Rádio:aniversariante de 90 anos

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Rádio:aniversariante de 90 anos

Confira os principais momentos e fatos na evolução do meio eletrônico mais antigo do Brasil

Bárbara Sacchitiello
6 de setembro de 2012 - 12h24

No dia 7 de setembro de 1922, o País celebrava os primeiros cem anos de existência fora das amarras do governo português. A cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, comemorava a data com alguns eventos oficiais – entre eles uma exposição que trazia, pela primeira vez ao território nacional, os principais aparelhos e instrumentos da tecnologia da radiodifusão, que já haviam atingido uma escala considerável em território norte-americano.

Para demonstrar o funcionamento do principal “invento” da época, uma transmissão experimental foi realizada, tendo como palco o tradicional Teatro Municipal. Dali o público ouviu a voz do então presidente, Epitácio Pessoa, declamando as vantagens daquela nova tecnologia, seguida dos arranjos da ópera O Guarani, obra do compositor Carlos Gomes. Esses foram os sons da primeira transmissão radiofônica oficial da História do Brasil.

Se fosse possível transportar essa cena para a atualidade, 90 anos depois, as paredes do Municipal cairiam, deixando a transmissão sem barreiras geográficas. As prováveis caixas retransmissoras do som dariam lugar aos fones de ouvido de celulares ou iPods. E ninguém seria obrigado a ouvir o discurso do presidente ou ópera. As opções de emissoras, sites, canais e arquivos musicais são tantas que, talvez, sejam necessários outros 90 anos para que alguém consiga consumir tudo o que a indústria radiofônica oferece.

O mais maduro dos meios eletrônicos brasileiros completa nove décadas de existência tendo como trunfo os próprios frutos de seus longos anos de experiência. Afinal, o rádio assistiu ao surgimento – e, em alguns casos, até ao declínio de diversos outros meios de comunicação. As várias “vidas” do rádio, no entanto chegam aos 90 anos em busca de um novo propósito. O meio que, historicamente, já provou sua força, entra no momento de provar que tem flexibilidade e capacidade de rever sua função, tecnologia e, até mesmo, a sua concepção.

Confira na linha do tempo abaixo os principais momentos e fatos que marcaram a História do meio rádio em seus 90 anos de existência: 

1883 – Do alto da Avenida Paulista, o padre gaúcho Landell de Moura realiza a primeira experiência radio-telefônica no Brasil, transmitindo um sinal de voz até o Morro de Santana – uma distância de oito quilômetros. Embora difira do modelo de transmissão de rádio, o experimento de Landell é considerado o passo inicial do meio Rádio no País. 

1922 – Em setembro de 1922, quando o Brasil celebrava o centenário de sua independência, uma feira comemorativa, no Rio de Janeiro, trouxe aquilo que era o assunto do momento nos Estados Unidos: a tecnologia da radiodifusão e seus aparelhos. Uma transmissão experimental foi realizada direto do Teatro Municipal. O público ouviu o pronunciamento do presidente Epitácio Pessoa e a ópera o Guarani, de Carlos Gomes. 

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1923 – Empolgado com a inovação mostrada na feira, o médico e professor Roquette Pinto convence a Academia Brasileira de Ciência a adquirir os primeiros equipamentos de rádio, criando, na sequência, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora do Brasil. Sua programação era composta de ópera e recitais de poesia.

1924 – No dia 1º de junho é fundada a Rádio Clube do Brasil, a primeira do País que conseguiria autorização do governo para transmitir anúncios publicitários e contar com a participação de artistas. Nessa época, a exploração publicitária nas transmissões radiofônicas ainda era proibida.
 

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1927 – O advento das mesas de controle de som (que permitiam que um toca-disco fosse executado diretamente, sem a necessidade de captação do áudio via microfone) marca o início da era eletrônica do rádio.

 

 

 

 

                                            

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1930 – O rádio começava, aos poucos, a se tornar um veículo mais popular. Em São Paulo, porém, o prelo de um aparelho ainda correspondia a quase um sexto da renda mensal de uma família de classe média da época.

1931 – Nasce a Rádio Record, em São Paulo.

 

 

 

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1932 – O governo do presidente Getúlio Vargas autoriza as inserções publicitárias, inaugurando assim o atual modelo de mídia comercial. Na época, somente 10% da grade poderia ser ocupada por comerciais (atualmente, esse índice é de 25%). Nesse mesmo ano, o governo também passa a distribuir concessões de canais a empresas privadas e a indivíduos. 

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1934 – Algumas emissoras, como a Philips, começam a explorar os anúncios publicitários de outra maneira. Os apresentadores Adhemar Cassé e Nássara criam os primeiros modelos de jingles publicitários. É inaugurada a Rádio Mayrink Veiga, que seria uma das maiores emissoras do Rio de Janeiro. 

 

 

 

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1936 – Entra no ar a Rádio Nacional, que seria a de maior sucesso na chamada ‘Era de Outo’ do meio no Brasil. Responsável pelo lançamento dos maiores nomes da música nacional, conquistou tanto sucesso que chegou a ser utilizada pelo presidente Vargas como ponto de apoio de sua campanha política.

1937 – Assis Chateaubriand inaugura a rádio Tupi, uma das maiores do Brasil.
 

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1941 – Entra no ar o Repórter Esso, o primeiro programa de jornalismo da História do rádio brasileiro. Patrocinado pela Esso do Brasil, contava com um repórter que informava as principais notícias do dia, com destaque para a participação do País na Segunda Guerra Mundial. Após a exibição de diversos radioteatros, a Rádio Nacional veicula a primeira radionovela do País: Em Busca da Felicidade.

1944 – No Rio de Janeiro é inaugurada a Rádio Globo.
 

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1948 – Inicia-se a fase áurea dos programas de auditório, na qual nomes como Emilinha Borba, Marlene e Dalva de Oliveira cativavam os ouvidos e a imaginação dos ouvintes. 

 

 

 

 

 

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1951 – A radionovela O Direito de Nascer se torna o primeiro fenômeno de audiência do rádio brasileiro. A Rádio Nacional ficou em destaque com a exibição de 314 capítulos, que mantiveram a novela no ar por mais de três anos. 

 

 

 

 

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1962 – É realizada a primeira transmissão de rádio via satélite. Em novembro, é criada a a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

1968 – Chega ao fim a era do Repórter Esso no rádio. Após apresentar o programa por muitos anos, o locutor Gontijo Theodoro despede-se do público.

1970 – Ainda de forma tímida, as emissoras de frequência FM começam a se instalar no País.
 

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1991 – Com o slogan “A Rádio que Toca Notícia”, o Sistema Globo de Rádio inaugura a CBN, com a proposta de veicular jornalismo 24 horas por dia.

1995 – Com a difusão da internet no Brasil, inicia-se a era da transmissão das emissoras para o ambiente online. De início com sites tímidos e de poucas funcionalidades, as rádios foram, aos poucos, fazendo da web uma extensão do dial.

1996 – A CBN é a primeira rádio de notícias a ser transmitida na frequência FM. 

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2004 – A operadora de telefonia Oi dá o passo inicial da nova era das rádios customizadas, com a participação de anunciantes que dão nome e estilo ás emissoras. Na sequência, surgiram outros exemplos, como a Sul-América Trânsito, Sul-América Paradiso, Mitsubishi FM, Fast 89, entre outras. 

 

 

 

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2012 – No momento em que completa 90 anos, o rádio atravessa a fase final da definição de seu modelo digital. Governo promete que, até o fim do ano, as diretrizes para a digitalização estejam definidas. Nesse mesmo ano, também, o País ganha o primeiro Grand Prix de rádio no Festival de Criatividade de Cannes. A peça vencedora foi desenvolvida pela Talent para a revista Go Outside, que usava uma frequência radiofônica imperceptível ao ouvido humano, mas que conseguia ter um efeito repelente aos mosquitos. 

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