Você é à prova do futuro?

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16 de maio de 2017 - 9h00

De todas as (muitas) expressões que aprendi desde que comecei no meu novo emprego, a que eu mais gosto é uma que frequentemente aparece nas reuniões da Accenture Interactive: futureproof. Afinal, em uma era onde o processo de digitalização está revolucionando todas as indústrias, a principal variável de qualquer projeto passou a ser o quanto ele é capaz de se adaptar às inevitáveis mudanças que podem, da noite para o dia, transformar completamente o cenário previamente estabelecido.

Foto: Reprodução

Como exemplo, dois designers de San Francisco que, em 2007, perceberam que todos os hotéis da cidade já estavam lotados para receber os visitantes da conferência anual da IDSA (Industrial Designers Society of America). Resolveram, então, comprar alguns colchões infláveis e vender uma hospedagem na república deles com direito a café da manhã — e a junção do Air dos colchões com as Beds e o Breakfast deu origem ao nome da startup.

Alguns anos depois — sem precisarem comprar nem mais um único colchão —, o Airbnb já tinha mais quartos do que qualquer outra rede hoteleira do planeta. E aí contrataram o diretor global de marketing da Coca-Cola para gerenciar a comunicação deles e, além de lançar uma nova logomarca, inaugurar o conceito Belong Anywhere — que mais do que o tema da nova campanha, virou o lema da nova companhia.

Para tangibilizar a promessa de “pertencer a qualquer lugar do mundo”, lançaram um serviço onde você pode reservar experiências ministradas por pessoas locais (como cursos de culinária, aulas de cerâmica, trilhas de bike etc) e, assim, deixaram de ser apenas um site de hospedagem para se tornarem curadores de interações muito mais amplas e profundas com as cidades.

Dessa forma, mesmo já tendo revolucionado a indústria uma vez, conseguiram estabelecer mais um diferencial competitivo dentro da mesma categoria — em outras palavras, fizeram o que toda empresa líder de mercado deveria fazer: criaram internamente algo que um dia poderia ser o seu maior concorrente.

Portanto, basta analisar a evolução dos slogans do Airbnb para ver como eles foram, ao longo do tempo, se adaptando ao futuro e deixando o seu posicionamento cada vez mais abrangente: “Forget Hotels” (2008) < “A new way to travel” (2009) < “Every traveller deserves a home” (2013) < “Belong anywhere” (2016). Essa evolução de pensamento exponencializou tanto o seu negócio que hoje — no que diz respeito à experiência do consumidor — praticamente não existe outra grande empresa no mesmo patamar deles.

Mas isso não vale somente para as marcas. Serve também para nós, profissionais de uma indústria que vive uma reviravolta completa de valores. E aí eu aproveito para te perguntar de novo — pois já fiz isso no título desse artigo —, você já parou para pensar se o seu cargo de hoje é à prova do futuro?

Se a sua profissão atual, daqui a alguns anos, terá a mesma importância? Ou, indo mais a fundo, se você ainda será útil em um futuro próximo?

A melhor dica para se manter relevante por muitos e muitos anos, na minha opinião, está estampada na home da Singularity University: “Be exponential” — pois, como eles mesmos dizem, só assim seremos aptos a “criar um futuro abundante”. E quem sabe, em vez de ficar torcendo para nossa atual profissão sobreviver, poderemos até inventar nosso próximo ganha-pão — ou, de preferência, mais de um deles, pois seremos a última geração que, em sua maioria, teve só um tipo de emprego e sobreviveu de uma única fonte de renda.

Para nos tornarmos à prova do futuro, precisamos começar a responder essa prova desde já. Pois, a partir de agora, das duas, uma: ou você vira um exponencial, ou vira um “ex-potencial” — e quem continuar preso aos mesmos cargos, salários e modelos de trabalho de hoje será inevitavelmente “exterminado pelo futuro” e vai ouvir de algum (bem mais) novo chefe o implacável “Hasta la vista, babe”.

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