Não ceda à pressão

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Não ceda à pressão

Saber lidar com as cobranças é habilidade básica para a sobrevivência no mundo corporativo


16 de março de 2017 - 8h00

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Dependendo do papel que se ocupe, o descontrole emocional é inadmissível (Crédito: Reprodução site Tag Heuer)

“Don’t crack under pressure” (“não ceda à pressão” em português) é uma das minhas assinaturas de campanha favoritas dos últimos tempos. A marca suíça de relógios Tag Heuer conseguiu uma combinação rara de benefícios funcionais e emocionais. Por um lado, o relógio que resiste às pancadas do dia-a-dia; por outro, a atitude resiliente do seu consumidor frente às dificuldades da vida moderna.

Vinte e poucos anos atrás, em um dos muitos intervalos das minhas aulas na Escola de Engenharia Civil da USP, tive um debate com alguns amigos sobre quem da nossa classe teria sucesso profissional. Nossa conclusão foi que o sucesso acadêmico, que era o preço de entrada para qualquer um que estudava na USP, não seria tão importante assim. Em um grupo no qual quase todos estavam acostumados a ser os primeiros de suas turmas desde o jardim da infância (eu fui uma exceção à regra), o que nos diferenciaria na vida pós-acadêmica seria justamente a capacidade de encarar os desafios sem perder a eficácia. Ou seja, “not to crack under pressure”.

Esta habilidade é básica para a sobrevivência no mundo corporativo. Não importa se o trabalho é em marketing, finanças ou vendas. Se não conseguir atuar em situações adversas, melhor mesmo ficar em casa. E quanto maior o risco e a exposição do seu trabalho, maior a necessidade de resistir à pressão.

Assim como alguns dos meus amigos da Poli, que acabaram não chegando onde poderiam em suas carreiras, muitos outros profissionais excepcionais acabam sofrendo por sua fragilidade emocional.

Há alguns dias em Barcelona assistimos um caso clássico com o ex-capitão da Seleção Brasileira de Futebol. Thiago Silva, o melhor zagueiro do mundo e capitão do todo poderoso Paris Saint-Germain, não resistiu ao time do Barcelona, à pressão da torcida, à imprensa francesa e à sua própria história.

Graças à sua falta de liderança, seu time deixou escapar uma das classificações mais garantidas da história da Liga dos Campeões da Europa.

Em 2014, ele já havia fraquejado nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Enquanto seus companheiros batiam os pênaltis contra o Chile, ele chorava e mal conseguia acompanhar o desfecho da partida. Depois da classificação, a imprensa brasileira e internacional deram ampla cobertura para seu comportamento.

Semana passada, mais uma vez, seu talento foi encoberto por sua incapacidade de lidar com a pressão em momentos decisivos.

Claro que no caso da derrota de 6 x 1 para o Barcelona a culpa não foi só dele. O jogo foi na casa do adversário, o juiz errou, o vento, a bola etc. (insira aqui a desculpa que for mais conveniente). Mas como capitão do time, seu descontrole foi simplesmente inadmissível.

Todos nós temos momentos Thiago Silva nos nossos trabalhos invisíveis. Que bom que nossas reuniões ainda não são transmitidas para um bilhão de pessoas. Nosso ex-capitão não teve a mesma sorte, mas não fique chateado por ele, pois Thiago é bem pago para fazer o que faz. Mais precisamente R$ 96 mil por dia.

Bola pra frente.

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