A reinvenção da Lego em um mundo de propósitos

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A reinvenção da Lego em um mundo de propósitos

Marca dinamarquesa vislumbra a redução da dependência de plástico alterando seu principal produto com o foco em “garantir um futuro sustentável às crianças”

Luiz Gustavo Pacete
12 de setembro de 2018 - 8h11

 

A receita da Lego em 2017 foi de US$ 1,2 bilhão (Crédito: Reprodução)

Canudos, sacolas. O uso do plástico derivado de petróleo sempre rendeu discussões em âmbitos de consumo. De fato, muitas empresas estão buscando maneiras de contarem com alternativas sustentáveis. Mas diferente de marcas como McDonald´s e Starbucks que, aos poucos começam a banir os canudos de plástico, a dinamarquesa Lego tem um desafio mais complexo: alterar a matéria-prima de seu principal produto, as pecinhas montáveis.

A proposta da Lego foi retratada em uma matéria recente do New York Times sobre como a empresa está estudando, em seu centro de pesquisas, na Dinamarca, eliminar a dependência de plástico derivado de petróleo e fabricar suas peças com materiais derivados de recicláveis e plantas. O objetivo da marca é ser sustentável até 2030. A receita não é simples, por que a nova composição precisa garantir a mesma qualidade de aderência das tintas e resistência.

Marcos Bedendo, especialista em branding da consultoria Brandwagon, entende que o movimento da Lego vem em linha com uma tendência de as empresas serem cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade com base em  propósito e não apenas no discurso. “A iniciativa da Lego parece estar ocorrendo porque a sustentabilidade é um tema já tido como urgente. Se há 10 ou 15 anos era uma tendência, hoje é uma realidade que impacta quase todos os segmentos de negócios, com cada um respondendo à sua maneira”, afirma Bedendo.

“Vemos o McDonald´s tentando ser ambientalmente mais responsável com a certificação de fornecedores. A Unilever tenta trabalhar com novos produtos com pegadas sustentáveis menores do que produtos anteriores, em especial com a questão dos “concentrados”. A Coca Cola tem muitos projetos envolvendo redução no uso de água. No entanto, essas ações, ainda que válidas, acabam sendo muito reduzidas perto do impacto que essas empesas tem no meio ambiente e até no meio empresarial. Ou seja, ainda é muito pouco”, afirma Bedendo.

Marcus Nakagawa, coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental – CEDS ESPM, explica que, ainda que a Lego tenha uma forte ligação e empatia com várias gerações lhe faltava algo mais prático em questões ligadas à sustentabilidade. “Além de ensinar as futuras gerações que continuarão brincando com este produto mais sustentável. Inovar e se arriscar requer investimento e ousadia, ainda mais quando pensamos não somente no pilar econômico, mas também no social e ambiental. Estas são as verdadeiras empresas de futuros e para o futuro”, explica Nakagawa.

Para Bedendo, a proposta da Lego é uma promessa que impacta positivamente a imagem da marca, mas que deve ser acompanhada de ações que são de difíceis implementação “Necessitam de recursos e talvez tenha um impacto negativo na rentabilidade da empresa, mas a empresa mesmo assim a toma. E isso é ótimo porque passa a servir de exemplo para outras colocarem de fato empenho e recursos na melhoria do seu impacto ambiental”, reforça.

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