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Programática e anúncio pornô funcionam?

Players de conteúdo erótico como Sexy Hot e Sexlog e empresas de e-commerce adulto relatam dificuldades em investir em mídia digital

Luiz Gustavo Pacete
16 de maio de 2017 - 9h17

O mercado adulto, ou de conteúdo erótico e pornográfico, movimenta cerca de US$ 100 bilhões ao ano no mundo, 10% desse total vêm dos Estados Unidos. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), somente o segmento de acessórios eróticos fatura quase R$ 2 bilhões ao ano. Ainda que tal segmento tenha se profissionalizado em vários aspectos, quando o tema é investir em mídia digital empresas ainda relatam desafios.

“Ainda existe grande dificuldade no investimento em mídia digital quando se trata de mercado adulto. Muitas vezes se percebe que o tema ainda é tratado com tabu”, diz Mayumi Sato, diretora de marketing do Sexlog. “Para a maior parte dos profissionais de comunicação é difícil imaginar uma rotina em que quase não há mídia disponível para compra por conta da natureza do seu negócio. Esse é o meu caso e de quem mais trabalha com o que se costuma chamar de conteúdo adulto. Boa parte dos veículos de mídia, plataformas de compra de tráfego e outras estratégias tradicionais não permitem que esse tipo de assunto seja abordado e divulgado”, diz Mayumi.

Maurício Paletta, diretor da Playboy do Brasil, dona do canal Sexy Hot, afirma que vários veículos não vendem mídia para canais com temática pornô. “É um desafio constante para a nossa agência, que precisa ser criativa na hora de montar um plano de mídia. Na nossa última campanha conseguimos comprar mídia programática, porém foi um vídeo extremamente leve, sem nenhuma pornografia”, diz Paletta se referindo ao case “Pode Ser Aqui” que foi veiculado nos sites Terra, Smart Clip, IG, UOL, MSN, Yahoo, AOL, G1, Editora Globo, Abril, Whitelist, Area H, Casal sem Vergonha e Manual do Homem Moderno.

“Eu já fiz pedidos simples para veicular anúncios e recebi como resposta algo como ‘não promovemos conteúdo erótico’. Na verdade, não houve nenhuma pré-aprovação do conteúdo. Não haveria sequer uma imagem que pudesse chocar um leitor abaixo dos 18 anos”, diz Jaqueline Paz, diretora do e-commerce Tulipa Vermelha. “O mercado erótico ainda vive uma situação de marginalização e não é visto como parte legítima de um comércio como qualquer outro que seja restritivo àqueles acima da maioridade legal, como cigarro e bebida alcoólica”, relata. A saída, segundo Jaqueline, é utilizar redes como Facebook, Youtube, Twitter e Instagram, respeitando as diretrizes de cada plataforma.

 

O mercado adulto, ou de conteúdo erótico e pornográfico, movimenta cerca de US$ 100 bilhões ao ano no mundo

Para Mayara Medeiros, sócia da produtora Luz Vermelha TV, o desafio que vive o mercado adulto faz com que seja cada vez mais importante discutir o tema em eventos de tecnologia e de mídia. “Infelizmente temos esse problema, são poucas as mídias brasileiras com espaço para conteúdo +18”, comenta. Muitos dos sites e empresas de mídia programática consultadas por Meio & Mensagem não quiseram comentar o assunto. Um executivo de  uma empresa de mídia programática relata que a discussão sobre a inserção de conteúdo erótico tornou-se ainda mais delicada com discussões recentes sobre a veiculação de anúncios em vídeos inapropriados como de violência, por exemplo, e que as dificuldades de as empresas venderam espaço a esses sites está justamente nessa preocupação.

Vídeo da Sexy Hot com conteúdo “suavizado”:

 

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