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Andre Porto Alegre
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16  Nov   2011

Criacao

Um modelo esgotado

Na reportagem "Publicidade busca volta aos velhos tempos" (O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 10 de novembro, Caderno de Negócios, página B21, Maríli Ribeiro) sobre os resultados da 14 edição do Festival Internacional El Ojo Iberoamerica, realizado em Buenos Aires, há um sub-título "Brasil em baixa" com a seguinte afirmação: "Para o Brasil, sempre uma referência para os vizinhos latinos, o cenário é que vem mudando. Sem se identificarem, para não se comprometerem com seus pares no País, muitos foram críticos à produção nacional. Dizem que os publicitários brasileiros se acomodaram em um modelo de negócio que garante receita com a intermediação da compra de mídia, e isso vem roubando a sua criatividade."

Ou seja, nos tornamos corretores de espaços publicitários, remunerados pelo volume de compra de mídia e não pelo talento do nosso planejamento, pela capacidade gerencial de nosso atendimento, pela criatividade de nossa mídia ou pela inovação da nossa criação.
Abrimos mão da indústria de transformação das idéias e assumimos nossa poção burocrática capaz de fazer das agências de publicidade e dos departamentos de marketing dos anunciantes simulacros de escritórios de contabilidade, tudo em nome de uma falsa eficiência empresarial.

Pior. Nos últimos anos os líderes da propaganda nacional repetiram palavras de ordem a favor do modelo de negócio da publicidade tupiniquim e satanizaram qualquer tentativa de promoção do debate sobre outros formatos, diga-se de passagem, adotados em grande parte do mundo. 

Em nome da lealdade aos projetos hegemônicos, sufocamos a indústria da propaganda nacional, refém de meia dúzia de veículos de comunicação, incapaz de adotar as novas mídias de maneira consistente, mesmo que para inscrição de peças nos festivais internacionais, onde, nos últimos tempos, conquistamos resultados pífios. 

Nossos irmãos latino-americanos, libertos das imposições de um único modelo de negócio, mas comprometidos com os resultados dos anunciantes e suas marcas, produzem, em quantidade admirável, comunicação de qualidade, reconhecida pela comunidade publicitária internacional, que gera resultados em mercados infinitamente menores que o Brasil. 

Não fomos roubados em nossa criatividade. Sucumbimos à catilinária de que qualquer outra idéia sobre remuneração nos conduziria às trevas e ao obscurantismo. Pois isso não é verdade. A continuarmos cegos diante das evidencias do esgotamento do modelo vigente não vamos somente ficar para trás nas premiações, mas vamos comprometer o futuro da propaganda nacional, sua autonomia e resultados.

* André Porto Alegre é sócio-diretor da Mobz
 
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