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25 de Junho de 2012 • 08:43
Serginho Groisman Crédito: Eugenio Goulart
Por Mirella Portiolli
Jornalista por formação, o apresentador Serginho Groisman comanda há quase 12 anos o programa Altas Horas, na Rede Globo, com a proposta de “trazer vida inteligente para as madrugadas”. A interação de longa data com o público jovem permite ao apresentador, famoso pelo bordão “Fala garoto”, compreender as necessidades e os problemas desse nicho com facilidade. Nesta entrevista, Groisman fala sobre o projeto criado em seu programa contra a prática do bullying e opina sobre a fase atual da publicidade brasileira.
Meio & Mensagem ›› Muitas marcas buscam bons relacionamentos com o público jovem porque é uma maneira de fidelizar. Você tem esse bom relacionamento. De onde vem essa afinidade?
Serginho Groisman ›› Eu acho que desde que eu era adolescente. Eu sempre organizava eventos, desde atrações musicais até assembleias de estudantes. Sempre tive essa vocação para falar e ficar conversando. Na televisão acho que o melhor é exercer o jornalismo e não tentar parecer um adolescente. Acho que os jovens que estão na plateia entendem que lá não tem outro jovem, e sim alguém que conhece uma maneira de conduzir o programa. Isso não significa ter de ficar sabendo quais são as gírias ou as baladas.
M&M ›› Qual deve ser o papel do comunicador no século 21?
Groisman ›› Eu sempre achei que não pode haver desinformação em pessoas que trabalham em televisão. De jeito nenhum. Principalmente em programa de auditório. Então, é fundamental ler e manter-se atualizado. E não uma atualização segmentada — é necessário que o apresentador tenha uma formação de informação. Eu sou jornalista, já trabalhei em mídia impressa e em vários veículos. E sem dúvida eu consigo exercer razoavelmente bem esse papel na televisão por tudo o que eu aprendi antes.
M&M ›› Você ficou muito tempo à frente do programa Ação, da Rede Globo. Fale sobre a relevância desse conteúdo social e educativo na televisão.
Groisman ›› Acredito ser importantíssimo mostrar na televisão todas as atividades paralelas ao governo que dão certo no Brasil. Nesses 12 anos em que apresentei o programa, aprendi demais por ver como as pessoas se dispõem a trabalhar voluntariamente em ONGs e entidades do terceiro setor. Graças a estas pessoas é que o Brasil também melhora, pois há um país paralelo ao Estado, que anda por conta própria. São pessoas comuns que se preocupam com saúde, alimentação, qualidade de vida e geração de renda dos outros. É bem bonito, sabe?
M&M ›› Concorda com a teoria de que os jovens estão trocando a televisão pela internet? Você notou essa diferença?
Groisman ›› Não sinto esse afastamento do público de televisão. Acho que hoje as pessoas estão mais conectadas, isso sim. Acho bacana e não vejo um conflito. As pessoas que estão na internet estão vendo televisão também. É um complemento.
M&M ›› Você já foi convidado para fazer muitas campanhas publicitárias? Existe alguma que você não faria?
Groisman ›› Nunca vou fazer sobre produtos que eu não acredito. Não vou fazer comercial de cigarro, por exemplo. No programa, existem ações de merchandising, que faço muito mais por causa do recurso que entra no programa do que em valor próprio.
M&M ›› Você participou do início de um projeto contra o bullying. Acha que rendeu bons resultados?
Groisman ›› Sim, mas acho também que rendeu uma certa confusão porque muita gente começou a achar que a campanha contra o bullying era para acabar com humor, que sempre existiu nas escolas. Não é isso: o humor tem que existir. A campanha não é sobre a pessoa que recebe o apelido e que leva na boa ou que fica chateada, mas que logo não liga mais. Falamos das pessoas que têm marcas que irão levar para o resto da vida. Tem gente que se mata ou que depois irá cometer crimes por causa disso. Fiz várias palestras sobre o assunto, mas neste ano a gente deu uma paradinha. É uma coisa presente.
M&M ›› O que você pensa sobre campanhas publicitárias que utilizam um certo tipo de bullying ou piadas politicamente incorretas?
Groisman ›› Depende. Hoje em dia tudo está muito bem humorado. Também existe uma discussão muito grave e forte sobre o limite do humor. Até que ponto você pode fazer piada com uma pessoa? Penso ser necessário ter liberdade, mas a pessoa que é ofendida também precisa da liberdade de reclamar. Democracia é isso. Humor é diferente de bullying, racismo, preconceito e intolerância. Nós estamos em uma fase um pouco difícil de estabelecer o limite das coisas.
M&M ›› O que você acha da publicidade brasileira?
Groisman ›› Acho que é uma das melhores do mundo, mas acredito que estamos passando por um momento um pouco esquisito - de criação e criatividade. Eu lembro que existiam temas nos comerciais de televisão ou rádio que marcavam a vida inteira, como o comercial do primeiro sutiã, que era incrível (da W/Brasil para Valisère). Se a gente pedir para qualquer plateia, todos falarão de algum comercial que os marcou. Com os atuais é muito difícil acontecer isso. Vejo comerciais muito parecidos, como os de supermercados. Não sei se é por causa do investimento, já que o preço para veicular em televisão é muito caro. Por outro lado, há coisas muito bem feitas. Mas eu gostaria de ver um pouco mais de criação. A gente se comunica bem, mas estamos em uma crise de criação.