Rappi: ser feliz é ser um unicórnio!

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Rappi: ser feliz é ser um unicórnio!

Há um ano no Brasil, app de delivery é a terceira startup a ser valorizada em US$ 1 bilhão e contabiliza dois milhões de quilômetros percorridos pelos seus entregadores de bike, moto e carro

Sergio Damasceno Silva
11 de setembro de 2018 - 7h47

O presidente da Rappi no Brasil, Bruno Nardon, diz que a startup, de origem colombiana e há um ano no Brasil, vive um momento positivo (Crédito: Divulgação)

A Rappi está happy: a empresa se tornou a terceira startup unicórnio no Brasil (a primeira foi a 99, e a segunda, o Nubank). Empresa unicórnio é aquela avaliada, pelo mercado, em, pelo menos, US$ 1 bilhão antes de fazer sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) em bolsa de valores. No Brasil, a empresa não confirma nem desmente que atingiu tal magnitude porque esse tipo de informação está circunscrito à sede da empresa, em Bogotá, na Colômbia. No País, está há um ano em dez cidades, das quais nove são capitais. O plano é expandir para mais duas localidades nas próximas semanas e chegar a 15 até o final deste ano. Acaba de lançar o RappiPay, função que permite ao usuário transferir dinheiro a outro usuário da plataforma e pagar compras em estabelecimentos físicos por meio do app. Para falar sobre a operação, o presidente da Rappi no Brasil, Bruno Nardon, concedeu a entrevista a seguir:

Meio & Mensagem — Vocês acabam de se tornar a terceira startup unicórnio no Brasil. Em termos de operação, o que isso significa para a empresa?
Bruno Nardon — Não posso confirmar nem negar (o fato). Informações que saíram por meio de notícias são as mesmas que temos no Brasil. As relações com investidores são feitas com os fundadores, na Colômbia. Mas, de fato, vivemos um momento positivo na Rappi. Em março, já tivemos um aporte de US$ 185 milhões (do app alemão Delivery Zero e dos fundos Andreessen Horowitz e Sequoia Capital; esse montante foi usado para ampliar a abrangência de cidades e também de parcerias).

Meio & Mensagem — Vocês acabam de lançar o serviço Rappy Pay. Como funciona exatamente?
Nardon — Se você já é usuário, pode solicitar ou enviar dinheiro para alguém. Quando você vai enviar ou solicitar dinheiro para alguém que não é usuário, basta colocar o telefone da pessoa. Se a pessoa não for cadastrada, basta enviar um SMS para o telefone com um link para baixar o app. O serviço permite, por exemplo, rachar uma pizza e evita a maquininha, quando cinco pessoas precisam descer na portaria para colocar a senha. Além de permitir transações P2P (person-to-person), em breve, o RappiPay também poderá ser usado para pagamentos em lojas físicas parceiras. Esses estabelecimentos contarão com um QR code específico e o cliente poderá realizar o pagamento por meio de scanner. Para transferir dinheiro via RappiPay, basta entrar no aplicativo, cadastrar um cartão de crédito e digitar o número do telefone do destinatário e o valor que deseja enviar — entre R$ 1 e R$ 2,5 mil. A transferência é gratuita e em tempo real.

Meio & Mensagem — A Rappi tem se tornado uma alternativa de logística para grandes redes como Pão de Açúcar e Extra, drogarias como Droga Raia e Drogasil, restaurantes e outros serviços. De que forma vocês trabalham com os parceiros?
Nardon — Temos um time comercial que vai batendo de porta em porta para fazer parcerias com os estabelecimentos. Por exemplo, na categoria restaurantes, fomos até o Insalata, fechamos parceria e liberamos o app. A mesma coisa com os supermercados e as demais categorias. Depois de feita a parceria, os produtos são colocados no app, dentro das categorias — restaurante, farmácia, supermercado (para os parceiros) — e na categoria qualquer coisa (para os estabelecimentos que não são parceiros, como a Kalunga ou a Saraiva, por exemplo). Nesse caso, uma conexão com o Google traz a Saraiva mais próxima do seu endereço e você pode indicar o que quer. Quando completar a compra, um dos Rappis (os prestadores) que tiver mais próximo do local vai até a loja, encontra o produto, passa no caixa (com cartão de débito da Rappi), o consumidor autoriza, liberamos o valor e o prestador entrega ao consumidor. Pela categoria qualquer coisa, os clientes podem comprar qualquer tipo de produto de qualquer loja que aceita cartão. É a maleabilidade de ter alguém que pode ir comprar por mim, pagar diretamente pelo app (quando finalizar a compra, o cartão será debitado). Para os parceiros, significa uma interação direta. Para um parceiro restaurante, por exemplo, o pedido cai no sistema do estabelecimento que prepara e entrega ao Rappi, que levará o pedido ao consumidor. Nesse caso, pagaremos depois ao restaurante, ou seja, o entregador Rappi não precisa pagar na hora porque temos acordo (com o parceiro) para pagar depois. Para os não parceiros, o entregador paga o pedido na hora.

Meio & Mensagem — Como se dá o processo de seleção dos entregadores?
Nardon — São dois pontos. Na primeira fase, os prestadores ou entregadores se cadastram no site, nos enviam documentação que requeremos (RG, carteira de motorista, CPF, documento da moto, bike ou carro) e fazemos um check que inclui antecedente criminal. Eles veem para um ponto para ter palestra informativa sobre como funciona o app e depois estão prontos para prestar serviços para a plataforma. No segundo ponto, dependendo de como prestam os serviços, os usuários qualificam os prestadores — se chegou o pedido, se demorou, se chegou remexido. Quando isso ocorre, tentamos entender o que aconteceu. Se o prestador de serviços tiver notas muito baixas, não poderá mais prestar serviços. Tentamos sempre manter a qualidade na base de prestadores.

Os shoppers trabalham nos supermercados e fazem as compras pelos consumidores; se necessário, se comunicam com o cliente em tempo real para alterar pedidos e até cancelar itens (Crédito: Rappi/Lucas Sabino)

Meio & Mensagem — Que tipos de veículos vocês usam?
Nardon – Bicicletas, motos e carros. Para compras do mês de supermercado, é difícil atender na moto. O carro é mais apropriado. Na operação de supermercado, temos um time de shoppers (compradores) dentro do estabelecimento. É um especialista em escolher os produtos. Que escolhe e passa pelo caixa. Só fazem isso. Os shoppers não são os mesmos prestadores que fazem entrega. Os shoppers sabem o que fazer de acordo com o produto. Por exemplo, e isso já aconteceu, o cliente quer requeijão Aviação, mas só tem Danubio. O shopper pergunta para o cliente, em tempo real, e o consumidor decide. O shopper sempre pode entrar em contato com o cliente caso exista alteração no pedido e saber se o cliente quer trocar o produto ou cancelar a compra daquele item. O cliente, cada vez mais, pode ver em real time o que está no catálogo (do app). Para pedidos agendados, pode haver defasagem de produtos.

Meio & Mensagem — Qual é a base tecnológica que a Rappi usa para combinar distância, tempo, cálculo do trânsito e rastreamento para atender o consumidor na hora mostrada pelo app quando é feito pedido?
Nardon — Você coloca o endereço residencial e, atualmente, mostramos os estabelecimentos num raio de até 3 Km de raio de onde você está. Prezamos pela velocidade de entrega, para o produto chegar fresco e para que o prestador faça mais entregas por hora com distância menores. Outros apps de entrega liberam pedidos num raio de até 10 Km. Pode ser bom para outros tipos de restaurante, mas é ruim para quem faz a entrega: percorre por muito tempo e o frete é maior. Como criamos as rotas, o polígono, que é a área de entrega máxima, tem o tempo e todas as rotas. Do ponto A ao B, vemos todas as entrega, os entregadores de moto e de bicicleta naquele trajeto e a distância e tempo que demoram para fazer. Sobre isso conseguimos entender — e sobre vários dados e rotas diferentes — o tempo ideal para fazer aquilo. Entendemos isso com nossos algoritmos e conseguimos limitar qual é o polígono, que é desenhado pelo nosso sistema de inteligência. Numa cidade nova ou bairro novo, como ainda não temos essa inteligência de dados, colocamos o endereço e o raio do polígono com o tempo, criamos mais dados e vamos modificando o círculo que vai se tornando um polígono. A cada semana, rodamos os algoritmos e refazemos o polígono.

Meio & Mensagem — Como a Rappi trabalha o marketing?
Nardon – Temos algumas maneiras de fazer marketing. Usamos muito o marketing online — influenciadores digitais, Facebook, Google, YouTube. Já fizemos off-line, em mídia out-of-home, em relógios, ônibus e outdoor, quando entregamos naquela cidade. Mas não fizemos nada na TV no Brasil. Achamos que ainda não foi necessário. Estamos bem aderentes ao nosso plano de negócios e não foi necessário, ainda, fazer esse tipo de investimento. Por outro lado, as bags (as caixas dos entregadores) são outra maneira de divulgação e os prestadores têm a opção de adquiri-las.

Meio & Mensagem — Quais são as previsões de expansão no Brasil até o final deste ano?
Nardon — Estamos em nove capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília — e na cidade de Campinas (SP). Nas próximas semanas, devemos chegar a mais duas cidades e, até o final do ano, a 15 localidades. Antes de ficarmos operacionais nas novas cidades, fazemos parcerias com estabelecimentos e com os prestadores que farão as entregas. Quando chegamos num ponto mínimo que consideramos o ideal, nós lançamos o serviço na nova localidade.

(Crédito da foto do topo: Rappi/Lucas Sabino)

 

 

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