Oi é conta de estreia da Naked Brasil

Verba de relacionamento digital é a primeira da agência que pertence à Photon Group, mais uma holding global a entrar no País

Felipe-Turlao| »

26 de Março de 2012 11:52

Steve Gatfield, co-chairman da Naked, Fernanda Romano e Pedro Assumpção
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Steve Gatfield, co-chairman da Naked, Fernanda Romano e Pedro Assumpção Crédito: Divulgação

A operadora de telefonia Oi é o cliente inaugural da Naked Brasil, que chegou oficialmente ao País na semana passada (leia aqui). A agência conquistou a verba de relacionamento da marca na esfera digital, o que não afeta a conta de publicidade atendida pela NBS. A concorrência que terminou com a vitória da Naked envolveu Possible São Paulo (ex-Gringo, que mudou o nome após sua compra pelo grupo WPP), CuboCC (Interpublic), Razorfish (Publicis Groupe) e Garage (a única participante 100% nacional).

A operação brasileira da Naked tem Fernanda Romano (ex-Euro RSCG Londres) e Pedro Assumpção (ex-Geo Eventos) como sócios minoritários da holding australiana Photon Group, a 20ª maior da publicidade mundial, segundo o Advertising Age, que é dona da inglesa Naked e se torna mais uma gigante do setor a entrar no Brasil. Os executivos brasileiros terão autonomia na gestão do negócio.

Para estabelecer o escritório no Brasil, Fernanda, Assumpção e Photon estabeleceram um acordo operacional com a Player Comunicação, em um negócio que não envolve troca de ações. Desta forma, a Player continua existindo e seus sócios seguem sendo Rodrigo Pedreira, Tatiana Shibuya, Dennis Braguin e Leandro Mayer. 

O acordo com a Player traz, na análise de Assumpção, vantagens para os dois lados. “A Naked terá um suporte em seu início. Nós conquistamos a conta de Oi, por exemplo, com auxílio da Player. Já eles ganham com a expertise dos executivos da Naked”, afirma. A ideia é que as duas agências se auxiliem e cresçam juntas, mas o futuro deve ser a fusão das operações. “A relação pode evoluir para uma compra”, confirma Assumpção.

Ainda como parte do acordo operacional, a Naked atenderá alguns clientes em conjunto com a Player. A empresa de Fernanda e Assumpção já estaria conversando com seis clientes da agência paulistana, uma lista que pode incluir nomes como Hering, Dzarm, Natura, calçados Democrata, Kopenhagen, Endeavor, Adidas, Bohemia e a holding de franquias SMZTO, todos atendidas atualmente pela Player. 

A Naked terá um posicionamento no Brasil de agência de comunicação full service, incluindo compra de mídia, mas com foco em estratégia. Na prática, isso significa um misto de agência tradicional – mais próximo do que é o escritório fundador de Londres – e consultoria de estratégia – mais próximo do que faz a estrutura da Naked em Nova York. A agência poderá, por um lado, atender grandes contas publicitárias e, por outro, prestar consultoria de estratégia de comunicação para clientes que tenham suas verbas em outras agências.

Um dos diferenciais da Naked é a gama de ferramentas trazidas ao País, o que inclui a Behaviour Change, que alinha modelos de comunicação visando mudanças de comportamento, a Big Tool, para planejamento de canais e construção de planos de mídia, e Naked Numbers, de analytics, com força em etnografia. 

A Naked anunciou sua chegada ao Brasil pelas redes sociais, no caso, Facebook e Twitter de seus sócios e funcionários. A ferramenta Buzz Metrics indicou que após três horas do anúncio houve 622 menções e um alcance de 44 mil pessoas. 

Mais uma grande holding no Brasil

A holding australiana Photon Group é mais uma gigante da publicidade mundial a entrar no Brasil no espaço de uma semana. Há alguns dias, a MDC Partners anunciou sua chegada por meio de uma joint-venture com a Peralta. A Photon adquiriu a Naked em 2008, e controla outras agências como abtPrecinct, Auspoll, BMF (esta, agência da década na Austrália, segundo publicações locais), Corporate Edge Hotwire, Image Box e Ross Barr & Associates.

O Brasil será o 14º país onde o Photon terá operações. Dentre outros, o grupo tem presença nos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Cingapura, Japão, Itália, Índia, França e Alemanha. No entanto, as receitas seguem concentradas no seu país de origem, já que a Austrália representa 71% dos negócios.
 

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