O novo cenário de comunicação formada com o aparecimento das mídias digitais e as possibilidades de utilizá-las em convergência foi o principal tema abordado no último painel desta terça-feira, 11, durante o Proxxima 2008. Ocorrido no formato TED - com apresentações rápidas e dinâmicas - o ponto fundamental colocado pelos palestrantes foi o desafio que o mercado tem e terá para lidar com os novos parâmetros provenientes das inovações tecnológicas.
Não há dúvidas que meios como TV Digital, celular e internet criaram inúmeros formatos de colocar um produto ou marca em contato com o público, mas muitos esquecem dos entraves que podem surgir com a nova realidade (ou virtualidade). "As novas tecnologias não trazem apenas progresso, mas também muito regresso para as pessoas. A velocidade com que as coisas ocorrem atualmente, muitas vezes atrapalha o raciocínio", comenta David Laloum, Y&R. Em sua apresentação, denominada "First Life", ele citou as mudanças de comportamento dos indivíduos que em pouco tempo passaram a lidar com coisas reais e virtuais ao mesmo tempo. "Hoje é muito fácil confundir as prioridades que temos na vida, e isso está muito ligado à evolução tecnológica".
E as inovações obrigam o mercado publicitário a encontrar o melhor caminho de comunicação sem esquecer do foco principal: a percepção pelo público da marca ou produto anunciado. "Muito se fala do celular como mídia, mas ninguém sabe ainda o modelo ideal de negócio para essa ferramenta", diz Bryan Crotty, da McCann Erickson. O telefone móvel como mídia também foi abordado por Marcelo Castelo, da agência interativa F.Biz. Segundo ele, apesar do seu rápido crescimento, esse meio encontra quatro desafios principais para entrar de vez na estratégia das empresas: padronização de formatos, tabela de preços, auditoria e servidor de banners. "Atualmente os usuários estão propensos em receber conteúdo pelos celulares sim, mas precisa ter alguma coisa em troca", afirma.
Já Maurício Mota, publicitário na indústria do entretenimento, aprofundou sua apresentação na mídia televisiva. Segundo ele, um bom exemplo de como essa mídia é mal aproveitada são os canais por assinatura. "Falta de conteúdo nessas transmissões. É possível ver um único filme mais de dez vezes em um único canal".
E para atender todas as necessidades da comunicação no universo digital de hoje, Bob Garfield, do Advertising Age, fez questão de apresentar peças publicitárias que tiveram milhões em investimento mas com retornos fracassados. Sua apresentação foi mais um aviso aos profissionais que, independente das inovações e verbas monstruosas, o principal é cumprir as regras do mercado. "A publicidade faz muitas coisas importantes para a sociedade, só peço que não sejam artistas com inovações em excesso, e sim que respeite o setor e a si próprio".