Brasil ganha destaque em evento global do Facebook
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16 de Maio de 2011 • 08:20
A grande história da semana passada, sem dúvida alguma, foi a lambança que teve como personagem principal não uma, mas duas companhias que são ícones nos seus respectivos mercados: Facebook e Burson-Marsteller. É, no mínimo, abominável a atitude da maior rede social do planeta comandada por Mark Zuckerberg. Mas é ainda mais assustadora a postura da Burson nesse episódio.
Em primeiro lugar, por ter aceitado esse tipo de job sujo. Não vamos ser ingênuos de achar que ninguém faz isso. Infelizmente, esse é um tipo de estratégia que muitas companhias se prestam a fazer, mas uma empresa de relações públicas com mais de 50 anos de reputação construída para, justamente, zelar pelas reputações de seus clientes, não tem o direito de cometer a sucessão de erros que incorreu nessa história.
Depois de ter aceitado, o erro que a catapultou definitivamente foi ter abordado jornalistas sem dizer para qual cliente estava trabalhando, mas deixou muito claro o alvo das tais “plantações”: o Google. Qualquer ser humano ficaria curioso com uma abordagem desse tipo, que, por si só, já levanta uma série de suspeitas. Fazer isso com jornalistas tarimbados e ainda especializados em tecnologia é dar corda para se enforcar.
Quando as coisas saíram do controle — se é que houve algum —, e a situação vergonhosa veio à tona, com o cliente assumindo a atitude, a Burson soltou um comunicado patético no qual condena o próprio procedimento e o do cliente. “(...) este não é um procedimento aceito na Burson-Marsteller e contraria nossas políticas. Deveria, por essa razão, ter sido recusado. Nossa relação com os meios de comunicação é pautada por padrões estritos de transparência no que tange aos clientes, e este incidente reforça a inquestionável importância desse princípio.” Ora bolas, cara pálida! Então por que aceitou esse job?
Algumas conclusões podem ser tiradas desse episódio. A primeira é que o maior beneficiado de toda essa história é quem deveria ter sido prejudicado pelas prerrogativas estúpidas que levaram cliente e empresa de relações públicas a adotarem a estratégia que adotaram, o Google.
Segundo, levantar dúvidas sobre o Google em relação à questão da privacidade, exatamente o grande calcanhar de Aquiles do próprio Facebook, é de uma ingenuidade difícil de ser concebida pelas partes envolvidas.
E por último, Facebook, Google e tantas outras empresas desse século que se inicia são símbolos de uma época na qual a transparência não é uma necessidade. É um dado da realidade e eles próprios são agentes dessa transformação que ainda impõe desafios na comunicação, especialmente de marcas com seus públicos.
Outra notícia que também agitou a semana passada foi a revelação feita por Neymar de que ele será pai em breve. A estrela do Santos, de 19 anos, decidiu publicar um comunicado em seu site anunciando o fato, no qual preservou o nome da mãe da criança e se resumiu a dizer que o bebê receberá “toda a assistência necessária e a melhor estrutura possível”. Um golaço de Neymar e de seu agente Ronaldo Fenômeno, que está demonstrando ser um craque também fora dos campos.
Ao se antecipar às especulações da imprensa e chamar para si a responsabilidade pelo fato, esvaziou o assunto em uma atitude digna e, do ponto de vista de uma pessoa pública, extremamente bem gerenciada. Sorte dele que a empresa responsável pelas relações públicas e administração de sua imagem não é a Burson-Marsteller.