Há exatos 90 anos, realizava-se em São Paulo a Semana de Arte Moderna de 1922, um evento que foi limitado em termos de proporções, mas que alcançou com o passar do tempo uma amplitude surpreendente, a ponto de se tornar um mito, um marco histórico. Em uma São Paulo de 500 mil habitantes, dependente da produção do café e com forte predomínio da imigração italiana, a Semana foi, em primeiro lugar, um movimento da elite intelectual da época bancado pela elite econômica, no caso, os barões do café. Sua proposta era audaciosa: estabelecer uma relação do País com a tradição nacional e as influências estrangeiras.
Paradoxalmente, o grande mérito daquele grupo de modernistas que bebiam na fonte das influências internacionais, especialmente europeias, foi questionar pela primeira vez qual a identidade do Brasil n...