Como o Festival de Cannes virou uma rádio na internet
Passados agora alguns meses do Festival de Cannes, as mais de 5 horas diárias de seminários e palestras começam a se assentar na minha mente.
E é impressionante perceber como, mesmo não se combinando previamente entre si, a grande maioria dos palestrantes acabou falando sobre as mesmas coisas, e tratando de assuntos muito similares.
Talvez seja esse o grande benefício de um festival como esse: permitir que se perceba o Zeitgeist, o espírito do tempo.
Ficou clara mais uma vez a influência da tecnologia na criatividade. Vieram à tona a maldição e as benesses do excesso de informação disponível – e como agir em cima disso.
E aquele que talvez tenha sido o grande assunto do festival: a propaganda de verdade, sem estereótipos, que traz benefícios reais e agrega valor não às marcas, mas à vida das pessoas.
Compartilhar, mais do que nunca, é lei.
Um tema tão onipresente no festival que acabou influenciando, a meu ver, até mesmo as escolhas dos jurados dos GPs de film para Chipotle e outdoor para Coca Cola – com peças que em outros anos talvez se contentassem com um Short List e olhe lá.
Na minha visão, isso tem tudo a ver com um fenômeno que tem cada vez mais se alastrado e feito parte das nossas vidas: o crescimento brutal das redes sociais. Ou o despertar do "ser social" dentro de todos nós.
Só para se ter uma idéia, durante o Festival este ano, foram gerados mais posts no Twitter por hora do que no evento inteiro em 2011. E isso não é pouca coisa.
Uma das lições mais relevantes que trouxe comigo do festival diz respeito justamente a isso: porque as pessoas postam e participam das redes sociais. São basicamente 3 razões, mas que fazem todo o sentido:
1 – Para construir relações
2 – Para definir sua identidade
3 – Para ajudar os outros.
Achei essa definição brilhante, e realmente entendo que resume exatamente o que está por trás dessa necessidade que eu, você e todo mundo tem de postar o tempo todo.
Não sei bem em que nível isso tudo me influenciou, mas voltei de Cannes com uma urgência de aumentar minha presença no mundo digital/social.
Foi daí que resolvi montar uma webradio.
Sempre gostei de música, sempre gostei de gravar CDs para os amigos e montar trilhas sonoras para diferentes momentos, festas e viagens (quem me conhece sabe disso). Achei que era a hora de compartilhar isso com o mundo.
A emissora se chama THIS IS IT.
E é isso aí: 24 horas de música. 7 dias por semana. Sem locutores. Sem funcionários. Sem fins comerciais. Ou seja, sem propaganda. Só pelo prazer de compartilhar.
Quem quiser ouvir e compartilhar também, segue o endereço:
http://this-is-it.playtheradio.com/
Ouve lá e depois me conta.
Eduardo Axelrud é vice-presidente de criação da Competence