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Como fazer o jogo crescer

O esporte é responsável pela construção de uma imagem positiva para o Brasil. Mas algo começa a mudar no cenário e o País tem a oportunidade de ser admirado pelo mundo também por realizações em outras áreas

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

04 de Julho de 2011 12:22

Antes do último Festival de Cannes, passei três semanas de férias na Inglaterra, e duas coisas chamaram minha atenção por lá. A primeira foi o destaque grandioso que a estreia do documentário Senna, que conta a história do piloto brasileiro morto em 1994, teve — e ainda continua tendo — naquele país. Dirigido pelo inglês Asif Kapadia e lançado pela Universal, em 3 de junho, o filme bateu recorde de bilheteria para um documentário no primeiro final de semana e foi alvo de resenhas positivas da mídia inglesa em geral.

Tamanho sucesso levou à criação do Senna Day (21 de junho), com a exibição da obra em mais de 200 cidades da Inglaterra em um único dia, a ponto de a imprensa local o classificar como um dos mais bem-sucedidos documentários da história daquele país. O curioso é que esse filme foi lançado no Brasil em novembro passado, uma semana depois do GP Brasil de Fórmula 1, sem muito alarde, ficou em cartaz em seis capitais e faturou em bilheteria 1,3 milhão de libras esterlinas. Nos primeiros quatro finais de semana em cartaz na Inglaterra, o faturamento já batia a casa dos 2,8 milhões de libras esterlinas.

Outro ponto que chama atenção é a preocupação da imprensa inglesa com a realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014. Ao me identificar como brasileira, esse é um dos assuntos mais comuns na conversa com qualquer pessoa por lá. Periodicamente, diversas reportagens mostram dados e levantam questões sobre a capacidade de entrega do País diante da proximidade do maior evento esportivo do planeta. O tom não é de ressentimento (já que a Inglaterra perdeu o Bid da Copa de 2018 para a Rússia), mas sim de levantamento de pontos pertinentes sobre a tendência de o Brasil deixar sempre tudo para o “last minute”.

Nesse aspecto, comparações com a China também são grandes e pendem a favor do país asiático. Citando dados de uma pesquisa da UBS, a editora de economia da BBC, Stephanie Flanders, por exemplo, chama a atenção para a qualidade do investimento que está sendo feito no Brasil hoje. Enquanto na China e na Ásia há um uso maior e mais eficiente do capital humano já existente e não apenas um aumento de investimento, isso não acontece no Brasil nem na América Latina.

A lição para o Brasil, diz a jornalista, é que “não apenas a quantidade do investimento feito aqui deve ser levada em conta para se contabilizar o retorno, mas sim a qualidade dele. Com ou sem a Copa do Mundo há uma gama enorme de áreas para o País fazer seu jogo ‘crescer e aparecer’”.

Há um paralelo nesses dois fatos. O esporte ainda é o maior produto de exportação do Brasil e responsável pela construção de uma imagem positiva que o País tem em todo o mundo, independentemente do atual momento, altamente favorável. Mas algo começa a mudar no cenário. O cidadão comum da Inglaterra e, possivelmente, de outros países, começa a perceber o Brasil como um País que está crescendo e que tem vários desafios pela frente.
Isso significa ficar no radar do mundo, para o bem e para o mal. Seremos mais observados. Seremos mais criticados. E, quem sabe, poderemos usar essa grande oportunidade para sermos também mais admirados por realizações vindas de outras áreas fora o esporte, como desenvolvimento, inclusão social e sustentabilidade. 

Antes do último Festival de Cannes, passei três semanas de férias na Inglaterra, e duas coisas chamaram minha atenção por lá. A primeira foi o destaque grandioso que a estreia do documentário Senna, que conta a história do piloto brasileiro morto em 1994, teve — e ainda continua tendo — naquele país. Dirigido pelo inglês Asif Kapadia e lançado pela Universal, em 3 de junho, o filme bateu recorde de bilheteria para um documentário no primeiro final de semana e foi alvo de resenhas positivas da mídia inglesa em geral.

Tamanho sucesso levou à criação do Senna Day (21 de junho), com a exibição da obra em mais de 200 cidades da Inglaterra em um único dia, a ponto de a imprensa local o classificar como um dos mais bem-sucedidos documentários da história daquele país. O curioso é que esse filme foi lançado no Brasil em novembro passado, uma semana depois do GP Brasil de Fórmula 1, sem muito alarde, ficou em cartaz em seis capitais e faturou em bilheteria 1,3 milhão de libras esterlinas. Nos primeiros quatro finais de semana em cartaz na Inglaterra, o faturamento já batia a casa dos 2,8 milhões de libras esterlinas.

Outro ponto que chama atenção é a preocupação da imprensa inglesa com a realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014. Ao me identificar como brasileira, esse é um dos assuntos mais comuns na conversa com qualquer pessoa por lá. Periodicamente, diversas reportagens mostram dados e levantam questões sobre a capacidade de entrega do País diante da proximidade do maior evento esportivo do planeta. O tom não é de ressentimento (já que a Inglaterra perdeu o Bid da Copa de 2018 para a Rússia), mas sim de levantamento de pontos pertinentes sobre a tendência de o Brasil deixar sempre tudo para o “last minute”.

Nesse aspecto, comparações com a China também são grandes e pendem a favor do país asiático. Citando dados de uma pesquisa da UBS, a editora de economia da BBC, Stephanie Flanders, por exemplo, chama a atenção para a qualidade do investimento que está sendo feito no Brasil hoje. Enquanto na China e na Ásia há um uso maior e mais eficiente do capital humano já existente e não apenas um aumento de investimento, isso não acontece no Brasil nem na América Latina.

A lição para o Brasil, diz a jornalista, é que “não apenas a quantidade do investimento feito aqui deve ser levada em conta para se contabilizar o retorno, mas sim a qualidade dele. Com ou sem a Copa do Mundo há uma gama enorme de áreas para o País fazer seu jogo ‘crescer e aparecer’”.

Há um paralelo nesses dois fatos. O esporte ainda é o maior produto de exportação do Brasil e responsável pela construção de uma imagem positiva que o País tem em todo o mundo, independentemente do atual momento, altamente favorável. Mas algo começa a mudar no cenário. O cidadão comum da Inglaterra e, possivelmente, de outros países, começa a perceber o Brasil como um País que está crescendo e que tem vários desafios pela frente.
Isso significa ficar no radar do mundo, para o bem e para o mal. Seremos mais observados. Seremos mais criticados. E, quem sabe, poderemos usar essa grande oportunidade para sermos também mais admirados por realizações vindas de outras áreas fora o esporte, como desenvolvimento, inclusão social e sustentabilidade. 

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