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No escuro

Em um momento tão sensível e crítico para o desenvolvimento do País, é para se lamentar o fato de o mercado publicitário não ter um indicador confiável da variação de sua atividade econômica


30 de janeiro de 2017 - 11h02

duvida

Foto: Reprodução

Cronologicamente postado entre o período no qual se registrou a maior recessão econômica da história do País e aquele que promete ser o primeiro de crescimento significativo após a avassaladora crise financeira, 2017 tem tudo para ser um ano bipolar quanto à confiança na melhoria do ambiente para negócios.

Nos meses que virão, certamente alternaremos momentos de alguma euforia com outros de muita desconfiança, após dois anos em que acumulamos uma queda em torno de 7% no Produto Interno Bruto brasileiro e enquanto torcemos (e trabalhamos) para que se confirmem previsões otimistas como a do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi — que, em entrevista à Folha de S.Paulo, estimou um crescimento de 2,3% do PIB nacional para julho de 2018, na comparação com julho de 2017.

Em um momento tão sensível e crítico para o desenvolvimento do País, é para se lamentar o fato de o mercado publicitário não ter um indicador confiável da variação de sua atividade econômica em determinados intervalos de tempo.

Índices relativos ao varejo, à indústria automobilística e ao mercado imobiliário, por exemplo, já estão disponíveis para que os players desses setores determinem estratégias, façam projeções e executem com maior fidelidade possível o planejamento concebido para, finalmente, começarem a recuperar o terreno perdido nos últimos anos.

Essa é uma questão cujo impacto, na verdade, vai muito além de 2017. O acesso a estatísticas relativas ao comportamento de variáveis determinantes para a capacidade de arrecadação de uma atividade, setor ou região é fundamental para a construção de cenários de longo prazo. Sem um indicador consistente e constante, perde-se a chance de se estudar com maior propriedade os ciclos de um mercado, assim como de avaliar a evolução de sua inserção e importância dentro da economia do País.

O acesso a estatísticas relativas ao comportamento de variáveis determinantes para a capacidade de arrecadação de uma atividade, setor ou região é fundamental para a construção de cenários de longo prazo

Reportagem assinada pelo editor assistente Sérgio Damasceno mostra que o setor publicitário segue à deriva desde a divulgação do derradeiro relatório do Projeto InterMeios, referente à compra de mídia no mercado nacional durante o ano de 2014. A interrupção da série histórica de mais de duas décadas foi oficializada em agosto de 2015 e, um ano e meio depois, ainda é lamentada.

“Nenhum segmento pode ser considerado sério e confiável se não tem dados confiáveis”, afirmou o presidente do Grupo Abril, Walter Longo, um dos líderes do mercado entrevistados por Damasceno.

A opinião de Longo é compartilhada pelo diretor de negócios da Rede Globo, Willy Haas, que reforça a importância de um indicador como ferramenta para: medir a eficiência comercial dos players e meios; comparar o desempenho da indústria nacional com a de outros países; e reforçar a transparência do mercado.

A questão da credibilidade também foi destacada por Abel Reis, CEO da Dentsu Aegis Network. Para o executivo, “é fundamental haver uma entidade neutra e independente que, com o máximo de rigor e acurácia possível, obtenha e disponibilize as informações” sobre os investimentos publicitários.

Publicada na página 20 desta edição que você tem agora em mãos, caro leitor, a reportagem de Meio & Mensagem revela o desejo comum a todos de reestabelecer a aferição financeira da atividade publicitária no País. A busca é para que isso aconteça o quanto antes, contemplando um modelo abrangente e sustentável, como ressaltou o presidente do Grupo de Mídia São Paulo. “Nosso mercado tem uma tradição grande de se unir e buscar a autorregulação em diversos temas”, afirmou Daniel Chalfon. “Acredito que dessa união surgirá uma nova maneira de mensurarmos o mercado”.

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