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16 de Abril de 2012 • 17:55
Paulo Miklos Crédito: Arthur Nobre
Por Raissa Coppola
Paulo Miklos, um dos mais versáteis talentos brasileiros: já trabalhou no cinema, faz TV (o programa Dose Tripla, MixTV), mas nada que se compare ao amor pela música e pelo Titãs, que acaba de completar 30 anos. Nesta entrevista, o artista comenta as mudanças do rock brasileiro, fala sobre a turnê comemorativa da banda pelo País e conta que já assinou sites de compartilhamento de arquivos digitais.
Meio & Mensagem ›› Como você avalia os 30 anos de Titãs?
Paulo Miklos ›› É um número bacana. Já passamos por muitos momentos diferentes e estávamos fazendo um show que consideramos parte das comemorações: o Cabeça Dinossauro, um álbum clássico (1986). De repente, somos uma banda totalmente renovada. Estou tocando guitarra e estou meio moleque. Há um objetivo que está além das particularidades técnicas, que é a canção. O momento que estamos no palco, essa catarse... esse é o nosso objetivo. Perdemos integrantes ao longo do tempo e fomos nos modificando. Hoje, somos um quinteto e estamos arrebentando. Foi um baita show de rock’n’roll (o Cabeça Dinossauro). Vamos incendiar o País com essa turnê.
M&M ›› O que fazem para rejuvenescer o público?
Miklos ›› Não sei explicar. Tem uma coisa de estarmos inteiros no palco e isso não tem idade. É a energia que o palco, o público e o rock têm. Por um momento não tenho mais 53 anos. Estou com 13 anos e com a minha guitarra nova, amando e fazendo um barulho ensurdecedor. Acho que é isso: as canções, o legado, o patrimônio da banda, de todos nós, dos oito que começaram. Quando lançamos o Cabeça Dinossauro, metade da galera que foi ao show não havia nascido. Foi uma chiadeira, o pessoal reclamou porque a censura para entrar no show era de 18 anos. Então, estamos cativando sempre uma nova leva de malucos que acabam indo ao show e a turma se renova.
M&M ›› Cabeça Dinossauro é um disco cheio de críticas. Falta esse comportamento crítico para as bandas de hoje?
Miklos ›› A música tem essa possibilidade, entre tantas outras. Ao longo da carreira fomos tratando de assuntos diversos. Podemos falar de amor, de política. Quando o Cabeça saiu, a imprensa disse que era a metralhadora giratória do Titãs, porque derrubávamos todas as instituições: Igreja, família, Estado. Foi um momento de formação do nosso público. Isso era importante para nós. Talvez hoje isso tenha transitado para o rap e para a própria internet, que é o campo onde está o ativismo, onde as pessoas estão falando e se organizando. A crítica e o ativismo são cíclicos, sempre vão existir.
M&M ›› O que mudou no rock nesses 30 anos?
Miklos ›› Não mudou muito. Conheço, por exemplo, o Garotas Suecas, de São Paulo. É uma turma que se conhece desde a escola. Um irmão que toca com outro; querem compor juntos. Depois, querem ir para o palco, chamam os amigos, os amigos chamam outros. E a coisa vai andando. Você descobre que tem um público e o público descobre que tem você.
M&M ›› Você apresenta o Dose Tripla, com Gustavo Braun e Marina Santa Helena. Que balanço faz dessa fase como apresentador?
Miklos ›› Gosto muito. Primeiro porque o programa é totalmente diferente do que eu já fiz. Ele não é diretamente ligado à música. Desde que tive a proposta, encarei como um desafio de experimentar essa nova situação. A televisão é um meio em que trabalhei desde sempre. Participei de todos os programas da TV, em todos os canais. Assim que recebi essa proposta para ser âncora, para fazer um programa com a adrenalina do “ao vivo”, topei no ato. O programa já tem uma dinâmica de convivência. Estamos melhorando cada vez mais. Temos uma química gostosa e aproveitamos ao máximo as entrevistas e os convidados.
M&M ›› A experiência como apresentador te ajuda no palco de alguma forma?
Miklos ›› Trouxe muito da minha experiência do palco para cá, porque o palco tem a coisa do ao vivo: é estar diante do público. Já passei pelos melhores entrevistadores da televisão com o meu grupo. Conheço o outro lado. Mas tudo me enriquece. Assim como fazer cinema, televisão, ficção, novelas, séries etc. É preciso ter intimidade com as câmeras. As pessoas estão enxergando através de você.
M&M ›› Você já fez teatro, TV e cinema. E publicidade? Do que mais gosta na propaganda brasileira?
Miklos ›› A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, levamos o maior jeito para isso. Temos cor, humor, swing, temos tudo. Adoro fazer publicidade: fiz locução para cerveja, automóvel e banco. Recentemente, fiz a campanha da Brahma, com a música dos mutantes “Balada do Louco” (“Torcer é ser feliz”, da Africa). Gosto de emprestar minha voz. As locuções dos offs no programa são algo que trouxe da minha experiência com a publicidade: a inflexão, a forma de me colocar como personagem, de fazer uma voz bacana.
M&M ›› Algumas pessoas dizem que a presença do artista em campanha de bebida incentiva o consumo de álcool. Concorda?
Miklos ›› Não há uma relação específica. Sou abstêmio há seis anos, mas não posso dizer para as pessoas que elas não podem beber. As pessoas devem se divertir, e se tem uma coisa que brasileiro curte é tomar uma cervejinha. Então acho que faz parte. Eu estou aí para dizer: “Divirtam-se”.
M&M ›› Como vê a pirataria digital na indústria fonográfica?
Miklos ›› Existem estratégias de mercado: você oferece o download, as pessoas baixam gratuitamente. Outra coisa são os sites que hospedam o que o artista faz, mas você tem de pagar para eles para baixar conteúdo. Quem são os piratas? Esses caras estão milionários! Mas tem o outro lado. Outro dia prenderam o cara do Megaupload e eu tinha acabado de assinar um plano de dois anos. Fiquei besta, me perguntando se não poderia mais usar o serviço. Ou seja, sou um pirata, mas não gosto que me pirateiem (risos).
Paulo Miklos Crédito: TV Meio & Mensagem