Se existe um setor que está refletindo o momento
atual de aquecimento econômico vivido
pelo País — reverberando, conseqüentemente, no
mercado de comunicação — é o de construção civil.
Nove entre dez agências publicitárias possuem
hoje em sua carteira de clientes pelo menos uma
empresa do segmento, sem contar aquelas que
trabalham com mais de um anunciante da área,
dada a diversidade dessa indústria.
Nesta edição de
Meio & Mensagem, dois exemplos
ilustram bem esse movimento. O primeiro é a
iniciativa da Eugenio Publicidade, que desde a fundação,
há 19 anos, mantém foco no setor imobiliário,
colhendo hoje os frutos do ciclo virtuoso pelo qual
passa esse pujante ramo da economia. Conforme
matéria de Fernando Murad, a agência prepara o
lançamento da holding Eugenio, que congregará em
2008 seis empresas, cinco delas voltadas ao mercado
de imóveis. Também consta dos planos a abertura de
capital, seguindo os passos de seus clientes. Hoje são
24 empresas da área da construção civil com ações
em Bolsa.
Uma delas é a Tecnisa, o segundo exemplo dessa
movimentação. A entrevista com o diretor de marketing
da companhia, Romeo Busarello, dada nesta
edição à repórter Claudia Bergamasco, demonstra
bem que esse processo de expansão está mudando
igualmente o perfil das ações de comunicação do
setor como um todo. A Tecnisa faturou R$ 50 milhões
em 2001 e espera chegar aos R$ 700 milhões
em 2007. O uso dos canais de comunicação não
convencionais para o segmento — em especial a
internet — também cresce em projeção geométrica.
A empresa investiu R$ 200 mil em ações na web em
2001 e prevê, para 2008, R$ 3 milhões.
Segundo expectativa do mercado, o setor imobiliário
deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão
em marketing neste ano.
"O setor da construção civil tem dado sinais
cada vez mais consistentes de aquecimento,
dinamizando a economia e também
o mercado publicitário"
De acordo com o ranking
Agências & Anunciantes, de
M&M, apenas em
mídia o segmento aplicou R$ 432 milhões em 2006.
A diferença entre os números evidencia dois fatos:
o crescimento contínuo da área e — sobretudo — o
alto percentual do volume de recursos investidos em
outras ferramentas que não publicidade, mostrando
ainda um processo que deve fazer com que a atual
forma de divulgação de empreendimentos imobiliários
sofra uma maior apuração com a bem-vinda
melhoria, obtendo mais sofisticação e qualidade.
Outro fator bem interessante desse ciclo virtuoso
é que o aquecimento da construção civil é absolutamente
democrático, não atingindo apenas os
consumidores do topo da pirâmide. Prova disso é a
expansão para além dos grandes centros — chegando,
por exemplo, ao Nordeste, onde agências locais
têm sido procuradas por outras de São Paulo, cujos
clientes do setor estão estendendo seus negócios
para a região. Uma delas é a LongPlay, do grupo
Newcomm, que fechou recentemente parceria com
a Art&C, de Natal, para atendimento da Abyara.
Somando a esse panorama a confirmação do Brasil
como sede da Copa do Mundo de 2014, tem-se um
cenário absolutamente promissor a médio e longo
prazos. Segundo reportagem de Robert Galbraith,
estimativas dão conta de que as 12 cidades escolhidas
pela Fifa para sediar os jogos terão de investir,
conjuntamente, R$ 18 bilhões em infra-estrutura,
construção ou reforma de estádios.
Diante de tudo isso, não restam dúvidas de que
o setor de construção civil tem tudo para se tornar
um player ainda mais importante não só para o País,
mas para o mercado de comunicação.
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Regina Augusto