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Para e-commerce, taxa extra de frete é inversão de valores

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Para e-commerce, taxa extra de frete é inversão de valores

Empresas do setor fazem campanhas para rebater a nova cobrança nas entregas de mercadorias

Roseani Rocha
9 de março de 2018 - 14h33

A campanha iniciada pelo Mercado Livre, em 27 de fevereiro

Além de todo impacto direto e óbvio, a violência no Brasil tem causado situações incômodas até para as pessoas em seu papel de consumidoras. As mais recentes: desde o dia 6 de março os Correios aumentaram o frete para encomendas que tenham como destino o Rio de Janeiro e, em São Paulo, um projeto de lei da vereadora Sandra Tadeu (DEM) tramita na Câmara Municipal com objetivo de proibir a instalação de caixas eletrônicos em pontos de comércio como supermercados, terminais de ônibus, postos de combustível etc., além de restringir horários de saques. Logo, destruindo o conceito fundamental desses equipamentos, que é justamente a conveniência.

Alegando que o aumento nas taxas de frete terá impacto excessivo nos serviços, prejudicando pequenos e médios comerciantes e, em último caso, os consumidores, o Mercado Livre deu início, no final de fevereiro, à campanha #FreteAbusivoNão e entrou na Justiça, conseguindo uma liminar contra os Correios. O Grupo Netshoes, dono da Netshoes, Zattini e Shoestock, aderiu na sequência e também move ação na Justiça contra a medida dos Correios, mas ainda aguarda os próximos passos do processo.

Após o início da campanha do Mercado Livre, os Correios emitiram Nota de Esclarecimento na qual rebatem o argumento de que o reajuste será de até 51% no frete dos produtos a todos que compram e vendem pela internet e afirmou que se trata de uma revisão anual prevista em contrato. “A média será de apenas 8% para os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual, que representam a grande maioria das postagens realizadas nos Correios”, afirma a nota, que lembra também que desde março do ano passado outras transportadoras brasileiras já praticam a cobrança extra para o Rio de Janeiro.

Mercado Livre e Netshoes, entretanto, contestam. “Eles estão dizendo a todos que o aumento médio é de 8%, mas quando fazemos todos os cálculos seremos impactados em quase 30%. Não temos como absorver este aumento todo sem impactar o consumidor. Devem repensar isso num ano em que a inflação foi 3%”, afirma Daniel Aguiar, gerente sênior de marketing do Mercado Livre, que classifica a ação dos Correios como um movimento antidemocrático.

Daniel Aguiar, do Mercado Livre: iniciativa dos Correios é anti-democrática (Crédito: Ramede Felix)

Segundo Daniel, a juíza Rosana Ferri, da 2ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, concedeu esta semana à empresa a liminar contra o aumento do frete dos Correios pautada pelo impacto no pequeno e médio empreendedor, que não está nos grandes centros, uma vez que se algo impacta em até 51% de aumento um serviço pode até inviabilizar o negócio de muitas das 110 mil famílias que vivem com a renda obtida via Mercado Livre.

Graciela Kumruian, COO da Netshoes, explica que a empresa resolveu aderir ao movimento do Mercado Livre ao receber a tabela dos Correios e começar a avaliar seu impacto. “Tinha reajustes que começaram em 8% e iam a até 51%, a média nunca dará 8%. Começamos a aplicar para sentir seu impacto e se confirmou o que imaginávamos: os aumentos médios ficam entre 25% e 30%, o que foi considerado fora de contexto, da realidade e da inflação”, afirma.

Ela conta que a empresa tentou por diversas vezes entender o reajuste com os Correios, mas a empresa foi inflexível, atribuindo os aumentos à cobertura de custos operacionais (em sua nota, os Correios dizem que a violência chegou a níveis extremos no Rio de Janeiro e o custo para entrega na localidade teve impacto altíssimo pelas medidas tomadas para manter a integridade dos empregados e encomendas; acrescenta, ainda, que a cobrança emergencial de R$3 para os envios que têm como destino a cidade pode ser suspensa a qualquer momento, desde que a violência seja controlada). “Se o reajuste é para cobrir custos operacionais, estão repassando para nós clientes e consumidores uma ineficiência deles. Não consigo entender como custos operacionais subiram tanto, se não tivemos reflexo nos serviços. E se a questão é a violência, com essa medida discriminam o consumidor do Rio de Janeiro, que também não tem culpa da violência que ocorre lá, deveriam recorrer ao governo e à segurança pública”, defende Graciela.

Netshoes aderiu à campanha iniciada pelo Mercado Livre e também entrou com ação na Justiça contra os Correios (Crédito: Reprodução)

Mesmo antes deste episódio, a Netshoes já atuava para diminuir sua dependência dos serviços dos Correios, pela falta de flexibilidade nas negociações. Ainda assim, há regiões e CEPs atendidos somente pela empresa controlada pelo Governo e mais de 15% das remessas da Netshoes ainda estão atreladas aos Correios.

“Não vamos tirar o pé da campanha, até que eles voltem atrás. Não queremos correr o risco de a liminar cair e não termos outra saída. Por isso, vamos manter”, diz Daniel Aguiar. No dia do lançamento, semana passada, a campanha, criada pela Ref+ com o Mercado Livre, foi trend tropic no Twitter Brasil e chegou a ficar em 2o lugar no trend topic global. Ao longo da semana, o marketing envolveu, ainda, anúncio no jornal Destak e trabalho com influenciadores. A Netshoes também tem repercutido a campanha em suas redes sociais e até nas embalagens dos produtos enviados aos consumidores.

Procurada pela reportagem, a Câmara e-Net afirma não poder se posicionar ainda sobre o assunto pois está conversando com cada player do e-commerce sobre o tema. Segundo a eBit, no relatório Webshoppers, 60 milhões de consumidores devem comprar no comércio virtual brasileiro este ano, movimentando R$ 53,5 bilhões.

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