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“Netflix” dos esportes gera questionamentos

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“Netflix” dos esportes gera questionamentos

Sportflix, plataforma criada por investidor mexicano, se propõe a retransmitir conteúdo esportivo no ambiente digital

Luiz Gustavo Pacete
16 de agosto de 2017 - 11h59

O próximo dia 30 de agosto foi escolhido pela empresa Sportflix para lançar sua plataforma de streaming esportivo no Brasil, México, Argentina, Estados Unidos, Espanha, Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Criada pelo mexicano Matías Said, a Sportflix vem se vendendo como a “Netflix” dos esportes.

Em seu site, a empresa esclarece que vai oferecer conteúdo de modalidades como basquete, futebol, corridas, hóquei, golfe, tênis, futebol americano e grandes eventos como Copa e Olimpíada a uma taxa mensal que vai de US$ 19,99 a US$ 29,99 por mês. Em entrevista recente ao jornal colombiano El Tiempo, Said afirmou que a Sportflix é uma plataforma de retransmissão no ambiente digital. “Não produzimos nada, pegamos o sinal dos canais de TV que transmitem”, disse Said.

Said também chegou a mencionar parcerias com canais como FOX, ESPN e Televisa. A FOX, em comunicado emitido na semana passada, desmentiu ter mantido contato ou estar atualmente em negociação com a Sportflix. “É importante esclarecer que grande parte das propriedades exibidas pelo FOX Sports, na América Latina, é exclusiva e beneficiam cerca de 61 milhões de assinantes e lares em 19 países que, dia após dia, nos acompanham em nossas múltiplas plataformas de televisão ou no App do FOX Sports”, diz o comunicado. A ESPN, também em comunicado, afirmou que não teve nenhum contato com a Sportflix. “Trabalhamos com os detentores e vendedores de direitos do conteúdo que exibimos e tomaremos todas as ações necessárias para proteger nossos produtos da pirataria e uso ilegal”, diz o comunicado.

O modelo de negócios que a Sportflix se propõe a aplicar ainda gera debates sobre sua forma. Recentemente, no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após não ter fechado um acordo para transmitir dois amistosos da seleção brasileira na Globo, fechou parcerias com a Vivo e com o Facebook para transmissão digital. Plataformas digitais vêm ampliando parcerias com detentores de direitos esportivos. No início de julho, de acordo com a Bloomberg, Facebook, Twitter e Snap iniciaram negociação dos direitos online para uso de imagem e vídeo da Copa da Rússia 2018. De acordo com a Bloomberg, as empresas já enviaram suas propostas à 21st Century Fox, detentora oficial dos direitos de transmissão na TV a cabo. Há, no entanto, um impasse se a Fox estaria disposta a negociar com essas empresas. Todas elas já possuem parcerias e conteúdo esportivo.

“A ideia em si é interessante, mas não consigo ver um nível de detalhamento no modelo. Parece-me uma ideia muito simples em um mercado muito complexo em termos de acordos e players que demandam muito dinheiro para produção de conteúdo”, diz Anderson Gurgel, autor do livro Futebol S/A. Para Mozart Neto, diretor de negócios da CSM Golden Goal, empresa especializada em gestão e marketing esportivo, a Sportflix deve encontrar grandes desafios, sobretudo, no mercado brasileiro. “O principal deles está nos direitos de transmissão. Embora este mercado tenha indícios de mudanças importantes nos próximos anos, a Sportflix irá precisar investir bastante para buscar um posicionamento relevante no Brasil”, diz Neto.

Em análise recente, feita no site Máquina do Esporte, Erich Beting escreve que “é impossível para o Sportflix ser tão revolucionário quanto foi a Netflix há uma década, quando passou a ser ofertado por streaming nos EUA”. “Por alguns anos, a empresa comprou os direitos de exibir vídeos e séries de grandes estúdios, que também tinham canais de TV a cabo. Com o Sportflix, a lógica não serve. Quem detém o conteúdo é o esporte, que revende aos canais de TV os direitos de exibir as imagens. Assim, a Sportflix só poderia ter direito de exibir eventos se comprasse dos organizadores os direitos. Ou das TVs”, escreve.

Procurado por Meio & Mensagem, Matías Said não respondeu às solicitações de entrevista. O Grupo Globo também se posicionou sobre o tema. Em nota, a empresa afirmou que é detentora exclusivo dos direitos de transmissão, incluindo Internet, no território brasileiro, de eventos tais como: Campeonato Brasileiro (direitos exclusivos também para o exterior); Copa do Mundo da FIFA; Campeonato Francês; e Jogos Olímpicos, entre outros eventos.”Tal qual outros grupos de mídia, acompanhamos com apreensão o comunicado do Sportflix divulgando a transmissão dos mesmos eventos no Brasil, mediante cobrança de assinatura em dólar, sem as devidas autorizações legais para tal transmissão. Declaramos que não mantivemos qualquer contato ou negociação com o Sportflix que o capacite a oferecer tais transmissões. O Grupo Globo reafirma seu compromisso com a qualidade de suas transmissões e pela ética nas negociações.”

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