patrocínio ››
30 de Julho de 2012 • 11:50
Sommelier Alexandra Corvo Crédito: Divulgação/Patricia de Oliveira e Corvo
Por Raissa Coppola
A paixão por vinhos sempre esteve presente na vida de Alexandra Corvo, de 36 anos. A sommelier foi apresentada à bebida pelo pai e pela avó paterna, dois apaixonados pela arte de consumir boas safras. Em busca de conhecimento mais profundo sobre o tema, Alexandra estudou Hotelaria na Espanha, formou-se sommelier na Suíça e voltou ao Brasil, onde abriu uma escola para formar novos profissionais. Atualmente, divide os ensinamentos com o público, como colunista da BandNewsFM e do jornal Folha de S.Paulo, além de escrever para publicações especializadas. Nesta entrevista, a profissional fala sobre a importância do ensino profissionalizante, a publicidade de bebidas e as medidas de proteção às vinícolas nacionais.
Meio & Mensagem ›› Como você começou na carreira de sommelier?
Alexandra Corvo ›› Meu primeiro trabalho foi em um bar, aos 16 anos. Ainda com esta idade, fui fazer um programa de intercâmbio e morar em New Orleans, nos Estados Unidos. Lá, trabalhei em vários bares como garçonete. Voltei aos 18 anos e fui para o antigo Della Volpe, um hotel tradicional de São Paulo, onde exerci a função de recepcionista e, na sequência, maître do restaurante. Depois fui morar na Espanha, onde estudei Hotelaria e trabalhei na área de restaurantes. Em seguida, fui para a Suíça, estudei viticultura e enologia e comecei a atuar na área de vinhos. Voltei ao Brasil formada sommelier, em 2001, e trabalhei no Figueira Rubaiyat, no DOM e no Le Vin, até que, em 2005, me convidaram para escrever na Veja São Paulo. O foco do meu trabalho saiu um pouco de restaurante e voltou-se para comunicação e ensino.
M&M ›› O que acha da popularização da profissão de sommelier? As pessoas já entendem a importância do profissional?
Alexandra ›› O profissional ainda não tem o reconhecimento que necessita e, tampouco, o Brasil é um país que investe em cultura ou educação. Dessa forma, é um problema em todos os sentidos: o empresário não investe no profissional, pois acha que não terá retorno; e o profissional não investe na própria educação, por não estar habituado a fazê-lo e por considerar que não é um bom investimento.
M&M ›› De onde surgiu a ideia de montar a Escola Ciclo das Vinhas, em São Paulo? O Brasil carece de ensino de qualidade nesta área?
Alexandra ›› O Ciclo das Vinhas surgiu da percepção que tive de que o mercado precisava de mais informação. Como eu tinha muita experiência prática com o público, mas também com profissionais da área, vi que podia atender a todos. Na minha escola tenho cursos de formação profissional de sommeliers de alto nível, bem como para amadores, desde níveis mais básicos até os mais avançados. O mercado paulistano, atualmente o mais volumoso do Brasil em termos de consumo de vinhos, está sedento por conhecimento.
Acho uma pena o vinho ser tratado como “bebida alcoólica”
"M&M ›› O que você acha da publicidade de bebidas? Alguns defendem a proibição, assim como foi feito com o cigarro. Qual é a sua posição?
Alexandra ›› Vinho não é só uma bebida. É um estilo de vida. Está ligado ao bem estar, à convivência, ao compartilhamento de cultura mundial e à troca de experiências destas culturas que se manifestam gustativamente dentro de uma taça. Acho uma pena o vinho ser tratado como “bebida alcoólica”. O vinho é muito mais do que tudo isto. É uma tradição de mais de oito mil anos.
M&M ›› No começo do primeiro semestre, o Brasil ameaçou adotar medidas de salvaguarda para proteger a indústria nacional de vinhos. As marcas estrangeiras reclamaram. O que achou dessa medida? O vinho brasileiro tem condições de se destacar ante os rótulos importados?
Alexandra ›› Este é um processo que está em trâmite no Ministério de Desenvolvimento a pedido das grandes indústrias brasileiras do vinho. A salvaguarda só será adotada caso os analistas concluam que a presença de vinhos importados represente um perigo à indústria nacional, o que é um total disparate, todos sabemos. É só olhar os números de crescimento da indústria nacional. Isto é um grande passo contra o vinho brasileiro por vários motivos: em primeiro lugar, o consumidor se sente traído pelos produtores nacionais que querem impor preços mais altos aos importados. Basicamente, a salvaguarda representa uma ditadura que impõe, com medidas econômicas, que se consuma mais vinho brasileiro. Em segundo lugar, o consumidor tem o direito de escolher a origem de seu vinho segundo seu gosto e vontade.