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SXSW para quê?

O evento realizado anualmente em Austin é uma rede, que deve ser construída e alimentada por seus participantes, e da qual só conseguem tirar o máximo aqueles com generosidade para compartilhar e curiosidade para se misturar à multidão na busca do novo 


12 de março de 2018 - 9h10

Cidade de Austin recebe o festival SXSW (Créditos: Isabela Lessa)

Pioneiros do hip hop e um dos maiores ícones do estilo, os rappers do Public Enemy foram uma das principais atrações do South by Southwest em 2016. O grande momento do show foi quando o grupo executou o hino Don’t Believe the Hype. A letra foi inspirada na obra do ativista político americano Noam Chomsky. Mas a expressão, em si, critica a promoção exagerada que certas pessoas ou produtos alcançam ao se tornarem o assunto do qual todo mundo está comentando. Nessa pegada, o refrão do hit cai como uma luva para descrever o atual debate em torno do SXSW.

Realizado desde 1987, o evento tem atraído um contingente cada vez maior, especialmente de brasileiros. Em 2017, mais de 420 mil pessoas participaram da conferência de alguma maneira. A cada ano, uma nova leva de gente que viverá a experiência pela primeira vez desembarca em Austin sedenta por conhecimento e faminta por diversão.

Até há pouco tempo, essa massa de estreantes conferia ao SXSW uma áurea incontestável de terra prometida da inovação. Mas, quando um evento alcança esse porte, fica praticamente impossível manter-se como unanimidade. É uma questão de probabilidade, por conta da amplitude de gostos, interesses e, principalmente, de expectativas criadas.

A onda de descaso crescente, registrada em reportagens de veículos como AdWeek e Digiday, questiona a verdadeira utilidade do evento para marcas e agências, seja porque já virou carne de vaca, seja por conta dos altos custos envolvidos para se fazer qualquer ativação durante os dez dias da conferência. Tem até quem veja muita espuma e pouca consistência na caótica e multifacetada programação de painéis e sessões, na qual a extrema variedade pode ser confundida com uma curadoria pouco eficiente.

Entre os dois extremos, faça como o Public Enemy: desconfie do hype, tanto dos fãs quanto dos detratores

Se tem engrossado o coro que minimiza a relevância do SXSW, a presença brasileira, em contraponto, segue em alta e briga cabeça a cabeça com japoneses e alemães pelo posto de maior delegação estrangeira da edição 2018. O total de inscritos do Brasil já bateu recordes, superando os 1,2 mil do ano passado, quando já havia dobrado em relação a 2016. A ansiedade coletiva com a proximidade do festival foi registrada no aumento exponencial da atividade nos grupos de WhatsApp formados por habitués e novatos a contar os dias para a chegada em Austin. Nesses redutos, o SXSW continua com seu status indiscutível de uma peregrinação a Meca — uma jornada que pode ser repetida anualmente pelos fiéis mais fervorosos, mas que precisa ser percorrida ao menos uma vez na vida. O espírito sempre colaborativo das mensagens diz muito sobre a essência do evento.

O SXSW é uma rede, que precisa ser construída e alimentada. Para tirar o máximo do evento, é preciso se misturar, trocar ideias, conectar, compartilhar, oferecer, se apresentar.

Entre os dois extremos, faça como o Public Enemy: desconfie do hype, tanto dos fãs quanto dos detratores. Imbuídos desse espírito contestador, Meio & Mensagem está em Austin com uma equipe comprometida em extrair o que é real nesse universo de hipérboles — uma nobre missão para todo bom jornalista que nossos repórteres Isabella Lessa, Isaque Criscuolo, Karina Balan Julio e Luiz Gustavo Pacete certamente honrarão.

Nosso time conta ainda com a sempre ponderada opinião do diretor da M&M Consulting, Pyr Marcondes, já em sua sétima viagem ao SXSW — uma patente que o legitima a fazer análises 100% livres de qualquer influência da última onda que surge em cada uma das esquinas na down town de Austin e adjacências — e o reforço de valor inestimável de mais de 80 blogueiros que compartilharão suas experiências e aprendizados adquiridos ao longo da semana em artigos publicados em nosso site especial. Fique ligado também em nossas redes sociais para acompanhar os bastidores do dia a dia de nossos repórteres e tudo o que acontece em tempo real.

Por fim, mas definitivamente não menos importante, confira nas próximas edições impressas semanais o que de mais importante acontecer no evento, para que você, caro leitor, possa separar o joio do trigo e tirar suas próximas conclusões.

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