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Como é possível minerar criptomoedas em anúncios

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Como é possível minerar criptomoedas em anúncios

Anúncios têm sido fonte para que mineradores utilizem o PCs de terceiros para buscar criptomoedas; prática ainda carece de regras

Luiz Gustavo Pacete
26 de fevereiro de 2018 - 8h01

Há alguns dias, o site Salon começou a utilizar uma estratégia inusitada para compensar a perda de receita com os bloqueadores de anúncios. Quando algum usuário com bloqueador acessa o site, um pop-up aparece e pede para minerar criptomoedas com a seguinte mensagem: “bloquear a publicidade permitindo que o Salon utilize o poder de processamento ocioso do seu computador”.

Na prática, o Salon quer compensar o fato de não poder faturar com publicidade, já que o usuário está bloqueando o anúncio, e utilizar o PC do usuários para minerar criptomoedas. O que significa que um computador pode vasculhar a web em busca desses valores o que exige processamento e energia. Não há nenhuma vantagem para o dono do PC, pelo contrário, ocorre gasto de energia e capacidade de processamento.

A forma que o site encontrou para compensar o bloqueio de publicidade e “minerar criptomoedas”, avisando os usuários, não é regra. Recentemente, no final do mês de janeiro, YouTube e Facebook anunciaram que estavam bloqueando anúncios de criptomoedas que, de forma ilegal, utilizavam mecanismos de mineração por meio de terceiros. Diferentemente do Salon, os anúncios não avisavam que estavam hospedando programas no computador dos usuários para buscar criptomoedas.

Felipe Matos, empreendedor em série e autor do livro 10 mil Startups, explica que o problema desse tipo de prática tem sido, justamente, a falta de transparência. “O que esses sistemas fazem é inserir códigos ocultos nas páginas visitadas pelos usuários, que utilizam os processos dos visitantes para realizar esses cálculos. Dividindo parte dos cálculos entre os computadores e dispositivos de milhares de visitantes é possível minerar rapidamente criptomoedas, sem gastar com servidores nem energia, que é um dos maiores custos da atividade”, explica.

Especialistas consultados por Meio & Mensagem explicam como agem os mineradores legais. “A mineração consiste de encontrar uma brecha para encontrar criptomoedas.  O responsável pela moeda remunera os mineradores com um percentual sobre o que foi minerado”, explica Alexandre Moraes, gerente de pré-vendas Latam da empresa de segurança Cylance.

Alexandre reforça que é um processo que tende a crescer com a popularização das criptomoedas. “É comum que alguns datacenters ofereçam o aluguel  máquinas para mineração. É bom verificar que nem sempre a mineração é rentável, porque quanto mais se usa uma moeda, mais difícil fica encontrar novos blocos. Com isso, o custo do investimento com hardware e energia pode não valer a pena”

“Quando seu computador ou smartphone está rodando um código destes, consome mais energia e processamento, pode se tornar mais lento ou quente. Usuários tem reclamado, pois muitos sites e apps não avisam sobre a inserção de tais códigos e estariam utilizando processamento de outros computadores sem autorização”, afirma Matos.

Para Edwin Rager, Creative Strategist da MediaMonks Buenos Aires, este tipo de cryptojacking, na expressão em inglês, é visto com frequência nos anúncios de DoubleClick, como os de YouTube, mas também já foi encontrado em redes de wifi da Starbucks na Argentina, por exemplo.

“Eles fazem isso usando uma função javascript do CoinHive, um cryptominer originalmente proposto para dar aos editores outro fluxo de receita fora dos anúncios, transformando o tráfego em resultados. A maneira como ele funciona é aproveitando o poder da CPU não utilizado. Este fluxo de receita está sendo usado atualmente pelo Salon, por exemplo, que apresenta a opção de ver seu conteúdo com anúncios ou minerando para eles”, afirma Edwin.

“Embora você possa se proteger agora da mineração invasiva de criptografia, é provável que esta técnica possa encontrar suporte a grande escala, enquanto os operadores do site buscam formas de reduzir a publicidade e aumentar a receita. Então, sim, 2018 será o ano do cryptojacking”, alerta Edwin.

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