“Tento deixar as pessoas humildes”

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“Tento deixar as pessoas humildes”

Rob Reilly, chairman criativo global do McCann Worldgroup, conta como trabalha a criatividade na rede

Isabella Lessa
27 de novembro de 2017 - 10h45

Muitos anos antes de tornar-se o chairman criativo global do McCann Worldgroup, Rob Reilly foi jovem e ouviu vários nãos. De muitas agências. E a primeira vez que conseguiu emprego em uma não foi registrado como redator ou criativo, e sim como assistente – na prática, um secretário. Além das repetidas negativas, ouviu que não era um redator muito bom. Mas, como qualquer crítica construtiva, houve um estímulo no final: continue trabalhando. E foi assim que durante um ano, em meio a idas e vindas no transporte público de New Jersey (onde foi criado) para Nova York (onde nasceu, trabalhou e trabalha atualmente) e vice-versa, ele passou a dividir dias da semana como se fossem dois para conseguir resolver problemas com ideias.

Uma das primeiras experiências de Rob como redator foi na Coca-Cola. Depois, passou por algumas agências, inclusive pela McCann, tornou-se ECD da Hill Holiday, função que deixou para voltar à estaca de redator da Crispin Porter + Bogusky com um salário bem mais modesto.

Dentre as lições mais valiosas que aprendeu na CP+B, além de ter aprendido “tudo”, segundo ele, com Alex Bogusky e com nomes como Andrew Keller, é a seguinte: “ser sempre legal com as pessoas mais jovens”. Pois foi na agência que acabou contratando um diretor criativo que anos antes havia sido seu superior. Quando aceitou comandar a criação de todos os escritórios da McCann em 2014, disse sim para o desafio de garantir a presença da criatividade não somente nas mesas e mentes dos criativos, mas em todos os ambientes da rede.

Rob Reilly, chairman criativo global do McCann Worldgroup (Crédito: Arthur Nobre)

Mantendo a excelência criativa
As pessoas reportam diretamente a mim, mas eles não têm que me mostrar nada. É preciso ter uma rede com pessoas nas quais você confie. A criatividade é subjetiva, tenho de deixar minhas opiniões não serem ouvidas o tempo todo. Eles têm a opinião e são focados nas contas globais. Funciona bem. Consistência é algo difícil, faço um esforço para não deixar subir nem descer tão bruscamente. Tento deixar as pessoas humildes. Talvez seremos bem-sucedidos com o cliente em um ano, em outro não.

Criatividade é ter perseverança
Muitas pessoas podem discordar comigo, mas o que fazemos não é arte. Requer dotes artísticos, mas é algo que tenta promover um serviço ou um produto. É preciso ouvir o feedback do cliente e estar ciente de que ele pode vir com uma visão melhor do que a ideia original. E também ter a habilidade de ouvir, continuar a trabalhar no problema e não desistir da qualidade. É isso que quero dizer com perseverança. Algumas das grandes ideias que tivemos envolveram muita dor.

Mix de gerações
Os jovens e millennials querem promoções e responsabilidade de maneira instantânea. Não é culpa deles. Eles cresceram em um mundo de gratificação instantânea. Se querem falar com um amigo ou pedir uma pizza basta apertar um botão. Faz sentido que eles se frustrem. Ter paciência é sempre bom. Eles lidam com pessoas que vieram de outra época, nós apenas tínhamos sorte de ter um trabalho. Ter duas culturas é bom, há muito a se aprender com os sêniores e com os jovens. Os sêniores podem ter paciência também e entender como os jovens cresceram.

Conselho a jovens criativos

O trabalho do criativo é ser uma fonte de ideias. É preciso ter centenas de ideias para eleger uma. As primeiras 99 podem não ser as certas. E uma delas pode ser a que vai alavancar sua carreira. De novo: perseverança. Ser positivo. É um negócio difícil. Os sêniores estão sob pressão. Então o jovem tem de ser positivo e tentar resolver problema.

Rob Reilly também falou sobre outros assuntos na entrevista publicada na edição 1788 de Meio & Mensagem, de 27 de novembro, exclusiva para assinantes.

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