar que era um bom publicitário. Agora, resolvi dar a cara a tapa sem me preocupar se as pessoas vão ou não gostar. Quem gostar dos quadros, pode comprar. Quem não gostar, não compre. Continuarei pintando da mesma maneira”, revela.

Em entrevista ao Meio & Mensagem, Serpa falou sobre a expectativa de sua primeira exposição e contou sobre o espaço que a arte ocupa no seu cotidiano. Ele também fala sobre a distância que vem mantendo do mercado publicitário e revela se cogita voltar ao universo da comunicação.

Indian Tec Guy, uma das obras de Serpa que fará parte da exposição (Crédito: Divulgação)

História com a pintura
“Minha inspiração foi meu avô, que era pintor em Pernambuco. Desde pequeno acompanhava os quadros e telas e fiquei próximo desse universo da arte. Sempre me interessei por arte, sou rato de museus e procurava pintar no meu tempo livre. Hoje, posso afirmar que nessa exposição há referências de diversas partes da minha vida: as lembranças com meu avô, os trabalhos como publicitário, minhas experiências de vida e muito do meu inconsciente.”

Pintor X diretor de arte
“São processos bem diferentes criar com liberdade artística do que trabalhar no mercado publicitário. Na propaganda a gente cria a partir de um conceito e sempre dentro de determinada forma para buscar uma solução específica para uma marca. Já a pintura pelo prazer é uma expressão completa do nosso inconsciente e não segue regras.”

Receio de expor
“Por muitos anos ouvi de amigos e até de familiares que deveria expor minhas pinturas, mas rejeitei essa ideia. Já passei muitos anos provando que era um bom publicitário e não queria, também, ter de provar que era um bom pintor. Tinha um certo pudor em expor os quadros porque é uma arte muito pessoal, que reflete minhas ideias e meu inconsciente. Esse pensamento só foi mudando quando a publicitária Thaís Marin, fundadora da Art Private Gallery, viu as imagens dos quadros que postei no meu Instagram e me convidou para expor em Nova York. Pensei que seria uma oportunidade legal e que, agora, não preciso mais me preocupar a provar nada para ninguém. Quem gostar dos quadros, pode comprar. Quem não gostar, não precisa comprar. Vou continuar pintando independentemente do que achem e já deixei de me preocupar com a avaliação das pessoas.”

Vida no Havaí
“Quando saí da AlmapBBDO, em 2015, tinha como projeto de vida morar no Havaí para surfar as ondas que sempre quis e passar mais tempo com minha família e meus filhos, algo de que sempre senti muita falta quando morava em São Paulo. Hoje, consigo fazer tudo isso. Depois de acordar, tomar café da manhã, levar os filhos na escolha, consigo passar um bom tempo surfando e também reservo duas horas diárias para a pintura. Resolvi me dedicar a essa atividade de forma disciplinada, a fim de criar uma rotina.”

Contato com o mercado
“Tenho acompanhando bem pouco o mercado não apenas pela distância e pelo fuso horário mas também por estar em outro momento de vida. Tenho contato constante com os meus amigos, como o Luizinho (Luiz Sanches, da AlmapBBDO) e o Madeira (José Luiz Madeira, ex-sócio da AlmapBBDO) e outros amigos da agências. Conversamos sempre, damos risada e comentamos algumas coisas. E sempre que algum amigo ou ex=cliente pede alguma opinião sobre algo, dou meus pitacos. Mas não sei muito dos detalhes do mercado. Estou vivendo uma fase diferente da vida e isso está me fazendo muito bem.”

Gender small, outros dos quadros de Serpa (Crédito: Divulgação)


Novas exposições

“Como o convite e organização dessa exposição aconteceram de forma repentina, vamos ver como será o desempenho para pensar se é válido leva-la a outro lugar. Primeiro, preciso ver como que ficarão todas as peças juntas. Nunca vi todas as minhas obras em um único lugar e vou avaliar, esteticamente, como vai ficar. Acredito que a prática sempre vai aprimorando as habilidades.”

Retorno ao mercado?
“Quando saí da Almap me perguntaram quais eram meus planos. Respondi que meu plano era não fazer mais planos. A única coisa que tinha certeza era de que queria viver fora do País. O Brasil está em uma encruzilhada, em momento muito crítico que só deve ter uma definição a partir das eleições de 2018. Minha família e eu estamos definindo o que faremos da vida no próximo ano. Não posso excluir nenhuma possibilidade, mas realmente não há nenhuma definição a respeito do que farei. Iremos ainda curtir um tempo por aqui, no Havaí, e depois pensarei em um projeto de longo prazo.”

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