Regina  

Blog da Regina »





Decisão emocional e financeira

Proposta de tornar-se sócio e rotina mais focada na criação foram os grandes atrativos da troca da JWT pela Fischer feita por Mario D’Andrea

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

26 de Maio de 2011 19:49

Muita gente deve estar se perguntando neste momento: o que será que levou o presidente da terceira maior agência do País, 100% multinacional, posição essa que ele próprio ajudou a galgar nos últimos anos após uma trajetória muito bem sucedida na área de criação e que ainda estava sendo pavimentada na nova posição para ser Chief Creative Officer e sócio de uma agência que está entre as 15 maiores do País ainda com capital 100% nacional e com um histórico de muitas mudanças no comando da criação?

Essa deve ter sido exatamente a dúvida de Mario D’Andrea nos últimos meses, quando esteve negociando essa troca que foi oficializada hoje pela agora Fischer & Friends. Tenho alguns palpites sobre os reais motivadores dessa troca, que na minha opinião, são basicamente dois. O primeiro é que a oportunidade hoje de um profissional de criação tornar-se sócio de uma grande agência é cada vez mais remota e por menor que seja essa participação ela é sempre tentadora.

D’Andrea faz parte da safra de líderes de criação que ascenderam recentemente a postos de comando de importantes agências exatamente por ter um lado estratégico e uma visão de negócios fortes. É uma geração com menos estrelismo - que caracterizou a geração anterior - e mais focada em resultados. Até por isso, pode não ter tanto brilho assim, mas o perfil mais agregador e seu bom traquejo em lidar com clientes são fundamentais nesses novos tempos pelo qual passa o mercado. Aos 52 anos, a proposta de ser sócio da talvez única grande agência 100% nacional do mercado em breve (caso a negociação entre DPZ e Publicis se concretize) faz muito sentido.

Por mais que Eduardo Fischer negue interesse em vender a Fischer, a indústria brasileira de agências está vivendo um momento extraordinário onde todos os grupos internacionais - das 4 gigantes aos novos conglomerados internacionais - estão agressivos nas suas propostas de aquisição e não é difícil supor que, numa projeção de três ou quatro anos, a Fischer possa vir a ser vendida e D’Andrea poderá se dar muito bem financeiramente com isso.

O outro fator que deve ter pesado na sua decisão é a rotina exaustiva e burocrática de presidir uma grande agência 100% multinacional. O excesso de reports internacionais, viagens e reuniões de boards globais não deve ser o job description dos sonhos de um profissional de criação. Além do mais, a fama do WPP não é das melhores nessa questão de mão pesada na gestão e de dar pouca autonomia aos escritórios regionais. Há perfis que são talhados para isso e que não se importam de passar mais da metade do seu tempo dentro de um avião, mas boa parte dos executivos aceita esse tipo de posição por algum tempo e acaba, num segundo momento, dando um passo para o lado na carreira para ter mais qualidade de vida. Um desafio e tanto para grandes corporações que parece que nem os mais polpudos dos bônus são capazes de segurar.

Não há dúvidas de que para a Fischer, a ida de Mario D’Andrea representa uma ótima aquisição de talento, consistência e boa percepção por parte do mercado. Resta saber quem vai comandar a área de planejamento da agência, já que D’Andrea trabalhou durante anos na JWT com Ken Fujioka e tinha acabado de contratar Fernand Alphen para essa área na sua agora ex-agência. Ou seja, está acostumado a duplar com planejadores de altíssimo nível.

comments powered by Disqus