Como combater os bots do mal

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Como combater os bots do mal

Mercado clandestino de seguidores, revelado pelo NYT, envolve a responsabilidade de criadores, plataformas e marcas

Luiz Gustavo Pacete
31 de janeiro de 2018 - 8h03

 

Já existem ferramentas que identificam e capturam robôs com más práticas. (Ryccio – iStock)

A matéria publicada no final de semana pelo New York Times revelando um mercado clandestino de compra de seguidores nas redes sociais colocou os holofotes sobre um problema conhecido da indústria digital. A Devumi, empresa que está sendo investigada pela Procuradoria-Geral de Nova York, não está sozinha e compõe um mercado milionário que causa danos aos anunciantes e às plataformas.

No caso da Devumi e de muitas outras empresas que se transformaram em “fábricas de seguidores”, o uso de bots é comum. São eles responsáveis por criar padrões entre os perfis se alimentando, inclusive, de dados vindos de contas reais. No ano passado, a BBC Brasil publicou uma série de reportagens investigativas mostrando o mercado de compra e venda de contas falsas que teriam sido usadas para favorecer políticos no Twitter e no Facebook.

De acordo com o Twitter, a empresa possui uma equipe dedicada a garantir que a entrega de anúncios seja feita a contas reais. “Temos parcerias globais com empresas independentes como Moat e IAS para verificar que os anúncios no Twitter são visualizados por pessoas. Segundo esta validação externa, 99% dos anúncios no Twitter são vistos por humanos.” O problema também atinge o Facebook, Instagram e YouTube.

 

Um estudo de universidades do Sul da Califórnia já revelou, por exemplo, que existam entre 9% a 15% de bots no Twitter, algo em torna de 30 milhões de robôs (JakeOlimb – iStock)

Carlos Tristan, CMO e cofundador da Squid, reforça que o caso Devumi é apenas um de muitos que poderão vir à tona e precisam ser discutidos. “É uma maneira de educar o mercado e mostrar que, quando se trata de influência, quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade.  A compra de likes ou seguidores não é algo recente. Infelizmente, essa é uma prática comum, e que é vista com maus olhos pelo público – e com razão. Afinal, alguns influenciadores conquistam status muitas vezes por conta do número de likes ou seguidores que seus perfis mostram e, se tudo é uma farsa, qual a relevância dessa pessoa?”

“Uma campanha realizada com influenciadores que possuem seguidores falsos dificilmente sai do jeito esperado, por conta do falso engajamento que seguidores comprados criam. Para creators, entrar para a lista de pessoas que compram likes ou seguidores é ainda pior, porque pode posicioná-los como fraude e, sendo assim, toda a credibilidade que eles construíram para conquistar seu público, que é a principal moeda de troca que eles possuem, vai por água abaixo”, diz Tristan.

Rodrigo Helcer, CEO do Stilingue, afirma que fake followers funcionam como espécies de anabolizantes para muitos influenciadores. ” Os prejuízos dessa prática são muitos e com precedentes no mundo real. Mas já estamos muito mais fortes já em detectar com uma soma de inteligência humana e Aumentada (AI) este tipo de uso malicioso. As marcas já tem tecnologia para avaliar candidatos e diminuírem seus riscos em envolvimento de celebridades artificialmente ‘bombadas’.”

Para Rafael Kiso, fundador da mLabs, o fenômeno de notícias e perfis falsos impacta diretamente a credibilidade das redes sociais. Isso porque elas são, cada vez mais, formadoras de opinião. “A repercussão de uma notícia falsa tem o poder de criar bolhas de informações que não refletem a realidade. E os perfis falsos contribuem diretamente para a propagação desse tipo de notícia. O próprio Facebook, durante as eleições do Presidente Donald Trump, alertou os usuários quanto a isso.”

“Além de influenciar pessoas reais, esse fenômeno reduz a credibilidade das redes sociais frente aos anunciantes. O YouTube experimentou, recentemente, o boicote de anunciantes que tiveram suas campanhas veiculadas junto a conteúdo impróprio e extremista. Apesar do desafio ser grande, é importante que as próprias redes encontrem meios e tecnologias igualmente avançadas para combater isso. E, de alguma forma, elas já têm essa preocupação. A limpeza de perfis falsos feita pelo Twitter e, recentemente, também pelo Facebook, é uma prova disso’, diz Kiso.

Para Fernando Tche, fundador da Outra Coisa, empresa especializada em mobile learning, não é responsabilidade da tecnologia por trás dos “bots”, mas falhas de comportamento humano que podem ser impulsionadas por novas tecnologias. “A diferença é que precisaremos entender mais de chatbots e inteligência artificial para deixar as regras do jogo bem combinadas, pois alguns estragos podem ser exponenciais”

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