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What the fuck is happening?

Em meio a uma sensação de esvaziamento, como o ambiente criativo pode sobreviver?


11 de janeiro de 2017 - 9h00

Foto: Reprodução

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“Que porra é essa?”, me perguntou um amigo publicitário num papo de fim de ano, desses em que a gente faz um balanço geral. Falava do cenário do mercado de comunicação e de coisas que o deixavam inconformado. Eu posso entender a sua perplexidade, até porque ele é da geração Y, avessa a tudo o que consuma nosso tempo sem um sentido claro e uma boa proposta de valor. A obsessão por resultados a qualquer custo, metas descoladas da realidade econômica do País, estresse como motor de desempenho, prazos impossíveis. Quando a maior parte da vida é configurada por pressão, velocidade e pouco propósito, somos preenchidos por um vazio.

Tudo isso nos faz sentir como passageiros em um carro que se move tão rápido que não percebemos a paisagem mudar lá fora. E nesse modelo de vida as crianças crescem rapidamente, os pais envelhecem sem nos darmos conta e nos perdemos de nós mesmos. Há um descolamento entre a vida em permanente estado de falta de tempo e os sonhos e desejos que tínhamos quando pequenos. Mas à medida que nos distanciamos desses sonhos, nos afastamos também do que temos de melhor: a nossa criança interna.

É essa criança que se mantém curiosa, que continua a descobrir, que nos faz olhar diferente para as coisas de sempre, que sabe que criar é, acima de tudo, uma brincadeira e que realizar tudo com mais leveza e alegria é muito melhor. Sufocamos os sonhos e emancipamos essa criança interna à força, sem nunca mais lhe dar o espaço que merece. O resultado? Vivemos rápido enquanto morremos lentamente. E com isso matamos também toda a indústria criativa.

A questão é que todos nós, clientes e agências, vivemos imersos em um turbilhão. Estamos tão pressionados pelo resultado rápido que nos esquecemos de que ele é fruto de um processo de qualidade. Por que os prazos são tão apertados se somos nós que os criamos? Por que não temos tempo de digerir mais nada da maneira correta?

Apesar de as coisas estarem mudando radicalmente no nosso mercado, assim como a paisagem que passa acelerada pela janela do carro, não percebemos a gravidade dessas transformações ou não damos a real importância a elas. Por exemplo, hoje em dia, consumidores cansados de hipocrisia em um País de mentiras institucionalizadas, esperam cada vez mais das marcas e das empresas. Mesmo assim, criamos soluções em série, na iminência de cumprir um deadline rigoroso, brifados por clientes com prazos de linha de produção industrial e pouco foco em problemas verdadeiramente relevantes. Como consequência, muitos profissionais de marketing e comunicação vêm experimentando um sentimento de extravio de si, de esvaziamento de propósito naquilo que fazem.

A questão é que todos nós, clientes e agências, vivemos imersos em um turbilhão. Estamos tão pressionados pelo resultado rápido que nos esquecemos de que ele é fruto de um processo de qualidade. Por que os prazos são tão apertados se somos nós que os criamos? Por que não temos tempo de digerir mais nada da maneira correta? Sinto dizer, mas tudo isso não passa de uma fuga da realidade. Afinal, todo bom trabalho é semelhante a criar um filho: demanda atenção, carinho e dedicação. Estamos matando nossas crianças internas e, com elas, o próprio ambiente criativo.

Por fim, para o ambiente criativo sobreviver, não podemos deixar que nosso cotidiano se torne uma linha reta, onde tudo o que a gente invente como antídoto seja engolido e devolvido com a ordem de “seguir o fluxo”. É preciso lutar contra essa sanfona psicológica que adoece nossa criatividade, que nos toma de ansiedade e apequena nosso jeito de pensar. Juntos — clientes, agências e também os veículos — precisamos reabastecer os ambientes de trabalho com propósito, permissão ao sonho e excitação. Não há nada mais pragmático a se fazer nesse momento. Precisamos encher o cotidiano de alegria e fazê-la chegar também aos nossos consumidores. Pois podem estar certos de uma coisa: a felicidade vende.

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