Cenário promissor

22 de Outubro de 2007 - Edição 1281

Regina Augusto


Se existe um setor que está refletindo o momento atual de aquecimento econômico vivido pelo País — reverberando, conseqüentemente, no mercado de comunicação — é o de construção civil. Nove entre dez agências publicitárias possuem hoje em sua carteira de clientes pelo menos uma empresa do segmento, sem contar aquelas que trabalham com mais de um anunciante da área, dada a diversidade dessa indústria.


Nesta edição de Meio & Mensagem, dois exemplos ilustram bem esse movimento. O primeiro é a iniciativa da Eugenio Publicidade, que desde a fundação, há 19 anos, mantém foco no setor imobiliário, colhendo hoje os frutos do ciclo virtuoso pelo qual passa esse pujante ramo da economia. Conforme matéria de Fernando Murad, a agência prepara o lançamento da holding Eugenio, que congregará em 2008 seis empresas, cinco delas voltadas ao mercado de imóveis. Também consta dos planos a abertura de capital, seguindo os passos de seus clientes. Hoje são 24 empresas da área da construção civil com ações em Bolsa.


Uma delas é a Tecnisa, o segundo exemplo dessa movimentação. A entrevista com o diretor de marketing da companhia, Romeo Busarello, dada nesta edição à repórter Claudia Bergamasco, demonstra bem que esse processo de expansão está mudando igualmente o perfil das ações de comunicação do setor como um todo. A Tecnisa faturou R$ 50 milhões em 2001 e espera chegar aos R$ 700 milhões em 2007. O uso dos canais de comunicação não convencionais para o segmento — em especial a internet — também cresce em projeção geométrica. A empresa investiu R$ 200 mil em ações na web em 2001 e prevê, para 2008, R$ 3 milhões.


Segundo expectativa do mercado, o setor imobiliário deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em marketing neste ano.

"O setor da construção civil tem dado sinais cada vez mais consistentes de aquecimento, dinamizando a economia e também o mercado publicitário"


De acordo com o ranking Agências & Anunciantes, de M&M, apenas em mídia o segmento aplicou R$ 432 milhões em 2006. A diferença entre os números evidencia dois fatos: o crescimento contínuo da área e — sobretudo — o alto percentual do volume de recursos investidos em outras ferramentas que não publicidade, mostrando ainda um processo que deve fazer com que a atual forma de divulgação de empreendimentos imobiliários sofra uma maior apuração com a bem-vinda melhoria, obtendo mais sofisticação e qualidade.


Outro fator bem interessante desse ciclo virtuoso é que o aquecimento da construção civil é absolutamente democrático, não atingindo apenas os consumidores do topo da pirâmide. Prova disso é a expansão para além dos grandes centros — chegando, por exemplo, ao Nordeste, onde agências locais têm sido procuradas por outras de São Paulo, cujos clientes do setor estão estendendo seus negócios para a região. Uma delas é a LongPlay, do grupo Newcomm, que fechou recentemente parceria com a Art&C, de Natal, para atendimento da Abyara.


Somando a esse panorama a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, tem-se um cenário absolutamente promissor a médio e longo prazos. Segundo reportagem de Robert Galbraith, estimativas dão conta de que as 12 cidades escolhidas pela Fifa para sediar os jogos terão de investir, conjuntamente, R$ 18 bilhões em infra-estrutura, construção ou reforma de estádios.


Diante de tudo isso, não restam dúvidas de que o setor de construção civil tem tudo para se tornar um player ainda mais importante não só para o País, mas para o mercado de comunicação.

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