El País comemora dois anos no Brasil

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El País comemora dois anos no Brasil

Isabel Amorim, diretora-executiva da versão brasileira do jornal espanhol, fala sobre os desafios comerciais e os projetos para elevar receitas

Luiz Gustavo Pacete
30 de novembro de 2015 - 5h53

Há pouco mais de dois anos, em 26 de novembro de 2013, estreava a versão brasileira do jornal El País.

À época, Juan Luis Cebrián, presidente do jornal espanhol, disse, em entrevista ao Valor, que os grandes jornais internacionais não davam a atenção devida à América Latina e, logo, fazia sentido estar presente aqui, tendo em vista que parte considerável da audiência do El País vinha da região. “Um jornal não pode ser global se não tiver uma operação no mercado brasileiro”, disse.

Dois anos depois, o jornal que nasceu com a pretensão de ser um veículo global e regional, cobrindo temas latino-americanos, está se consolidando no Brasil como um veículo nacional. De acordo com o ComScore, na categoria Newspaper, o jornal já está entre os dez maiores com mais de dois milhões de usuários únicos por mês e mais da metade dos acessos vindos do mobile.

Em entrevista ao Meio & Mensagem,  Isabel Amorim Sicherle, diretora-executiva do El País Brasil, fala sobre a busca pelo equílibrio de contas. Com passagens pelo The New York Times e pelas editoras Abril e Globo, a executiva programa para o médio prazo o “break even”, período em que as empresas encontram o equilíbrio financeiro, sem lucros ou prejuízos. “Ainda estamos em fase de investimentos, tivemos um crescimento considerável de publicidade neste ano”, explica.

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Meio & Mensagem – Qual o balanço dos dois anos de Brasil?

Isabel Amorim – Conseguimos entrar, neste ano, no ranking das dez maiores audiências na categoria Newspaper e isso nos deixa satisfeitos. Com essa posição fica mais fácil negociar mídia, estar nos planos dos grandes anunciantes. O que identificamos de mais importante neste período foi a nossa vocação. Inicialmente, achávamos que seríamos um veículo voltado para os temas latino-americanos. Hoje, nossa cobertura é a de um jornal nacional. Nosso colunista Mário Vargas Llosa é bem menos lido que a Eliane Brum, por exemplo, isso mostra o quanto o veículo se identificou com a demanda por uma cobertura nacional.

M&M – Folha, Estadão e O Globo, mesmo que não declaradamente,tentam ser jornais nacionais. Qual é o diferencial do El País, um veículo estrangeiro, para ter conquistado essa identificação da audiência?

Amorim – Há algumas considerações. Não temos a obrigação pelo furo. Fica díficil competir com os veículos nacionais, até por questão de mão de obra. Logo, isso faz com que tenhamos um outro estilo. Temos a pretensão de ser um jornal global, mas com esse olhar regional, acho que esses elementos nos ajudam bastante. Claro que erramos muito, principalmente quando dávamos focos em matérias latino-americanas no início. Mas se você olhar o ranking de notícias mais lidas da nossa página verá que os temas nacionais predominam. 

M&M – De que maneira a força do El País fora do Brasil ajudou? Qual o percentual de leitores da versão portuguesa que migram para o site em espanhol?

Amorim – É muito pouco, menos de 1% dos leitores vão para a edição espanhola. Por outro lado, nossa presença lá fora nos ajuda com alguns assuntos. Por exemplo, atentados em Paris, tívemos uma vantagem enorme por ter jornalistas do El País na Europa. No caso de esportes também não adianta tentar cobrir Corinthians e Palmeiras porque não tenho gente para isso, mas posso fazer uma bela cobertura do Barcelona. E assim fomos encontrando nossa vocação.

M&M – Quando o El País Brasil vai começar a dar retorno?

Amorim – Ainda estamos em fase de investimento. Uma previsão seria chegar ao break even em 2017, mas se a economia melhorar isso pode acontecer antes. Estamos otimistas, dobramos o faturamento de um ano para o outro e crescemos em publicidade mesmo em um ano ruim. Nosso foco tem sido trabalhar a marca, claro que temos projetos de branded content e eventos, mas ainda podemos crescer muito em publicidade. Buscamos um modelo diverso, com receita vinda de banner, projetos e editorias.

M&M – Como está distribuída a receita do veículo?

Amorim – Cerca de 30% de mídia internacional vem de América Latina, Europa e especiais de viagens sobre o Brasil. Tenho algo em torno de 10% de Google, outros 30% de eventos e mais 30% de publicidade.

M&M – Onde dá para crescer? Há a possibilidade de ampliar as receitas de projetos especiais de branded content?

Amorim – Se olharmos para o El País no mundo, somos pioneiros em projetos de brande content. Temos vários cases, mas tem que fazer sentido e tem que ficar claro o que é. É um recurso importante e deve ser feito com cautela.

M&M – Como está sendo segurar as pontas em ano de crise?

Amorim – Nosso lema é custo, não vou alugar o andar de baixo sem uma grande justificativa. Temos de manter uma estrutura muito enxuta, todos vão neste sentido. Tem que ser custo baixo. Vamos continuar fazendo eventos e ampliando nossa publicidade, que tem espaço para crescer.

M&M – A parceria com marcas espanholas como Santander, Vivo e outras, tem ajudado?

Amorim – No início eu até achei que seria mais fácil. Mas no Brasil há decisões técnicas: uma empresa espanhola não vai anunciar apenas porque somos conterrâneos. É preciso mostrar resultado.

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