Brasil ganha destaque em evento global do Facebook
LEIA MAIS »
12 de Junho de 2012 • 08:10
Depois de 13 anos consecutivos cobrindo in loco o Festival de Cannes, na próxima semana, irei acompanhar o maior evento da criatividade mundial daqui de São Paulo. Estou curiosa pela experiência de poder ter um olhar sobre o Festival totalmente diferente e a distância. Olhando a programação dos seminários, a única coisa que lamento é não poder ver o encontro dos meus dois grandes ídolos da publicidade mundial: Dan Wieden e John Hegarty, que subirão ao palco do ¬Teatro Debussy na sexta-feira 22, às 11h30 (horário local), no painel que tem como tema BBH & Wieden+Kennedy: 30 Years of Creative Chaos.
Tenho o privilégio de ter entrevistado ambos. Hegarty, em São Paulo, há dez anos, quando esteve aqui para celebrar a associação com a Neogama, e Wieden, em setembro passado, quando visitei a sede da W+K, em Portland. O que mais me chamou a atenção, em ambas as experiências, foi uma combinação interessante de simplicidade, serenidade e uma capacidade natural de não se levar a sério. Algo até surpreendente para eles que são verdadeiros ícones da criação global e responsáveis por campanhas tão memoráveis e icônicas que entraram para a galeria dos grandes clássicos de todos os tempos como “Keep walking” e “Just do it”, respectivamente, só para ficar nos dois exemplos mais óbvios.
Dan Wieden e John Hegarty têm 68 anos de idade e fundaram suas respectivas agências há 30. Em Cannes, vão compartilhar o palco, suas experiências, lições aprendidas, inspirações e o caos em tudo isto. Sim, o caos é um elemento fundamental do processo criativo que cada vez mais tem sido evitado pelas agências em nome da previsibilidade de resultados, mas que, se bem utilizado, é um elemento instigante e provocador de bons insights.
Ambos têm visões e formações diferentes. Enquanto Wieden localiza-se na Costa Oeste norte-americana e é um exemplar bem acabado de um legítimo representante do movimento da contracultura, Hegart é sir e construiu sua agência sob as importantes bases que alicerçam a publicidade inglesa: criação aliada a um exímio planejamento estratégico. Em comum, o fato de terem contribuído para a consolidação de duas casas de criação que souberam emprestar para as diversas marcas globais, que ajudaram a construir posicionamentos bem-humorados, inteligentes e memoráveis.
Wieden e Hegarty têm princípios firmes que defendem fervorosamente. A W+K não abre mão de sua independência. “Esta sempre foi uma questão muito cara a mim e a David Kennedy quando fundamos a agência. E tem sido assim também com as pessoas que passaram a trabalhar aqui. É quase um princípio ético. É parte importante da nossa cultura”, disse Dan Wieden na entrevista do ano passado.
A BBH, por sua vez, não participa de concorrências. Uma vez, um ex-executivo global de marketing da Coca-Cola me confidenciou que enquanto trabalhava na multinacional tinha um sonho de ter a BBH no rol de suas agências. No entanto, por conta de uma daquelas tolices sem sentido que algumas empresas têm, não poderia simplesmente entregar a conta para a agência sem antes promover um processo formal de disputa. Por conta disso, nunca trabalhou com a BBH enquanto estava na Coca.
Em um mundo onde as referências e os grandes modelos são tão efêmeros, é inspirador poder contar com exemplos como os de Dan Wieden e de John Hegarty. Se for a Cannes semana que vem, não perca o painel que reunirá os dois.