No futuro, VOD poderá precisar de cota nacional

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No futuro, VOD poderá precisar de cota nacional

Krishna Mahon defende que serviços de streaming não tenham mínimo de produções brasileiras, mas após período de estabilização desse mercado, legislação deve seguir caminho da TV paga

Thaís Monteiro
8 de setembro de 2017 - 7h30

Na semana passada, o ministro da cultura, Sérgio Sá Leitão, suspendeu a proposta da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de estender a cota de produção nacional aplicada à TV paga para as plataformas de vídeo sob demanda (VOD). O argumento do Ministério foi de que os players estão no País ao pouco tempo e a exigência impediria a livre concorrência. Tanto o ministro quanto o Conselho Superior de Cinema optaram por voltar seus esforços na criação de uma medida provisória que estende a aplicação da Condecine nos players.

Krishna Mahon, diretora de conteúdo original do grupo A+E no Brasil, concorda com os argumentos dos órgãos. Para ela, que também produz independentemente o canal Imprensa Mahon no YouTube — no qual compartilha informações e dicas sobre TV e cinema –, players que ainda não produzem no Brasil, como Amazon e Hulu, podem se sentir retraídos a investir mais no País. “Também iria restringir o volume do catálogo de players mais maduros, como Netflix e Apple, que dependem do volume de títulos para atrair clientes”, completa. Mas não nega a importância de uma futura aplicação da lei 12.485 nos serviços sob demanda. “A lei da TV Paga foi fundamental para o aquecimento do mercado que criou empregos, gerou renda, mostrou que as produções nacionais podem ser um sucesso e fez a economia girar”. Hoje, o mercado audiovisual brasileiro emprega 98 mil pessoas e gera R$ 25 bilhões ao ano.

Ela também destaca a força do público brasileiro como consumidor e produtor de conteúdo, qualidade que não deve ser descartada quando plataformas ponderam sobre se arriscar na produção brasileira. “A gente cresceu vendo novelas da Globo e sabendo a qualidade da dramaturgia brasileira. Viramos um povo refinado que não aceita dramaturgia mal feita. Temos o SBT com conteúdo factual totalmente fora da caixinha, com as loucuras maravilhosas do Silvio Santos, que colocou diversidade de gênero na TV muito antes dos outros países. As plataformas de VOD vieram provar que não só gostamos de nos ver na TV, mas que produzimos conteúdo para exportação surpreendente: taí o 3%“, argumenta, citando a produção da Netflix no Brasil que foi a série de língua não-inglesa mais assistida nos Estados Unidos. Segundo ela, esse é um exemplo também para as programadoras, que tem no VOD vitrine para levar seu conteúdo a demais audiências.

Krishna acredita que tanto a Ancine quanto o ministro Ministro Sérgio Sá Leitão devam estudar mais propostas de como incentivar a produção nacional em plataformas VOD. Confira algumas dos apontamentos pela diretora:

– Impostos: “Nada mais justo que o VOD pague os mesmos impostos que os players lineares.”

– Incentivos paralelos: “Estudar a criação de incentivos paralelos no VOD, como o artigo 39 (incentivo fiscal das TVs pagas para produção independente brasileira), é fundamental para a produção nacional.”

– FSA: “Parte dos impostos pagos pelo VOD deve ir para o Fundo Setorial (do Audiovisual, o FSA) e para o fomento à produção nacional.”

– Destaque nas galerias: “Estudar a criação de regra para garantir a visibilidade do conteúdo brasileiro qualificado no menu do VOD, o que funcionaria como o horário nobre para as TVs pagas.”

Veja a seguir uma entrevista de Krishna Mahon com Debora Ivanov sobre temas como negócios, desenvolvimento de roteiro, pitching e outros assuntos.  Ex-sócia da Gullane Entretenimento e diretora da Ancine desde 2015, Debora é a atual presidente do Ancine:

 

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