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“Vejo o Twitter como um antídoto para as fake news”

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“Vejo o Twitter como um antídoto para as fake news”

Peter Greenberger, diretor global de parcerias de notícias, detalha como a empresa combate informações erradas e os planos para formar parcerias no País

Thaís Monteiro
8 de março de 2018 - 7h45

Eleita “palavra do ano” de 2017 – e repetida em exaustão pelo presidente Donald Trump – a expressão fake news (notícias falsas) saiu do âmbito dos veículos tradicionais e invadiu as redes sociais. Como plataforma de pronunciamentos e discussões atuais, o Twitter não ficou fora desse movimento. A empresa enfrentou problemas em relação à eleição estadunidense em decorrência do uso de bots falsos  e teve que aumentar suas medidas de segurança e retomar sua credibilidade.

Mais recentemente, os movimentos da plataforma apontam para um maior investimento no combate à disseminação de informações errôneas e maior pluralidade nos debates, sejam eles políticos ou comportamentais. Investimento esse que, segundo a empresa, influenciou nos resultados do último trimestre de 2017, quando a companhia registrou lucro pela primeira vez após a abertura de capital, em 2013. No último trimestre de 2017, o Twitter formou 22 parcerias novas para transmissões ao vivo, highlights e VOD. Nove dessas 12 parcerias são com publishers internacionais. 

No Brasil, o horizonte também parece favorável. No dia seguinte ao anúncio dos resultados do último trimestre de 2017, o Twitter comunicou a contratação de Gustavo Poloni, jornalista com passagens nas revistas Veja, Info e Galileu, para o cargo de diretor de parcerias de notícias para a América Latina, posto acumulado anteriormente por Leonardo Stamillo, diretor editorial do Twitter para a América Latina (Stamillo continua na empresa, focado na ferramenta Moments).

Poloni será responsável pela conversa com produtores de notícias na América Latina como um todo, mas sua experiência com o mercado brasileiro permitirá um diálogo mais compreensivo sobre os dois lados da negociação. “Eu conheço muitos jornalistas de todos os lugares e sei como a maioria das redações trabalha, então é sempre bom entender o que eles precisam, quais são suas dificuldades para produzir conteúdo, em quais plataformas eles buscam colocar seu conteúdo”, conta. Segundo o executivo, o Twitter mantém boas parcerias de conteúdo com os portais Omelete e Tectudo e jornais como o Estadão desde o final do ano passado.

De acordo com Peter Greenberg, diretor global de parcerias de notícias, este é um ano oportuno para maiores investimentos nas redes sociais como disseminador das notícias em decorrência dos eventos que vão nortear o debate social no mundo e, em especial, na América Latina. “Nós estamos felizes de ter o Gustavo conosco e, em ano de eleições no México e a Copa do Mundo, achamos que é uma ótima oportunidade para parceiros que trabalham no Twitter para que os usuários encontrem seu conteúdo”, diz.

Nesse contexto, o Meio & Mensagem conversou com Greenberg para compreender quais são as intenções da plataforma na comunicação com publishers neste ano, como a empresa encara às notícias falsas e o que observa do posicionamento das demais redes sociais em relação à elas. Confira:

 

(Crédito: Gene Wang/Reprodução)

Meio & Mensagem – Que tipos de parceiros o Twitter busca?

Peter Greenberger: O Twitter é 100% sobre o que está acontecendo. É a rede social onde as pessoas vêm para descobrir o que está acontecendo no mundo e, muitas vezes, isso significa que eles estão buscando pelas últimas notícias. Então, procuramos as organizações de notícias maiores empresas de notícias, mais críveis e as mais premiuns em qualquer mercado. Isso inclui TV, mídia impressa tradicional, digital, rádios, entre outros.

M&M – Na descrição da função do Gustavo Poloni diz que vocês também procuram parcerias com publishers não-tradicionais. Que tipo de publishers?

Greenberger: Eu posso te dar um exemplo dos Estados Unidos, que é uma grande parceria que temos com o Cheddar. O Cheddar é um show sobre finanças ao vivo para milennials. É OTT e é transmitido somente em apps. Eles ficam ao vivo duas horas por dia no Twitter: quando o mercado financeiro abre e quando ele fecha. Então isso nos provê conteúdo de finanças, normalmente as últimas notícias, falando sobre o que está acontecendo no mercado financeiro e é uma ótima representação dos novos publishers com quem queremos parcerias. Eles não são um publisher tradicional, mas conseguem alcançar uma audiência muito grande usando Twitter.

M&M – Quais são os maiores desafios do Twitter para firmar parcerias hoje em dia?

Greenberger: Nós sabemos que a maioria dos jornalistas no mundo são ativos no Twitter e a maioria dos publishers de notícias entendem o valor que o Twitter oferece em termos de atingir uma audiência e dar furos de notícias em tempo real. Então, o desafio de fazer parceiros para o Twitter é menor do que parece. Nós somos um time pequeno, então nós estamos focando nossas energias em um número de parceiros seleto e o que nós queremos fazer é encorajá-los a criar conteúdo que funciona bem no Twitter. E, por causa da natureza da plataforma, o Twitter funciona em tempo real. As pessoas vêm descobrir o que está acontecendo no momento e nós queremos encorajar nossos parceiros a criar conteúdo o mais quente possível.

M&M – O Twitter é muito associado ao entretenimento no Brasil. Comentários sobre reality shows e na transmissão de eventos esportivos estão sempre nos trending topics. Está nos objetivos da rede se consolidar também como propagador de notícias como ele é nos Estados Unidos?

Greenberger: Nós temos mais de 300 milhões de usuários ativos no Twitter hoje e todo dia você pode encontrar conversas sobre tudo. Certamente há muitas conversas sobre esporte e agora com as Olimpíadas acontecendo, nós vemos picos de conversas, assim como vamos ver perto da Copa do Mundo. Nós vemos muita conversa de entretenimento em épocas de premiação. Mas o Twitter é também um espaço para notícias. O Twitter está listado como um aplicativo de notícias na Apple Store e na maior parte dos mercados no mundo é um dos maiores casos de uso. Por causa da nossa natureza em tempo real, nenhuma outra plataforma é tão influente ou importante para compartilhar as últimas notícias como o Twitter.

“Há milhares de jornalistas verificados checando o que eles veem no Twitter. Nós também representamos o público, já que você consegue ver todos os lados de uma conversa”

M&M – Que medidas o Twitter tem contra notícias falsas?

Greenberger: Em diversas formas, eu vejo o Twitter como um antídoto para as fake news. É a maior plataforma para checagem de fatos em tempo real do mundo. Qualquer hora do dia há milhares de jornalistas verificados, checando e corrigindo o que eles veem no Twitter. Nós também representamos o público, já que você consegue ver todos os lados de uma conversa. Nós não somos uma bolha baseada em algoritmo, então nós permitimos que as pessoas vejam dois lados de uma situação e tenham perspectivas diferentes. Isso dito, nós acreditamos que temos uma obrigação para ajudar nossos usuários encontrarem informações úteis e críveis e nós estamos fazendo o nosso melhor para encontrar maneiras de fazer isso real.

M&M – A mudança no Facebook pode beneficiar o Twitter de alguma forma?

Greenberger: Nós estamos muito focados em tornar o Twitter a melhor experiência possível para nossos usuários e sabemos que as pessoas vêm ao Twitter para entender o que está acontecendo e, ao fazer o conteúdo dos parceiros mais visíveis, nós estamos servindo aos nossos usuários. Eu acho que é importante ressaltar que nós estamos investindo cada vez mais no segmento de notícias e ajudando os nossos parceiros a ganharem alcance e monetizar o conteúdo no Twitter é uma prioridade.

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