A função mais básica da disciplina de planejamento
é criar idéias que tenham a capacidade de gerar sucesso
para as marcas e negócios do cliente, predominantemente
através da comunicação.
Para que isso seja possível, é necessário que o
profissional de planejamento tenha mais do que habilidades
profissionais específicas; é preciso ter também
algumas características particulares em seu DNA e em
seu caráter. É preciso ter espírito de planejador pra ser
um bom planejador.
Como muitas vezes o planejamento é visto como
aquele que orienta, direciona, aponta o caminho e faz
o cliente chegar onde queria, gostaria de fazer uma
analogia entre o profissional de planejamento e o mais
conhecido instrumento de navegação da humanidade:
a bússola.
Assim como a bússola, que nos orienta através dos
quatro pontos cardeais, acredito que o bom profissional
de planejamento deva ter, também, quatro características
fundamentais.
A primeira delas, e talvez a que mais deva ser valorizada
num planejador, é uma alma curiosa. Aquela que
o faz seguir em direção ao Sul e se aprofundar devidamente
no conhecimento que o projeto, o contexto, a
marca demanda. O bom planejador — e tenho a sorte de
trabalhar e já ter trabalhado com alguns dos melhores
do mercado — está sempre perguntando, questionando
tudo, inclusive a si mesmo. O planejador quer sempre
saber o porquê das coisas, as causas e efeitos, as opiniões,
impressões e reações das pessoas ou públicos de interesse.
Esse espírito de constante curiosidade faz com que
esse profissional ache oportunidades onde ninguém viu,
identifique problemas que o cliente não detectou, veja
as coisas de um jeito novo, diferente e original.
Isso nos leva à segunda característica que, como cliente,
mais valorizo num planejador: uma visão de negócios.
O planejador deve estar em constante contato com os
resultados da estratégia por ele orientada para o meu
negócio. É saber olhar para o Norte da marca, avaliando
inclusive como fazer e quanto falta para chegar lá. Planejador
que é bom de insight criativo e ruim de visão de
negócios para mim só utiliza parte de sua capacidade de
agregar valor ao cliente.
A terceira característica que mais valorizo — e é crítica
para o sucesso de um profissional de planejamento — é
sua capacidade de comunicação, ou seja, a habilidade de
vender idéias e fazer com que elas sigam rumo ao Leste,
adiante numa curva ascendente. O bom planejador sabe
racionalizar e explicar aquilo que é abstrato; sabe inspirar a
criação, sabe trabalhar em conjunto, sabe vender o projeto
para o cliente e sabe como ajudar o cliente a vender seus
projetos dentro da empresa.
A quarta característica fundamental poderia facilmente
representar o Oeste da minha analogia, pois diz
respeito a saber olhar para o lado, a saber trabalhar
em equipe e agregar insights. Afinal, o planejamento
não tem fronteiras e, muitas vezes, um bom projeto de
planejamento conta com um conjunto de habilidades e
perspectivas de outras áreas da agência, como criação,
atendimento, mídia e ativação, além do próprio cliente.
O papel do profissional de planejamento nesse processo
é liderar e conduzir o pensamento para que o resultado
seja o melhor possível.
Planejadores raramente são autores únicos dos
projetos nos quais estão envolvidos, e freqüentemente
articulam a participação e coexistência de várias áreas
da agência. E, por essa razão, a última das quatro características
que mais valorizo em um profissional de
planejamento é essa generosidade. A generosidade de
“jogar” uma idéia na mão de outros departamentos para
ver como ela se desenvolve, para ajustar ou complementar
com inteligência e argúcia uma idéia de outra
pessoa, estimulando o pensamento em conjunto e a
participação de todos no processo — como um navegador
que sabe que, para se lançar em mares inóspitos
e alcançar o porto seguro, é preciso haver harmonia e
contribuição de toda tripulação.
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Luca Cavalcanti