English

Cinema na cabeça

As fontes são cada vez mais abundantes, com conteúdos cada vez menos interessantes, repetitivos. Sem dúvida, a internet larga na frente: muito Youtube, onde temos a oportunidade de ver gente comum exercitando seus dons criativos. Os sites e revistas especializados seguem bombando, quase obrigatórios. Pessoalmente, eu também passeio por tudo isso, mas minha fonte principal é o cinema. Adoro filmes, divirto-me, servem de inspiração e aprendo muito com eles.

A curadoria dos Anuários

Sem dúvida, Archives e Anuários continuam fazendo sentido. Há nessas publicações um trabalho de curadoria, de síntese, que ajuda muito a depurar a qualidade. Em tempos de coisas demais é fundamental contar com alguma seleção prévia. Por mais que a internet tenha se tornado a maior fonte de informação, nada substitui o contato com essas páginas bem impressas, onde os melhores trabalhos se concentram.

Até aqui, já chegamos. Vai daí.

Há festivais e festivais. Os realmente representativos são fonte de referência e impulsionadores de avanços. Registrando o passado, eles estabelecem marcos para o futuro, tipo "até aqui já chegamos, agora vai daí".

Porteiro, taxista, garçom...

Criativo que se preza tem de estar ligado em tudo. Observar gente na rua, puxar conversa com porteiro, taxista, garçom, criança... é básico e bem divertido.

Estimulando conexões

Deve haver tempo, ou definham. Leitura, por exemplo, é o melhor exercício para a imaginação.

Cinema, teatro, música, pintura, fotografia, todas as artes são formas de expressão que mexem com nossa cabeça, estabelecem códigos e estimulam conexões que se transformam na matéria-prima do nosso ofício: idéia.

Estar atualizado, nem pensar

Talvez seja impossível estar atualizado hoje em dia. Sempre estamos perdendo alguma coisa, porque tudo acontece ao mesmo tempo e muito rapidamente. Se entrarmos na paranóia de saber tudo, acabaremos pirando, não aprofundando nada e nos tornando depósito de lixo. Acho que o grande segredo pra tirar proveito dessa realidade é desencanar, selecionar, manter o carro sob controle, usando acelerador e freio segundo nossas necessidades.

Reverência aos desbravadores

Os desbravadores precisam ser constantemente reverenciados e revisitados, porque a maioria dos princípios que eles consagraram continua valendo. Bill Bernbach é um desses feras. Dentre meus ídolos mais recentes, John Hegarty é brilhante, e aqui no Brasil todos nós devemos muito ao Washington Olivetto, um divisor de águas.

No palco, a idéia

As tendências do futuro são as mesmas de sempre: grandes cabeças desequilibrando o jogo em qualquer que seja a mídia, a não mídia, a plataforma ou seja lá qual for o palco onde a idéia venha a se exibir.

proximo
Alexandre Gama