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Flávio Ferrari
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29  Feb   2012

Comunicacao

Vovó e a comunicação fractal

Minha avó materna era uma pessoa excepcional em muitos sentidos.

Diaconisa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Mooca e diretora da Dorcas (serviço assistencial da Igreja) foi uma mulher inteligente, determinada e realizadora.

Prematuramente viúva e com pouca instrução, conseguiu criar três filhos e alguns netos trabalhando como costureira.

Lamentavelmente, faleceu antes da chegada das redes sociais.

E digo lamentavelmente porque ela tinha um talento nato para comunicação fractal.

Poderia fazer um bom dinheiro hoje em dia explicando como isso funciona para a nova geração de profissionais da área.

Uma personagem de Willian Gibson, no livro “Reconhecimento de Padrões”, amiga da protagonista Cayce Pollard, a “cool hunter”, trabalhava como free-lancer para empresas e tinha como missão disseminar fragmentos de informação em situações sociais insuspeitas (pois é, em 2003 Gibson já nos contava como seria a comunicação em 2013).

Outras, como ela, faziam o mesmo. O objetivo era que os consumidores, no momento oportuno, reunissem esses fragmentos de informação e chegassem à conclusão planejada pela empresa (formando sentido).

Vi minha avó praticando isso em casa. Ela morava conosco.

Lembro-me de uma vez em que implicou com uma empregada. Ela sabia que minha mãe, que a considerava rabugenta, não levaria suas queixas em consideração. Ladina, durante a semana fez um pequeno e “inocente” comentário para cada membro da família e, no almoço de domingo, lá estávamos nós concluindo que seria melhor dispensar a moça.

Minha avó não abriu a boca. A conclusão foi nossa. Só fui capaz de perceber o que havia acontecido muitos anos depois, já trabalhando com comunicação, e havendo sido “vitima” da vovó pelo menos um par de vezes.

Naquela época, alguém mais atento poderia haver dito que ela era uma fofoqueira eficiente. Depois disso, que era uma especialista em “word of mouth”. Na última década, poderia haver sido mencionada como exemplo de marketing viral. Mas ela estava mesmo era praticando a comunicação fractal.

O problema com novos nomes é que a gente acaba se esquecendo do que aprendeu com os mais velhos.

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