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Fora da agência. Cuidado com a web

As referências estão onde sempre estiveram: fora da agência. Na conversa que você ouviu de "orelhada", na casa da tia velha, no álbum de fotografias, na piscina do clube, no congestionamento da estrada, no cinema, nos livros, e por aí vai. Hoje tudo isso existe na tal da internet. Isso é bom e ao mesmo tempo terrivelmente ruim, pois não basta a informação em si. É necessário que em determinado momento você se abstenha dela e se concentre na busca da solução. Quando alguém está pendurado na web, esse afastamento fica quase impossível. O desafio é saber filtrar isso tudo. Essa qualidade diferencia o grande criativo daquele que é simplesmente atualizado.

A fonte da realidade

Quem viu o brilhante documentário de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, constatou que nada, absolutamente nada, é mais dramático do que a realidade. Publicitários que não são íntimos e vivenciadores do mundo real estão fora do jogo.

Tem de ter tempo e alimentar a alma

Tem de ter tempo. TEM DE TER. É compulsório. Incentivo as pessoas a saírem cedo. Peço que se concentrem exclusivamente no trabalho enquanto estão criando (ou seja, desliguem o Messenger, o Notes, o celular, saiam da frente da Internet e, durante algumas horas, simplesmente PENSEM, ERREM, DEVANEIEM sozinhos ou em dupla, trinca ou sei lá mais o quê). Porque dessa forma elas GANHAM tempo. Dessa forma dá para sair da agência às 18h, e não às 23h. Aí dá para ficar mais tempo na internet (em casa, na agência, onde quiser) ou pegar a sessão de cinema que começa às 7h, ou participar do happy hour com aqueles amigos que não são publicitários, ou ser recebido pelo sorriso de um filhinho ainda acordado... e tantas outras coisas que alimentam a alma.

Melhor conhecer

Gosto do trabalho da Crispin Porter. Venero o da Wieden + Kennedy.

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Drauzio Gragnani