O Futuro da Profissão ou como falar sobre algo que não existe

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O Futuro da Profissão ou como falar sobre algo que não existe


29 de maio de 2012 - 2h58

A comissão que discutiu o futuro da profissão ontem, no V Congresso da Indústria da Comunicação”, abriu seus trabalhos com uma pontuação sensata: “nosso trabalho não é simples, porque estamos aqui para falar sobre o futuro, e todo mundo sabe que o futuro não existe”.

Apesar da frase inicial do Professor Garcia, da ESPM, a comissão fez um esforço enorme na tentativa de imaginar como vai ser o mundo da comunicação, particularmente o das agências, daqui a 10 anos. O resultado? Uma excelente visão sobre o que já devíamos estar sendo.

Vejam as principais conclusões da pesquisa desenvolvida pela Limo Inc e que serviu de base para o trabalho da comissão:

A primeira delas: estamos vivendo uma importante quebra de paradigma no mundo do trabalho. O esforço individual, que já havia se transformado em esforço em time, agora passa a ser visto como colaboração em rede. Quem leu a primeira edição de “O Mundo é Plano”, Thomas Friedman – 2005, pôde conhecer, através do olhar desse competente jornalista do New York Time, experiências que apontavam o início dessa mudança.

A pesquisa realizada pela Limo também chama atenção para onde vai estar o valor em 2022. Um outro jeito de ver? Chama atenção para o que já é valor hoje mas que, se não tomarmos cuidado, só vamos perceber que já tinha acontecido quando olharmos pra trás em uma segunda de manhã qualquer de 2022:

1. O valor do pensamento complexo: o pensamento linear assim como o pensamento reducionista, que comprime o conhecimento para explicar o todo, é substituído pelo pensamento complexo, pelo “reagrupar dos saberes para buscar a compreensão do universo", nas palavras do pensador francês Edgar Morin. Pareceu confuso? Não é. É complexo.

2. Diferentes trajetórias de conhecimento: uma única organização de conhecimento não é mais suficiente. Escolas e seus alunos. Empresas e seus funcionários. Empresas e seus clientes. Times de pessoas trabalhando em rede de forma colaborativa vão produzir diferentes e complementares trajetórias de conhecimento. 

3. O renascimento da postura crítica como valor essencial: posicionar-se em um mundo onde o pensamento complexo substitui a linearidade exige mais repertório.

4. O estímulo ao erro: errar é bom. Ajuda a desenvolver repertório e postura crítica. Mas isso só acontece em ambientes onde a autonomia e o risco são estimulados. Tomar decisões, mesmo que terminem se revelando como erros e ter habilidade para lidar com o erro construindo novos contextos a partir do aprendizado adquirido é valor.

5. O empreendedorismo como componente de personalidade: não importa se você não quer ter uma empresa. No futuro/presente, executivos serão empreendedores. Experimentar, transformar, iniciar projetos que desafiem os modelos estabelecidos serão posturas valorizadas dentro e fora das empresas. 

Eu não sei como o mundo da comunicação vai ser em 2022, ninguém sabe, mas não tenho dúvida nenhuma de que tudo o que vimos ontem já está acontecendo e já está fazendo diferença na hora de contratarmos pessoas, de definirmos times, de escolhermos parceiros, de definirmos modelos ou não-modelos de trabalho, de definirmos onde buscar conhecimento.

Depois de tudo isso, acho que a melhor resposta sobre como as coisas vão ser daqui a 10 anos veio de um jovem estudante de comunicação da ESPM: “nã sei, mas eu me vejo feliz”. Eu também.

Ana Paula Cortat é vice-presidente de planejamento da Africa

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