Showrunner

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Showrunner

Essa nova especialidade pode explicar a superioridade artística e de qualidade das séries de TV sobre o cinema


18 de junho de 2014 - 12h04

A palavra da moda agora é showrunner e, junto dela, “inovação”.

Mas, afinal, qual a inovação que o showrunner trouxe para a TV? A mais antiga de todas as aspirações, pela qual todos os diretores-autores sempre lutaram? Não deixar que produtores e pessoas estranhas ao ofício interferissem em seu trabalho a ponto de distorcê-lo, mutilá-lo.

Em Le Mephris, de Jean-Luc Godard, Jack Palance fazia um produtor típico de Hollywood, que dizia a famosa frase: “Quando ouço a palavra arte, saco meu talão de cheque”.

Showrunner. Essa nova especialidade, não tão nova assim, talvez explique a escandalosa superioridade artística e de qualidade das séries de TV sobre o cinema de Hollywood.

O showrunner é o criador da série. Supervisiona todos os detalhes, desde a equipe de roteiristas até a produção, para não deixar que nada fuja do seu controle, e nem permite que alguém interfira, apoiado pelo elenco que coproduz e que, juntamente com os diretores, tem total poder sobre a obra. Não são mais meros marionetes dos produtores. E estão faturando os tubos, muito mais que o esquema antigo, e com o prazer de ver novas fórmulas e abordagens temáticas, ousadas, postas em prática.

Talvez isso também explique a debandada de criadores das agências de propaganda para dirigir nas produtoras, e diretores de criação para televisão.

Resta saber se não se tornarão novos marionetes também. O tempo dirá.

Como disse Nic Pizzolatto, criador de True Detective: “Jamais deixaria um produtor interferir em meu script”. Nic Pizzolatto escreveu todos os episódios da série, enquanto a primeira temporada era dirigida por Cary Joji Fukunaga. Ambos foram produtores executivos, e Pizzolatto também foi o showrunner.

Beau Willimon de House of Cards, Vince Gilligan de Breaking Bad e Matthew Weiner de Mad Man são outros grandes nomes por trás das séries que alucinam a audiência.

Parece que agora começa a acontecer algo parecido na publicidade.

Existe uma nova geração de criadores que trabalham de forma independente, com humor e criatividade revolucionários, como, por exemplo, em Porta dos Fundos, em que Fabio Porchat é o showrunner. Sua origem é o stand up comedy. E estão transportando esse tipo de humor para a criação publicitária, especificamente dirigida ao consumidor jovem, que vai muito além do viral. E produzidos com coragem e audácia por eles próprios. O que sem dúvida cria uma empatia das novas gerações com a marca. Por exemplo:

Danette:
 

wraps

Spoleto: 

De outros criadores:

Nuttela:

Ativa: 

Inovação? Sim. Mas, obviamente, isso jamais passaria pelo crivo das agências e departamentos de marketing de clientes tradicionais.

Funciona? O tempo e as pesquisas dirão. Incluindo a curva de vendas.

São os novos showrunners da publicidade.

Bem-vindos!

* Julio Xavier é sócio e diretor da BossaNovaFilms.
 

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