01 de Agosto de 2011 • 08:00
Algumas notícias divulgadas na última semana referentes ao setor de mídia, do mercado nacional e internacional, demonstram um momento interessante e com muito potencial para o setor. E aí, refiro-me tanto à nova quanto à velha mídia, separação que cada vez mais cairá em desuso, já que os meios ditos tradicionais estão se reinventando para se adaptar e saber tirar proveito do que já representou uma ameaça: o mundo digital. Afinal, se não é possível vencer o que já foi considerado o inimigo, o melhor a fazer é aprender com ele e não vê-lo apenas como um concorrente, mas como um possível aliado.
Dentre as notícias, destacam-se o fechamento do capital do UOL, a busca de parceiros no mercado nacional por parte do Huffington Post e da AOL, a recuperação financeira do New York Times e a inclusão dos buscadores no total do faturamento da internet no Brasil.
A primeira, embora o Grupo Folha não tenha comentado as razões que o levaram à decisão, pode ser uma sinalização de que a companhia está em um momento financeiro interessante, atingindo a sua consolidação. Após quase seis anos de abertura de capital, estratégia importante para a captação de recursos no mercado que levou o UOL a crescer e expandir seus domínios — a ponto de ter feito em 2010 sua maior aquisição: a compra da Diveo por R$ 700 milhões—, a empresa percebeu que vale mais a pena fechar o capital para aproveitar as perspectivas de crescimento do mercado e a lucratividade da companhia.
No caso do Huffington Post, o plano de abrir operação no Brasil por meio de sociedade com alguma empresa local de mídia, é uma demonstração clara de que a empresa — depois de ter sido comprada no início do ano por US$ 315 milhões pela AOL — enxerga o País como uma grande oportunidade de expansão. Para a AOL seria também uma volta em outros patamares, já que saiu do Brasil em 2006, após sete anos atuando sem sucesso.
Por sua vez, o NYT, o jornal mais influente do mundo, revelou bons números no seu último balanço, especialmente o proveniente do sistema de assinaturas online, lançado no fim de abril. A expectativa era a de alcançar 300 mil assinaturas em um ano e, apenas até junho, o jornal já somava 224 mil assinantes digitais. Esse feito ajudará o NYT a pagar em agosto — cinco meses antes do previsto — o empréstimo de US$ 250 milhões feito pelo bilionário mexicano Carlos Slim, há pouco mais de dois anos.
E, por fim, pela primeira vez, os buscadores integram a pesquisa do faturamento publicitário digital do IAB Brasil fazendo com que a participação do meio internet no total dos investimentos em mídia do País simplesmente dobre, atingindo R$ 3 bilhões. Esse patamar deve colocar a web com uma participação entre 8% e 10% do total do bolo publicitário, de acordo com o Projeto Inter-Meios, já que não há ainda os dados consolidados do mercado como um todo. Mas, com certeza, essa participação faz a internet superar o share do meio revista, ficando atrás apenas de jornal e TV. Vale ressaltar que dos 50% do total do faturamento do meio internet sem os buscadores, estima-se que cerca de 30% provêm de receitas online de empresas da “velha mídia”, ou seja, sites e portais pertencentes a revistas, jornais e emissoras de TV.
Há uma mensagem clara em todas essas diferentes informações. Existe um caminho sustentável financeiramente para os veículos de uma maneira geral. Jornais e revistas devem enxergar a força da web e das mídias sociais como parceiras para seus negócios. Essas informações também evidenciam que a segunda década do século 21 começa com um amadurecimento maior do mercado de mídia, depois da euforia seguida de depressão que o setor apresentou no início da década passada. Sinal de amadurecimento e de adaptação a um cenário novo e agora mais amigável.