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Flávio Ferrari
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02   Sep   2011

Digital

Ser e pertencer

Almoçando hoje com meu filho filósofo, discutíamos essa marcante vocação para o individualismo, muito característica do momento atual.

Claro que a necessidade de inclusão segue motivando as pessoas a participarem de grupos, mas esses grupos precisam ser pequenos e diferenciados. Nada que seja identificável como “mainstream”.

Não é um tema trivial e requer atenção daqueles que dirigem negócios relacionados com redes sociais.

Suspeito que para uma rede social ser sustentável a longo prazo ela precise perder a aura “fashion” distintiva (e atrativa) do início e ganhar ares de plataforma de serviços de alta funcionalidade.

Tomemos como exemplo o Facebook. No início, estar no facebook era um diferencial. Early adopters sentiam-se percebidos como “descolados” por haver descoberto esse espaço especial na rede. Hoje, estar no Facebook é parecido com usar os serviços de uma operadora de telefonia celular. Você espera que funcione, reclama do serviço e, provavelmente, só usaria uma camiseta com a sua logomarca para dormir (exagerei um pouco para marcar o ponto). O Facebook é um bom exemplo porque vem resistindo a todas as armadilhas clássicas e aprendendo com os concorrentes (incorporando seus acertos). Antes dele, o Google havia mostrado o caminho.

A marca deve manter um certo ar de modernidade, mas precisa reconhecer o momento de ir para os bastidores.

A abertura do espaço para aplicativos de terceiros é arriscada. As centenas de milhões de usuários se relacionam em pequenos grupos e, com isso, desenvolvem uma sensação seletiva de pertinência, ignorando a presença dos demais. Entretanto, quando começam a receber convites para atividades estranhas, cutucões e badges competitivos, ou descobrem que seus conhecidos estão respondendo perguntas a seu respeito, as pessoas se dão conta de que há mais gente ao seu redor e avaliar até que ponto deveriam seguir dividindo aquele espaço com gente de hábitos tão diferentes.

Delicado equilíbrio esse de ser e pertencer.

*Flavio Ferrari está a frente da consultoria Unit 34.

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