Regina  

Blog da Regina »





Como deseducar a população

Do jeito que foi conduzido o processo da proibição das sacolinhas plásticas, em São Paulo, além da confusão, gerou uma reação negativa junto aos consumidores que passaram a protestar contra a medida

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

02 de Julho de 2012 08:06

A volta das sacolinhas plásticas nos supermercados de São Paulo, a partir de uma decisão judicial, é um ótimo exemplo de como perder uma grande oportunidade para introduzir junto à população mudança de hábitos para atitudes mais sustentáveis e maduras. O processo inteiro começou errado, há mais de um ano. O fim das sacolinhas plásticas se iniciou com um acordo entre o governo do Estado e supermercados em maio de 2011. No entanto, o que se viu depois foi uma sequência desastrosa de polêmica, falta de informação, brigas na Justiça e um vai-­e-vem das sacolinhas que ninguém sabe como vai terminar.

Extintas em janeiro, elas acabaram voltando por decisão do Ministério Público, que pediu um tempo maior para que os consumidores se acostumassem com a ideia de não usá-las mais. Em abril, as sacolinhas foram abolidas e voltaram agora por força de uma decisão judicial. Quem moveu a ação foi o advogado Arthur Rolo, que representa a Associação SOS Consumidor.

Em primeiro lugar, como se trata de uma mudança de hábito, deveria haver um tempo maior, no mínimo de um ano, de transição para que as pessoas começassem a se adaptar à nova realidade. Ao mesmo tempo, uma ampla campanha educativa — envolvendo os supermercados com a anuência dos órgãos de defesa do consumidor — deveria explicar às pessoas os benefícios do uso de embalagens retornáveis e os efeitos negativos das sacolas plásticas ao meio ambiente. Só então, a proibição passaria a valer real­mente com peso judicial e as respectivas multas e estabelecimentos de outras medidas punitivas, em um processo gradual de aprendizado e conscientização.

Foi assim com a introdução de hábitos ligados ao trânsito, como o uso do cinto de segurança e de cadeirinhas para transporte de crianças no banco de trás dos carros, e está acontecendo agora com a questão da travessia de pedestres nas faixas. Embora todas essas sejam questões de segurança, e por isso mais prementes, elas são um bom paralelo, pois também envolvem mudanças de atitude.

Do jeito que foi conduzido o processo da proibição das sacolinhas plásticas, em São Paulo, além da confusão, gerou uma reação negativa junto aos consumidores que passaram a protestar contra a medida. Agora, para reverter todos esses ruídos e falta de clareza nessa medida, é necessário um longo e consistente plano de ação para que a população possa ser novamente conquistada em torno dessa causa. A Associação Paulista de Supermercados (Apas) informou que vai recorrer para que as sacolas sejam novamente banidas. Pelo visto, a questão vai longe e sobrará novamente para a Justiça uma decisão final.

Os supermercados, por sua vez, acataram a decisão judicial e disseram que continuarão fazendo campanhas para reduzir o consumo de sacolinhas. Este é real­mente um bom mote para as redes varejistas se posicionarem sobre o assunto e fazer uso disso na sua comunicação. Afinal, os maiores players do setor como Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart, direta ou indiretamente, atuam em países onde essa prática já existe, há décadas, e têm expertise para compartilhar experiências interessantes com a população brasileira. 

comments powered by Disqus