Insegurança de mulheres no exercício jornalístico

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Insegurança de mulheres no exercício jornalístico

De olho na desigualdade de gêneros, Abraji, Gênero e Número e Google News Lab divulgam pesquisa para alertar a situação de mulheres nas redações

Victória Navarro
14 de fevereiro de 2018 - 17h09

O estudo “Gênero no jornalismo brasileiro”, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pela organização de mídia Gênero e Número, com apoio do Google News Lab, trouxe uma análise inédita no País: a análise de assédio moral e sexual no ambiente de redações do Brasil. Os dados revelam que, apesar dos avanços dos últimos anos e em muitos veículos as mulheres serem a maioria, ainda há muita insegurança no local de trabalho e desigualdade salarial.

 

(Crédito: ERHUI1979 – iStock)

O levantamento contou com fase qualitativa, que ouviu 42 mulheres responsáveis por trazerem à tona eixos temáticos como satisfação pessoal no trabalho e percepção de atitudes sexistas; e quantitativa, que obteve respostas de 477 jornalistas mulheres de 271 veículos por meio de questionário online. Segundo Marco Túlio Pires, coordenador do Google News Lab do Brasil, ainda não existia dados relevantes no mercado que ajudassem a informar tomadores de decisões nas redações sobre a importância de um jornalismo mais diverso e inclusivo. “Assim como a diversidade é um dos pilares do Google News Lab, a pesquisa chega como uma iniciativa relevante para a manutenção e evolução de um ecossistema saudável de notícias”, diz.

Entre as jornalistas que responderam à pesquisa, 86,4% já passaram por pelo menos uma situação de discriminação de gênero no trabalho. Distribuição de tarefas, pedido de promoção, aumento salarial e escalas de horários mais razoáveis foram alguns dos benefícios, apontados pelas entrevistadas, concedidos mais frequentemente aos homens. Além disso, a maioria das jornalistas afirma ter passado por situações de violência psicológica, como insultos verbais (44,2%), humilhação em público (40,5%), abuso de poder ou autoridade (63,9%), intimidação verbal, escrita ou física (59,7%), tentativa de ferir sua reputação (31%), ameaça de perder o emprego em caso de gravidez (2,3%), ameaças pela internet (13,4%) e insultos pela internet (24,7%).

Das 477 mulheres que responderam ao questionário online, 70,4% receberam cantadas que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão e 10,7% admitiram terem recebido propostas de vantagens profissionais ou outros benefícios em troca de favores sexuais

Para Maia Menezes, diretora da Abraji, o dado mais emblemático do estudo é o alto índice de menção a assédio sexual. Das 477 mulheres que responderam ao questionário online, 70,4% receberam cantadas que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão e 10,7% admitiram terem recebido propostas de vantagens profissionais ou outros benefícios em troca de favores sexuais. A executiva destaca que o assédio impacta diretamente o trabalho, principalmente quando vem de entrevistados com quem a jornalista faz contato. “O assédio de fontes é o principal foco de interesse da associação, cuja preocupação central é a preservação da liberdade de expressão”, fala.

Apesar de indicar uma longa trajetória até que a igualdade de gênero se estabeleça nas redações, a pesquisa recomenda que veículos produzam cartilhas aos funcionários e colaboradores indicando procedimentos a serem adotados por repórteres em situações de assédio. Marco Túlio Pires e Maia Menezes ainda apontam a importância de capacitar todos os jornalistas de uma redação — homens, mulheres e LGBTQ+ — sobre os temas de diversidade.

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