Mark Read e Andrew Scott: os novos homens fortes do WPP

Buscar

Comunicação

Publicidade

Mark Read e Andrew Scott: os novos homens fortes do WPP

Após saída de Martin Sorrell, holding busca novo CEO e promove a COO os dois candidatos internos ao posto de número um

Alexandre Zaghi Lemos
16 de abril de 2018 - 7h00

Mais experiente e conhecido – e, por isso mesmo, apontado pelo mercado como principal candidato a CEO –, Mark Read tem 51 anos e é formado em economia

A rápida decisão sobre a saída de Martin Sorrell – foram apenas 11 dias entre a divulgação de que o todo poderoso estava sob investigação e sua queda – não deu tempo suficiente para que o Grupo WPP definisse a sucessão de seu fundador e maior acionista individual. A solução emergencial foi acumular no chairman Roberto Quarta a função interina de CEO.

Entretanto, é pouco provável que Quarta seja efetivado. Aos 68 anos de idade, o empresário norte-americano nascido na Itália é diretor do WPP desde janeiro de 2015, tendo assumido como chairman em junho daquele ano. Além da curta trajetória na holding, Quarta não tem tanta intimidade com o mercado de agências e já ocupa o posto de chairman em outra companhia: a Smith & Nephew, da área de saúde. Sua experiência vem do setor de private equity, inclusive como sócio da Clayton, Dubilier & Rice, e o fez atuar anteriormente como diretor e presidente de várias empresas, como o BBA Group.

Andrew Scott se formou em engenharia, tem 49 anos e está mais concentrado nas estratégias globais de fusões e aquisições do WPP

Na ausência de um sucessor natural para Sorrell, até porque ele próprio não incentivava discussões que definissem um nome para substituí-lo, a saída foi dividir o comando executivo da holding, promovendo a COOs globais os dois principais candidatos internos ao posto de número um: Mark Read, CEO da Wunderman e do WPP Digital, e Andrew Scott, COO na Europa e diretor de desenvolvimento corporativo da holding. “Deixo a companhia em boas mãos, como o Conselho sabe. Mark e Andrew e a equipe de gerenciamento em todos os níveis têm o conhecimento e as habilidades para levar o WPP a patamares ainda mais altos e capitalizar as oportunidades geográficas e funcionais”, elogiou Sorrell no comunicado oficial sobre seu desligamento, no sábado, 14.

Reportagem da Campaign diz que um porta-voz do WPP informou como deve ser a divisão inicial de trabalho entre os dois COOs: Mark Read será responsável por clientes, empresas e pessoas; Andrew Scott se concentrará no desempenho financeiro e operacional e na implementação de uma reorganização no portfólio da holding. Ambos são britânicos, passaram a maior parte de suas carreiras no WPP, fizeram MBA na escola francesa de negócios Insead e atuaram em consultorias em algum momento de suas vidas profissionais.

Mais experiente e conhecido – e, por isso mesmo, apontado pelo mercado como principal candidato a CEO –, Mark Read tem 51 anos e é formado em economia pela Trinity College, da Cambridge University. Em segunda passagem pela companhia, está desde 2002 no Grupo WPP, onde desempenhou as funções de diretor executivo e head de estratégia até ser promovido em 2005 a CEO da WPP Digital. Teve participações destacadas nas aquisições da AKQA e da brasileira Fbiz. Em 2015, assumiu também como CEO da Wunderman, rede de 135 escritórios espalhados pelo mundo. Também é chairman e conselheiro do Museu Digital de História Natural do Reino Unido. Antes de ingressar no WPP, atuou na consultoria Booz-Aleen & Hamilton e criou uma empresa on-line, a WebRewards, durante o primeiro boom das pontocom, na década de 1990.

Aos 68 anos, Roberto Quarta nasceu na Itália, tem cidadania norte-americana, é diretor do WPP desde janeiro de 2015 e chairman desde junho daquele ano

No ano passado, Read esteve no Brasil para anunciar uma nova fase na operação nacional da Wunderman, que passou a ter como CEO Pedro Reiss (ex-Fbiz). Na ocasião, Read concedeu entrevista exclusiva ao Meio & Mensagem e respondeu assim à pergunta sobre se poderia ser escolhido para substituir Martin Sorrell no posto de CEO do WPP: “Meu plano, hoje, é ajudar a Wunderman a ser uma rede bem sucedida. Esse é meu único projeto”. Ele falou também sobre os desafios da agência no Brasil: “Prefiro pensar em oportunidades e não em desafios. A situação econômica é uma oportunidade. Assim que ela melhorar, o mercado também vai melhorar. Temos o desafio de evoluir a tecnologia conforme os consumidores estão mudando – e eles mudam de forma muito mais rápida do que as companhias estão preparadas para acompanhar. Precisamos ser curiosos para entender essas transformações de comportamento e sabe usar as novas plataformas de comunicação a favor disso. Então, se olharmos para trás, há uma grande mudança em relação ao que o Brasil era antes”.

Já Andrew Scott se formou em engenharia, tem 49 anos e é mais conhecido no mundo das finanças corporativas. Seu trabalho está mais concentrado nas estratégias globais de fusões e aquisições do WPP. Ele é diretor global de desenvolvimento corporativo da holding desde 1999. Além disso, acumula o cargo de COO regional do grupo na Europa, desde 2013. Antes de ingressar na companhia, foi consultor de estratégia na LEK Consulting.

Agora, além de dividirem as tarefas operacionais de COO e, paralelamente, mostrarem a acionistas, funcionários e clientes que podem ser escolhidos como CEO, Mark Read e Andrew Scott atrairão para si os holofotes da indústria e a atenção do Conselho do WPP, que terá a missão nada fácil de definir quem será o sucessor de Martin Sorrell. Entretanto, a escolha final poderá apontar para um nome de fora da companhia.

*Crédito da foto superior: Wikipedia Commons

Publicidade

Compartilhe

Comente

“Meio & Mensagem informa que não modera e tampouco apaga comentários, seja no site ou nos perfis de redes sociais. No site, quando o usuário ler a indicação Este comentário foi apagado’ significa que o próprio comentarista deletou o comentário postado. Não faz parte da política de M&M gerenciar comentários, seja para interagir, moderar ou apagar eventuais postagens do leitor. Exceções serão aplicadas a comentários que contenham palavrões e ofensas pessoais. O conteúdo de cada comentário é de única e exclusiva responsabilidade civil e penal do cadastrado.”