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“A arte existe porque a vida não basta”

Além de imagens para campanhas famosas, Rafael Costa fez da fotografia um caminho para chegar à pintura, sua grande paixão
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Crédito: Divulgação

Cidade natal: Ribeirão Preto
Idade: 49 anos
Formação: Arquitetura
Exposições: Bendito Fruto,
Lês Inattendus, Sete Pecados,
Como Eu Vejo, Imaginário
Alguns prêmios: World Wide 2006/2007, O Globo 2005, Cannes Festival 2000
e 2004, Clio Awards 2002,
Pinnacle 2000/2001
 

Depois de anos clicando carros, sanduí­ches e atletas para campanhas publicitárias, o fotógrafo Rafael Costa, de 49 anos, deu vazão a um lado mais artístico com o livro Imaginário, lançado no final do ano passado. Na obra, o “foto-pintor” registrou imagens compostas por reflexos de pessoas ou objetos na água que ganharam um visual impressionista graças ao processo de impressão fotográfica no verso do papel. “A tinta, não absorvida, escorre lentamente oferecendo a possibilidade de ‘pintar’ com o olho”, define Rafael Costa. O trabalho foi selecionado para a 8ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Florença, na Itália, realizada em dezembro.
O apego às formas sempre esteve presente na trajetória do profissional. Graduado em Arquitetura pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, e depois de uma passagem por Barcelona, Costa voltou ao Brasil e ingressou na equipe de cenografia da produtora TVC. “Aos poucos, fui me interessando por fotografia e comecei a produzir locações”, conta.
Virou assistente do fotógrafo Andreas Heiniger e, em 1998, montou o primeiro estúdio para atender as principais agências de publicidade do País, sem nunca perder o espírito e o olhar da formação acadêmica. “A fotografia publicitária lembra meu passado como arquiteto. É preciso fazer o edifício ficar em pé. A função do fotógrafo publicitário é receber uma ideia pronta do diretor de arte e viabilizá-la, torná-la concreta por meio de uma imagem.”
O primeiro grande trabalho — e que garantiu bastante visibilidade dentro e fora do Brasil — foram fotos dos lanches do McDonald’s, para a Taterka. “As imagens foram veiculadas em outros países da América do Sul e Central, Ásia e Europa.” Depois, “pisou no acelerador” e passou a clicar carros e motos como ninguém: New Civic, Corolla e Novo Uno foram alguns dos lançamentos que ele ajudou a divulgar, sem contar campanhas para Nissan, Renault e Chevrolet.
Um job para a DM9DDB, no lançamento da moto Honda VTX, também ganhou destaque no portfólio. “A moto foi clicada em movimento, com o auxílio de um câmera-car, muito usado em cinema. O movimento nas rodas, a distorção do pneu, a postura do piloto deram uma veracidade à imagem que seria impossível de se conseguir digitalmente”. A série de fotos com o craque Neymar para a campanha mundial da Panasonic foi mais uma a se sobressair.
Além de diversos prêmios na publicidade brasileira e mundial, como Leões conquistados no Festival de Cannes em 2000 e 2004, Costa ganhou projeção com a exposição de trabalhos no Brasil e no exterior. A primeira mostra foi Bendito Fruto, em 2003, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Transitando com elegância entre as imagens comerciais e autorais, o fotógrafo se define melhor com as palavras de Ferreira Gullar, que assina o prefácio do livro Imaginário: “A arte existe porque a vida não basta.”
 

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