Anunciar na internet configura um grande desafio para agências e anunciantes tendo em vista a quantidade de sites, blogs e redes sociais disponíveis no meio. Debater sobre o que, de fato, traz resultados e como atingir os consumidores - que cada vez mais ditam as regras e estão no controle da situação - foi a proposta do painel "Ad 2.0: O que vale a pena e por quê", que aconteceu no primeiro dia do Proxxima 2008. Moderada por Mentor Muniz Neto, vice-presidente de criação da Bullet, o debate teve entre seus convidados André Bianchi, do site Limão, Carlos Merigo, da Fischer America, Leonardo Byrro, da Skol, Michel Lent, da 10' Minutos e José Luis Volpini Mattos, da Oi.
Além de alguns exemplos de como utilizar a internet no mix de comunicação, a discussão entre os debatedores foi embalada, principalmente, por um tópico ainda pouco evidente quando se fala no meio: o acesso e a importância dos consumidores das classes C e D na rede. Segundo Leonardo Byrro, depois de fazer uma pesquisa junto a um grupo de quatro jovens residentes da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, foi constatado que as pessoas pertencentes às classes de menor poder aquisitivo estão extremanente presentes na internet e exigem uma forma de comunicação direcionada. "Esses jovens estão sempre online e se comunicando através de serviços de mensagem instatânea, possuem seus perfis em redes sociais e mesmo que não tenham computadores em casa acessam a rede de qualquer que seja o lugar", disse. "Essa imersão foi feita há cerca de dois anos e funcionou como um divisor de águas na Ambev, uma vez que conseguimos aumentar nossos investimentos em internet de 1% para 5% e melhorar nosso planejamento para a mídia online", completou.
De acordo com José Luis Volpini Matos, diretor de novos negócios da Oi, é para essa classe - maioria entre os usuários de telefones celulares pré-pagos da operadora - que a empresa tem voltado seus esforços na oferta de serviços de valor adicionado (SVA) como conteúdos musicais, papéis de parede, entre outros. "O conteúdo que disponibilizamos precisa ter a ver com comportamento e cultura, não com o poder aquisitivo. Temos ainda grandes oportunidades para crescer oferecendo serviços para as classes C e D", afirmou Matos.
Outros assuntos como de que forma transformar o potencial da internet em dinheiro e como mensurar os resultados de acordo com o crescimento da massa crítica também fizeram parte do palco de discussões. "Não há mais como negar a interatividade e as oportunidades trazidas pela rede. Agora é preciso ousar para encontrar modelos efetivos de comunicação a fim de fazer com que a internet tenha uma fatia muito mais significativa que os atuais 2,7% no bolo da verba publicitária brasileira", disse Muniz Neto, da Bullet.