A mais nova tendência do mundo é também a mais velha tendência do mundo

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A mais nova tendência do mundo é também a mais velha tendência do mundo

Vivemos um mundo de dinâmicas avassaladoras, hiper velozes e hiper tudo. O que menos precisamos é intensificar. Só precisamos de presença. Presença no tempo, presença no espaço, presença de amor


17 de maio de 2017 - 8h00

*Atenção: este texto evita jargões corporativos, publicitários e afins…

Tive o privilégio de conviver na última semana com pessoas que sempre fizeram parte de meus estudos, referências e bibliografias. Uma sensação incrível de conhecer presencialmente algumas pessoas que tinha acesso apenas através de livros. Não paramos muito pra pensar nisso, mas todo livro proporciona um acesso íntimo com seu autor. Conhecemos em detalhes seu jeito de pensar, expressar, imaginar, sonhar e registrar realidades. Mas, a presença real, como sempre, faz a diferença: o brilho do olhar, o timbre da voz, um discurso que nem sempre é tão linear como nos livros, o calor de um abraço ou um tímido aperto de mão.

Build Kindness not walls: projeto de Timothy Goodman e Jessica Walsh

Ouvir e ver as histórias de personagens como David Carson, Malcolm Gladwell, Alina Wheeler, Brian Collins, Amy Cuddy, Seymour Chwast, dentre muitos outros, fizeram com que a conferência How Design Live 2017, fosse muito além de branding e design. Sediada, este ano, em Chicago, que instiga e inspira diariamente a sentir arquitetura, arte, design, jazz e blues, é também cidade-palco de personalidades como Obama, Mies Van Der Rohe, Frank Lloyd Wright, Milles Davis, Tina Fey e… Al Capone, além de muitos outros.

Depois de muitas apresentações (ou keynotes – jeito cool agora para chamar o que serão sempre apresentações) cheias de ideias, inspirações, referências das mais diversas, percebi que a maioria delas girava ou evocava uma tendência em comum. Apontavam de alguma forma um caminho pro mundo. Uma nova tendência que também é a mais velha do mundo e que a conhecemos desde o dia que nascemos. Não tem nome descolado de nenhum bureau de tendências mas é profunda em significado, densidade e amplitude: Amor. Quatro letras em português ou quatro letras também em inglês. Tão pequena em sua dimensão escrita/verbal e tão grandiosa em sua dimensão emocional, social e relacional.

Mas por quê “amor”? E como foi que “amor” virou um tema recorrente num congresso de branding e design? Pois é, não é assim tão difícil de perceber. Só abrir a janela, sair na rua, conversar com as pessoas sobre temas diferentes daqueles que são o nosso trabalho. O mundo está clamando por amor. Refugiados, misoginia, homofobia, racismo, desigualdade, bullying, ciberbullying, intolerância religiosa, muros de concreto, muros de palavras são temas que escutamos e sentimos cada vez mais no nosso dia a dia.

O mote usado por um bom tempo “Mais Amor, por favor” poderia agora ser repaginado para “Amor, por favor”. Não precisamos mais do “mais” cumprindo sua função de advérbio de intensidade. Aliás, não é intensidade que precisamos. Vivemos um mundo de dinâmicas avassaladoras, hiper velozes e hiper tudo. O que menos precisamos é intensificar. Só precisamos de presença. Presença no tempo, presença no espaço, presença de amor.

Pra não ser pessimista e falar de um lado apenas, lembrei da famosa terceira Lei de Newton: o princípio da Ação e Reação. Ou seja, usar de bondade e amor para combater as falácias do mundo. Neste caso, essa força oposta é muito do que tenho visto de iniciativa e coisas legais por aí reverberando amor seja em atitudes pequenas ou grandiosas. Até o Facebook colocou “love” na opção de “likes” ou este lindo projeto de Timothy Goodman e Jessica Walsh “Build kindness not walls”. Não importa o tamanho, amor não se mede.

Brian Collins disse algo simples e poderoso no início do How Live Design quando renomeou o MVP (minimum value product) tão ouvido em reuniões de marketing e produto para o MFL (Maximum Fucking Love). Ou seja, sair de gerador de valor por meio de produto para um fucking potencializador de amor.

As melhores iniciativas e marcas são aquelas que falam diretamente e que deixam as pessoas serem felizes como elas são. Isso é generosidade e um ato de amor, o que ao mesmo tempo muda “tudo” e não muda “nada”. “Tudo” porque revê a lógica de construir marcas. A jornada do consumidor se transforma numa jornada de amor das marcas com as pessoas. E “nada” porque amor já existe em cada um de nós. Em cada um, com seu jeito e sua forma. Nasceu conosco. O amor é essência humana como virtude.

Seu nível de complexidade é tão alto e o que não falta são teorias sobre ele que vão de Platão, Kant, Proust, Freud, Nietzsche, tantos outros e cada um de nós mesmos temos a nossa própria teoria e intenção sobre o tema. O fato é que o amor é uma das virtudes do ser humano, o que faz com que o amor seja o próprio Bem.

Ora, se design é um meio estratégico e criativo para resolver a necessidade das pessoas e do mundo por meio de um sistema autoral com estética e funcionalidade e se o mundo está clamando por amor, que tal juntarmos isso tudo numa grande plataforma e assim design for love. Fica aqui o convite pra todos nós.

Como diz a música (feche os olhos e aumente muito o som): “What the world needs now is love sweet love, It’s the only thing that there’s just too little of, What the world needs now is love sweet love, No, not just for some but for everyone…”.  Vamonessa?

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