Morre Neil Ferreira, aos 74 anos

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Morre Neil Ferreira, aos 74 anos

Publicitário foi um dos mais admirados redatores de sua geração, fez dupla com José Zaragoza na DPZ, onde criou o baixinho da Kaiser e o leão do imposto de renda, e estava fora do mercado de agências desde 2002

Alexandre Zaghi Lemos
7 de novembro de 2017 - 17h20

Morreu na tarde desta terça-feira, 7, em São Paulo o publicitário Neil Ferreira, aos 74 anos. O velório será realizado no Hospital Albert Einstein, a partir das 20hs, até as 11hs de quarta-feira, 8. Depois disso, o corpo será levado para cremação no Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Por cerca de 18 anos, Neil Ferreira formou uma das duplas mais criativas da publicidade brasileira, com José Zaragoza (morto em maio), na DPZ, do fim da década de 1970 até os anos 1990. A dupla Neil e Zaragoza criou filmes memoráveis da publicidade brasileira, como “Morte do orelhão” (em 1980, com Nello Pimentel), para a Telesp; “Menino de olhos vendados”, para Sadia; e o “Leão do imposto de renda” (1978), para a Receita Federal – foi a campanha que transformou a palavra leão em sinônimo de imposto de renda, conforme reconhecem os dicionários. Também é da dupla o filme que lançou o baixinho da Kaiser. Certa vez, numa ocasião em que Neil havia saído da agência, Zaragoza, que era um dos donos da DPZ, publicou no jornal um anúncio assim: “Neil, queridinho, volte pra casa. Tudo está perdoado. Z”.

Em 2002, Neil resolveu deixar definitivamente o mercado de agências, passando a se dedicar a escrever crônicas e a alguns freelancers.

Neil Ferreira e José Zaragoza formara uma das duplas mais importantes da publicidade brasileira

Neil Ferreira nasceu em Cerqueira César, no interior de São Paulo, em 18 de abril de 1943. Depois de ser office-boy nos Diários Associados, começou sua carreira de redator como jornalista na Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Na Publicidade, Neil chegou em 1964 e neste mesmo ano passou a atuar como assistente de Roberto Duailibi, na Standard Propaganda (atual Ogilvy). Na agência, criou a campanha de lançamento da revista Veja, em 1968. Naquele ano, trocou a Standard pela Alcântara Machado Publicidade (atual AlmapBBDO). Depois, passou pela Norton, pela SBG e atuou como freelancer, antes de chegar à DPZ, em 1977. Entre 1990 e 1992, comandou a criação da Sales/Inter-Americana (atual Publicis), mas voltou à DPZ e reatou a dupla com Zaragoza até 1997.

Em 2012, Neil ganhou o Prêmio Jeca Tatu e foi homenageado durante o 7º Encontro de Redação Publicitária, evento promovido pela Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade (Alap), na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. Curioso é que esse troféu é uma homenagem ao clássico personagem de Monteiro Lobato, escritor que marcou tanto a vida de Neil a ponto dele batizar seu filho de José Bento (o nome do ídolo, nascido José Bento Renato Monteiro Lobato).

Além do filho José Bento, Neil deixa a filha Juliana, duas netas e a esposa Eliana.

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